
O Partido Novo oficializou nesta sexta-feira (31/7) a candidatura do advogado Kiko Caputo ao Governo do Distrito Federal durante convenção partidária realizada em Brasília. No mesmo evento, a legenda confirmou o desembargador aposentado Sebastião Coelho como candidato ao Senado Federal.
Em coletiva de imprensa, Caputo afirmou que pretende disputar o Palácio do Buriti com um discurso voltado à ética na gestão pública, ao combate à corrupção e à melhoria dos serviços públicos. O candidato afirmou que o objetivo é "devolver a esperança" aos brasilienses. "Amo esta terra, porque eu vivi numa cidade planejada e que funcionava. Quero que os meus filhos, os meus netos e os meus bisnetos tenham o Distrito Federal como uma terra de oportunidades ainda. Brasília tem que voltar a ser a capital da esperança", declarou.
A saúde foi apontada como a principal prioridade de um eventual governo do Novo. Caputo defendeu mudanças na gestão, ampliação da estrutura hospitalar e maior fiscalização sobre a aplicação dos recursos públicos. "A saúde não espera. A gente não pode normalizar uma situação na qual as pessoas morrem sem atendimento. O Distrito Federal é a unidade da Federação que mais gasta por habitante com saúde pública", afirmou. O candidato criticou o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IGES-DF), que, segundo ele, precisa passar por uma profunda revisão. "O modelo é excelente, mas foi completamente desvirtuado e precisa ser revisto", disse.
Na área da mobilidade urbana, Caputo defendeu investimentos na expansão da infraestrutura viária e no transporte coletivo. Entre as propostas apresentadas estão a revisão das linhas de ônibus, maior fiscalização das concessionárias, construção de novas ligações viárias e a implantação do corredor de BRT na Asa Norte.
"A gente precisa fiscalizar mais a frequência dos ônibus, rever todas as linhas para evitar que a população pegue dois ou três ônibus para se deslocar internamente. A gente não pode se conformar com alguém gastar duas horas para ir ao trabalho e mais duas para voltar para casa", assinalou.
Investimento em infraestrutura
O candidato defendeu investimentos no Metrô-DF e disse que a prioridade inicial será recuperar os sistemas de operação e segurança da companhia, antes de ampliar a malha ferroviária. Segundo ele, o sistema sofreu anos de sucateamento e necessita de investimentos superiores a R$ 1 bilhão para voltar a operar com maior eficiência.
Caputo admitiu a possibilidade de concessões à iniciativa privada, desde que o objetivo seja melhorar a prestação dos serviços públicos. "A privatização não é um tabu para mim. O que é tabu é o Estado não oferecer um serviço de excelência para a população. Se a concessão resolver o problema, não tenho dificuldade em adotar essa solução", afirmou.
Outro tema abordado foi a situação financeira do Governo do Distrito Federal e do Banco de Brasília (BRB). O candidato afirmou que, caso seja eleito, pretende realizar uma ampla auditoria de contratos. "A revisão dos contratos é fundamental. O BRB deveria ser um banco de fomento para ajudar o pequeno produtor e o pequeno empresário do Distrito Federal", declarou. Caputo também criticou patrocínios realizados pelo banco em eventos esportivos e disse que os recursos da instituição devem ser direcionados prioritariamente ao desenvolvimento econômico do DF.
Durante a entrevista, Caputo também comentou uma eventual candidatura do ex-governador José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti. Apesar de ter sido advogado do ex-governador, afirmou que a relação entre ambos nunca foi política e disse não temer uma eventual disputa eleitoral. "Tenho o maior respeito por ele. Já advoguei para o ex-governador durante muitos anos, mas essa sempre foi uma relação profissional, não política. Acho que a população saberá diferenciar os candidatos e escolher aquele que considera mais preparado", declarou.
Além de oficializar a candidatura de Kiko Caputo ao Governo do Distrito Federal, a convenção confirmou o desembargador aposentado Sebastião Coelho como candidato do Novo ao Senado Federal. Conhecido por sua atuação no Judiciário e por posições críticas ao Supremo Tribunal Federal, Coelho será um dos principais nomes da legenda na disputa por uma das duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. A chapa aposta em um discurso centrado na ética, na redução do tamanho do Estado e na defesa de mudanças na gestão pública para ampliar o espaço do partido no cenário político do Distrito Federal.

Cidades DF
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