O Banco de Brasília (BRB) se aproxima do prazo estabelecido pelo Banco Central (BC) para divulgar os balanços em atraso referentes a 2025 e ao primeiro trimestre de 2026, que termina nesta sexta-feira (29/5). Os documentos deveriam ter sido publicados até 31 de março, mas o banco informou, na própria data-limite, que a divulgação seria adiada em razão dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. Paralelamente, o BRB busca concluir um processo de capitalização para recuperar a confiança do mercado e reduzir a pressão sobre sua liquidez.
Entre especialistas ouvidos pelo Correio, cresce a expectativa de que a publicação dos documentos possa sofrer um novo adiamento. Economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), César Bergo defendeu que o ponto mais sensível da crise é a apresentação dos números. Segundo ele, um novo adiamento pode aprofundar a desconfiança do mercado e fragilizar a imagem da instituição. "Existe uma expectativa muito grande na apresentação desse balanço. A falta de transparência compromete não só a gestão atual, que pode ser responsabilizada pelo atraso na apresentação desse documento, porque essas postergações não passam em branco (para o mercado)", declarou.
Bergo ressaltou que, além das multas aplicadas, a continuidade dos atrasos pode abrir espaço a medidas mais severas por parte do Banco Central. Entre as possibilidades citadas pelo especialista estão restrições operacionais e ampliação da fiscalização. "Tudo isso afeta diretamente a reputação do banco e aumenta a desconfiança do mercado", avaliou.
Além do Banco Central, o atraso pode gerar impactos no mercado de capitais. Como o BRB possui ações negociadas em bolsa, o banco pode sofrer novas consequências regulatórias caso a situação permaneça indefinida. "Pode haver suspensão da negociação das ações, responsabilização civil e até ações coletivas de acionistas que se sintam prejudicados. Isso só piora o cenário", salientou Bergo.
Recentemente, agências de classificação de risco rebaixaram a nota de crédito do BRB a níveis considerados altamente especulativos, indicando preocupação com a capacidade de pagamento e com a fragilidade financeira da instituição. O economista e consultor Daniel dos Passos, enfatizou que a falta de divulgação dos balanços dentro do prazo pode ampliar a insegurança do mercado. "Mesmo que os números sejam divulgados, o mercado pode reagir negativamente, caso os resultados revelem deterioração patrimonial, aumento da inadimplência ou fragilidade de capital", explicou.
Segundo Daniel dos Passos, caso o BRB não entregue o balanço, poderá sofrer novas sanções regulatórias. O BC pode aplicar multas diárias de até R$ 50 mil, enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pode impor multa adicional de R$ 1 mil por dia. Além do impacto financeiro, o descumprimento pode levar à abertura de processos administrativos, aumento da fiscalização e novas restrições regulatórias, ampliando os danos à credibilidade da instituição perante investidores, clientes e órgãos de controle.
Em entrevista ao Correio, a governadora afirmou que a assinatura do acordo prevista para hoje será peça fundamental na conclusão do balanço do BRB. "Com a assinatura do acordo, vamos encaminhar tudo ao Banco Central e concluir o balanço do BRB", declarou.
