Operação juros zero

Celina Leão manda auditar folha após fraude de R$ 81 mi: "Salário é sagrado"

Governadora do DF determina contratação de auditoria externa e aciona a Procuradoria-Geral para buscar devolução de valores cobrados de servidores. Declaração foi dada no X na manhã desta terça (23/6)

"Objetivo é ir atrás dos recursos retirados dos servidores e pensionistas do GDF", declarou Celina -  (crédito:  Minervino Junior CB/DA Press. )
"Objetivo é ir atrás dos recursos retirados dos servidores e pensionistas do GDF", declarou Celina - (crédito: Minervino Junior CB/DA Press. )

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta terça-feira (23/6) que determinou ao secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, a contratação de uma auditoria externa na folha de pagamentos do funcionalismo local. A medida foi tomada em reação aos desdobramentos da operação Juros Zero, deflagrada na última sexta-feira (19/6) pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) e pela Polícia Civil (PCDF).

O objetivo principal da auditoria é investigar denúncias de descontos irregulares nos salários e benefícios de servidores ativos, inativos e pensionistas. De forma paralela, a Secretaria de Economia conduzirá um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) interno. Em posicionamento em sua conta na rede social X, Celina destacou que a intenção é reaver as quantias subtraídas.

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Ela ainda informou que a Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) já foi acionada para encontrar caminhos jurídicos que garantam o ressarcimento das vítimas. "O salário, as aposentadorias e pensões dos servidores do GDF são sagrados", declarou a governadora.

Entenda

A movimentação do Executivo ocorre após vir a público um suposto esquema criminoso que utilizava o sistema de crédito consignado para lesar os trabalhadores da administração pública. A investigação aponta que um produto de antecipação salarial, criado por meio de um decreto assinado em agosto de 2024, prometia liberar recursos sem a incidência de juros.

No entanto, logo após a publicação da norma, a plataforma PicPay passou a operar o serviço e, conforme os apontamentos do Ministério Público, efetuou descontos automáticos na folha de pagamento que continham taxas abusivas disfarçadas.

No total, a cobrança desses encargos considerados ilegais movimentou mais de R$ 81 milhões. Análises econômicas preliminares indicam que as tarifas cobradas em períodos curtos geravam juros embutidos que podiam ultrapassar a marca de 200% ao ano, superando as taxas de mercado.

O caso ganhou contornos mais graves com o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão na última semana, expedidos em uma ação que mirou o Banco de Brasília (BRB), a Secretaria de Economia, o Instituto de Previdência dos Servidores (Iprev-DF) e sedes da empresa de pagamentos no DF, em São Paulo e em Curitiba.

Entre os principais alvos das buscas estão o ex-secretário de Economia Ney Ferraz e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A estrutura da fraude começou a ser desenhada após uma representação do deputado distrital Gabriel Magno (PT), que alertou os órgãos de controle sobre indícios de favorecimento e falhas severas de governança que permitiram a atuação da operadora privada dentro do sistema estatal.

Enquanto o PicPay nega a existência de qualquer irregularidade em suas operações, entidades sindicais e especialistas jurídicos reforçam que os funcionários prejudicados têm direito à restituição corrigida dos valores confiscados ilegalmente de seus contracheques.

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postado em 23/06/2026 10:24 / atualizado em 23/06/2026 11:35
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