ENTREVISTA | Juliano Pellicano | cirurgião crânio-maxilo-facial

Brasil lidera ranking de rinoplastias, diz pesquisa internacional

País lidera o ranking mundial de realização de cirurgias no nariz. Ao CB.Saúde, especialista destacou que avanço da técnica e previvisibilidade dos resultados estão entre os fatores que contribuem para esse aumento

Manuela Sá*

O Brasil lidera o ranking mundial de realização de rinoplastias. É o que diz pesquisa da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS). O procedimento foi tema, ontem, do CB.Saúde — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Às jornalistas Carmen Souza e Mila Ferreira, Juliano Pellicano, cirurgião crânio-maxilo-facial, deu recomendações a quem tem interesse na cirurgia, falou sobre avanços na técnica e sobre desvio de septo e adenoide. Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista. 

A que o senhor atribui o alto número de rinoplastias no Brasil? 

O Brasil tem a história de investir na beleza. Isso tem muita influência dos Estados Unidos também, um país que executa muitas cirurgias plásticas. A rinoplastia, aqui, está decolando. Ela está superando os outros procedimentos. A grande conquista nos últimos anos é a previsibilidade. Temos reduzido muito os casos de insatisfação dos pacientes, porque conseguimos fazer planejamentos mais eficazes. Isso atrai o cliente que gostaria de mudar o nariz. Com uso de celulares, das lives, de reuniões on-line, o nariz está no centro do quadro. Olhamos para ele o tempo todo. Ter um boa cirurgia, com certeza vai atrair o paciente interessado 

Quais são as recomendações? 

Para se decidir por uma cirurgia, o importante é que o nariz te incomode, seja do ponto de vista funcional ou do estético. É essencial que você saiba que não basta não gostar do nariz, você tem que estar pronto para um procedimento cirúrgico, que vai te afastar das suas atividades, vai mudar sua fisionomia, claro que de forma natural, equilibrada e harmônica. Você não pode achar que operar o seu nariz vai resolver um grande problema da sua vida. A cirurgia não vai fazer você arrumar um emprego melhor, um namorado mais legal ou ser mais bem-quista na sua roda de amigos. A finalidade da rinoplastia é estética. É para você se sentir bem com o seu rosto. Muitas vezes a gente tem que fazer um acompanhamento junto com a psicologia e a psiquiatria, para ver se o paciente quer fazer isso mesmo. A cirurgia é previsível, o resultado é bom, mas o paciente tem que entender o processo. 

Muitas adolescentes têm tido a vontade de mudar a fisionomia do rosto. É possível fazer a rinoplastia? 

Sim. A gente precisa avaliar a idade do paciente e o desenvolvimento de puberdade, mas, em geral, uma menina depois de dois, três anos da primeira menstruação já pode fazer uma cirurgia. Óbvio que o adolescente não é senhor de seus atos. É preciso conversar com os pais, ver o contexto dessa adolescente, o motivo pelo qual ela quer fazer essa cirurgia e se ela não pode esperar um pouco. Do ponto de vista de desenvolvimento da face, uma menina com 15, 16 anos já pode fazer uma cirurgia dessa. O menino em torno de 16 até 18 anos também pode fazer. Não vai haver comprometimento do crescimento da face. 

Quais os principais avanços da técnica cirúrgica? 

O paciente, às vezes, se assusta quando falamos que vamos usar cartilagem no nariz. A gente usa uma área doadora do próprio paciente. Ela pode ser da região da costela, do próprio septo ou de trás da orelha. O uso massivo de cartilagem na rinoplastia foi uma virada de chave. Hoje, a cirurgia é tão previsível, os resultados são tão bons, que a gente consegue criar uma estrutura bem forte, robusta e duradoura. Não se fala em rinoplastia sem o uso desses enxertos de cartilagem. Isso é utilizado há muito tempo, mas tem se popularizado nos últimos anos para reconstrução, principalmente nos casos mais complexos. 

Com relação ao desvio de septo e à adenoide, às vezes a pessoa precisa corrigir, mas não quer fazer a intervenção estética. É possível corrigir só o desvio? 

A cirurgia, classicamente, resolve o desvio de septo. Tanto que o nome bonito da rinoplastia é rinosseptoplastia, porque sempre que se mexe na parte de fora do nariz, você, necessariamente, intervém na parte de dentro. Portanto, toda rinoplastia tem uma septoplastia, ou seja, cirurgia do desvio de septo junto. Para todo paciente que vai fazer esse procedimento e tem um componente de obstrução, ou seja, ele não respira bem porque tem um desvio, uma adenoide ou uma sinusite, é prudente abordar tudo isso na mesma cirurgia. Assim, aproveita-se a anestesia, o afastamento das atividades, toda aquela cerimônia que é a realização de uma cirurgia. 

Assista à íntegra da entrevista:

*Estagiária sob supervisão de Eduardo Pinho

 

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