Jogos on-line

Segurança para os filhos, sanidade para os pais

Expedição Roblox na Estrada contou com palestrantes internacionais da plataforma de jogos on-line, além de oficinas educativas para jovens de escolas públicas do DF

Cada vez mais, o mundo dos jogos virtuais se torna o ambiente favorito dos jovens e uma grande fonte de preocupação para os pais. Dentro desse meio, o Roblox é um dos maiores portais on-line de games gratuitos, reunindo milhões de jogadores via computador, consoles e, principalmente, celulares. Para iniciar os jovens na criação e gerenciamento de seus próprios jogos nessa plataforma e, ao mesmo tempo, aproximar os pais e responsáveis do mundo virtual, Brasília recebeu, nesta quarta-feira (27/5), a terceira edição da Expedição Roblox na Estrada, projeto da escola de tecnologias Mastertech.

Em janeiro deste ano, o portal de jogos causou polêmica ao passar a exigir verificação de idade e limitar os chats de texto e voz para usuários com 9 anos ou mais e, ainda assim, somente com pessoas da mesma faixa etária. A decisão — que visa justamente garantir a segurança dos menores e impedir que eles interajam com criminosos por meio da plataforma — resultou em uma onda de protestos virtuais, com placas exibidas por jogadores que tiveram as habilidades de conversa removidas.

"O essencial é manter os usuários, família e professores, os três pilares sociais, unidos nessa jornada de desenvolvimento. O plano só pode dar certo se todas as partes mantiverem uma conversa franca", destacou Camila Achutti, fundadora da Mastertech. A programação organizado pela escola ocorreu no Brasília Game Hub, na 305 Norte, polo de escritórios e de desenvolvimento de games da capital federal.

Presente no evento, o subsecretário de Promoção à Ciência e Desenvolvimento Tecnológico do Distrito Federal, Milton Mendes Fernades, reforçou o compromisso do GDF com a mediação parental. "É muito importante agir para incorporar a economia criativa a ações como essa. A presença dos pais na criação dos filhos é fundamental e garante uma consciência tranquila para todos", assinalou. De acordo com Fernandes, o governo trabalha para aumentar o número de centros de criação de jogos e de empresas de games na capital.

A diretora global de advocacia parental do Roblox, a advogada norte-americana Elizabeth Milovidov, relatou os dilemas da empresa para balancear a liberdade dos jogadores com a segurança e as restrições que precisam ser impostas. "Queremos manter as crianças seguras e os pais, sãos. Nosso trabalho principal é empoderar os pais por meio de atividades como as que foram realizadas hoje. É importante vir e escutar as dores deles para saber como solucionar os problemas que os afligem", comentou. Elizabeth recomendou que os responsáveis "busquem sempre se manter digitalmente letrados, pois apenas assim é possível se comunicar a estabelecer limites que os mais novos entendam que não podem cruzar".

Pais que participaram do encontro relataram experiências e receios com a entrada das crianças e adolescentes no universo dos jogos. Erica Lima contou que já teve problemas com compras recorrentes feitas pelos filhos. "No começo, eles pediam uma coisa ou outra. Sempre algo de R$ 5,00 ou R$ 12,00. O problema é que, depois de um tempo, comecei a perceber um aumento na frequência dessas compras sem a minha autorização. Quando fui investigar, descobri que meu cartão estava registrado e eles tinham gastado bem mais do que eu aceitaria. Tive que bloquear o acesso", relatou a pedagoga.

Leonardo Pereira também falou sobre a dificuldade de acompanhar os interesses dos filhos na plataforma. "São conteúdos muito variados e aleatórios, fica difícil de entender. Mas é importante fazer esse esforço para acompanhar o que eles fazem, para não deixá-los expostos."

A Expedição Roblox na Estrada reuniu 50 estudantes do CED 15 de Ceilândia e do Instituto Tia Angelina, do Varjão, para participarem de oficinas de criação de jogos em múltiplas categorias. O evento contou com brindes e premiou dois estudantes pelos melhores projetos desenvolvidos.

*Estagiário sob a supervisão de Eduardo Pinho

 


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