
O Banco de Brasília (BRB) vive um capítulo decisivo da crise financeira enfrentada pela instituição. O Governo do Distrito Federal (GDF) e a União devem concluir o acordo negociado desde a última terça-feira (26/5), durante audiência de conciliação no Supremo Tribunal Federal (STF), para viabilizar uma operação bilionária de capitalização do banco. O encontro, que tem previsão de iniciar nesta quinta-feira (27/5) às 10h, tem como expectativa que o desfecho das tratativas permita que o BRB avance no fechamento dos balanços atrasados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026, documentos considerados fundamentais para recuperar a confiança do mercado e reduzir a pressão sobre a instituição.
A negociação acontece em meio aos desdobramentos das operações fraudulentas investigadas pela Polícia Federal no caso do Banco Master e às vésperas do prazo final estabelecido pelo Banco Central para divulgação dos demonstrativos financeiros. Durante a reunião conduzida pelo ministro Luiz Fux, o Ministério da Fazenda sinalizou flexibilizar restrições fiscais impostas ao Distrito Federal para permitir um acordo de maior alcance financeiro e destravar a operação de capitalização do BRB.
Na tentativa de buscar apoio institucional para a operação de capitalização e alinhar detalhes sobre negociação com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que deve liberar R$ 6,6 bilhões, representantes do BRB estiveram ontem no Banco Central. Entre os participantes, estavam o presidente da instituição, Nelson de Souza; o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos; e o diretor de Regulação, Gilneu Francisco Astolfi Vivan.
"Pedidos a Deus"
"Hoje é um dia muito especial em que nós retiramos o BRB de qualquer tipo de risco, de liquidação, de intervenção, e de qualquer dano ao erário. Nós conseguimos resolver uma crise em menos de 50 dias", declarou Celina Leão (PP).
Durante a fala em agenda oficial na manhã de ontem, Celina revelou que havia colocado como prioridade pessoal salvar o banco público do Distrito Federal. "Uma profeta falou para mim que era bom fazer uma lista do que eu gostaria. E eu cheguei em casa e fiz uma lista de pedidos a Deus. Não tem nenhum pedido naquela lista que seja pessoal. O primeiro pedido que estava na lista era salvar o BRB", contou.
Celina ressaltou o impacto econômico da instituição para a capital federal e afirmou que a preservação do banco representa a manutenção de milhares de empregos e da arrecadação local. "São mais de 6 mil empregos. É um banco que fomenta a nossa região. Só de impostos gera R$ 1,8 bilhão por ano aqui no Distrito Federal", disse.
Ao elogiar a atuação da nova procuradora-geral, Diana de Almeida Ramos, Celina relatou que a estratégia jurídica construída pela Procuradoria foi decisiva para o acordo firmado no STF. Segundo ela, a ideia inicial era ingressar com um mandado de segurança, mas a equipe jurídica optou por outro caminho. "Eu falei com a Diana: 'Vamos entrar com mandado de segurança'. Ela olhou e falou: 'O instrumento será outro'. E não importa qual foi o instrumento. O importante é que na última terça-feira, no STF, nós conseguimos fazer um acordo com a União."
A governadora disse que o desfecho demonstra capacidade de diálogo, responsabilidade e institucionalidade, inclusive com o governo federal. "Acima de qualquer questão ideológica, tem a minha cidade. E pela minha cidade, todas as vezes que precisar manter o diálogo, eu o farei", declarou.
Celina agradeceu aos procuradores do DF envolvidos na construção da ação judicial e citou o ministro Luiz Fux pela mediação do acordo. "O Distrito Federal tem orgulho de vocês. Essa é apenas uma de várias outras que nós iremos ganhar também", ressaltou.
Saiba Mais
Banco define novas regras para aumento de capital
O Banco de Brasília (BRB) anunciou, ontem, ajustes no processo de aumento de capital da instituição para acelerar a autorização da operação junto ao Banco Central (BC). Em fato relevante divulgado ao mercado, a instituição informou que poderá realizar homologações parciais do aumento de capital à medida que os recursos forem sendo subscritos e integralizados pelos acionistas.
Segundo o BRB, a mudança permitirá que parte dos valores aportados já produza efeitos no capital da instituição antes mesmo do encerramento completo da oferta de ações. O banco afirmou que o modelo poderá ser utilizado até o montante de R$ 8,8 bilhões. "Poderão ser realizadas homologações parciais do aumento de capital, sem encerrar o processo, até o montante de R$ 8,8 bilhões. Esse modelo permite que os recursos aportados passem a produzir efeitos no capital do banco de forma gradual, sem prejuízo das etapas remanescentes", informou a instituição em nota à imprensa.
Na prática, a medida busca dar mais rapidez ao processo de capitalização em meio à crise financeira enfrentada pelo banco após os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master e às vésperas do prazo final para divulgação dos balanços atrasados de 2025 e do primeiro trimestre de 2026.
O banco também prorrogou até 3 de junho o prazo para que acionistas exerçam o direito de preferência na compra das novas ações emitidas na operação. Segundo o BRB, a decisão foi tomada para preservar os direitos dos investidores diante das mudanças anunciadas.

Cidades DF
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