A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (28/5), a operação Crédito Corrompido para investigar um suposto esquema de fraudes em empréstimos consignados e liberação irregular de créditos milionários no Banco de Brasília (BRB).
A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão à Corrupção (DRCOR), com apoio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público e Social (Prodep), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), além das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 1,01 milhão, valor que, segundo a investigação, teria sido recebido por um gerente do BRB como propina e posteriormente ocultado por meio de uma empresa de fachada.
As investigações começaram em 2025 após o próprio BRB informar à Polícia Civil suspeitas de irregularidades envolvendo empregados do banco e correspondentes bancários conhecidos como “pastinhas”.
Segundo a corporação, os investigados atuavam na oferta de empréstimos consignados para pessoas sem perfil para aprovação, principalmente professores temporários. De acordo com a apuração, os correspondentes abordavam clientes por meio de grupos em redes sociais e se apresentavam como assessores do banco.
A polícia afirma que documentos falsificados eram enviados às agências para viabilizar a contratação dos empréstimos. Em alguns casos, os clientes transferiam cerca de 30% do valor obtido ao grupo criminoso. Em outros, os valores eram desviados diretamente pelos próprios gerentes para contas ligadas aos operadores do esquema.
Com o avanço das apurações, a Polícia Civil identificou uma segunda frente de atuação, relacionada à liberação de créditos milionários. Segundo os investigadores, gerentes do segmento de alta renda do banco teriam recebido propina para aprovar operações financeiras de grande porte em conluio com operadores financeiros.
A investigação divide os suspeitos em cinco núcleos: o grupo dos “pastinhas”, responsável por recrutar clientes e falsificar documentos; o dos intermediários, encarregado de negociar diretamente com gerentes do banco; o dos gerentes do varejo, que liberariam créditos irregulares e desviariam valores; o dos gerentes da área de alta renda, ligados à aprovação de empréstimos milionários; e o dos operadores financeiros, responsáveis pelo pagamento de propina e movimentação dos recursos.
Segundo a Polícia Civil, as diligências desta etapa buscam reforçar provas relacionadas aos crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, estelionato contra a administração pública, lavagem de dinheiro e associação ou organização criminosa.
