
O advogado Kiko Caputo, pré-candidato do partido Novo ao GDF, foi o entrevistado do CB.Poder — parceria do Correio Braziliense e da TV Brasília. Às jornalistas Adriana Bernardes e Mariana Niederauer, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) comentou sobre a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, explicou as motivações para a pré-candidatura que ocorre nesta quarta-feira (22/4) e apresentou promessas para um futuro governo.
A seguir, trechos da entrevista:
Como analisa a crise do BRB e do Banco Master?
Infelizmente, recolocaram Brasília nas páginas policiais do nosso país. Esse é o maior escândalo financeiro do Brasil e o maior escândalo da história do Distrito Federal. Mas a surpresa desse escândalo é a de um governo que, há 7 anos e 4 meses, tem a transparência como sua inimiga. Como vamos resolver um problema se a gente sequer sabe o tamanho dele? Ninguém nunca veio a público para nos dizer qual é o tamanho do problema. Sabemos que há um rombo. Sabemos que isso está colocando em risco um patrimônio da nossa sociedade, pois o BRB é um patrimônio, e não podemos medir esforços para salvá-lo. A quebra do BRB vai ser um desastre para o DF. Mas, como vamos pensar em soluções ou validar alguma solução que o governo queira dar se nem sabemos o tamanho do problema? A primeira coisa que precisamos ter é transparência. A Câmara Distrital não teve transparência. A Câmara Distrital deu dois cheques em branco para o GDF. E o resultado está aí: é um patrimônio público sendo ameaçado de ser perdido por conta não só da incompetência, mas principalmente da falta de transparência deste governo Ibaneis e Celina.
O governo federal deveria intervir nesse caso?
Não sei se a intervenção é uma saída, porque eu não sei se a gente teria, no DF ou no próprio banco, condições de superar essa crise que eles criaram. Estamos sem um balanço do banco desde setembro do ano passado, quando foi publicado o último. Não tem como afirmar qual é a melhor saída, porque não sabemos o tamanho do problema. Isso é um absurdo.
Quem o senhor considera que deve ser responsabilizado?
A investigação está em curso. Algumas pessoas começaram a ser identificadas. Mas eu acho que está faltando responsabilização de quem deu a ordem política para isso ser efetivado, esse negócio desastroso que fizeram com o nosso patrimônio. Os ocupantes do Palácio do Buriti sabiam e incentivaram que esse negócio fosse para frente. O Banco Central está alertando, desde o ano passado, que esse era um negócio deletério, um negócio péssimo para o BRB, mas eles insistiram e, mesmo com os alertas, foram para frente e tentaram de todas as formas fazer o negócio. Fizeram. E o resultado está aí. É de um cinismo tremendo o ex-governador (Ibaneis Rocha) dizer que só esteve com o Vorcaro uma única vez, que não sabia de nada, que o Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do BRB, fez tudo à revelia dele. Isso é mentira. E o próprio ex-presidente Temer, em uma entrevista, disse que quem o chamou para ajudar a resolver o problema do BRB com o Master foi o governador Ibaneis. Quem apresentou o banqueiro falido foi o ex-governador Ibaneis. Como é que ele vem agora dizer que não sabe fazer um pix? Receber pix parece que ele sabe muito bem.
Por que sair da advocacia e ir para a área política para disputar, logo de cara, o cargo Executivo?
Todos me perguntam isso. Por que eu saio de uma vida confortável? Eu sou advogado há 32 anos. Sou casado com a Janaína, tenho três filhos e uma vida maravilhosa. Eu tinha tudo para continuar do jeito que estou, no meu escritório, que este ano vai completar 16 anos. Mas sinto essa indignação de como transformaram Brasília. Meu pai chegou a Brasília em 1972. Eu vim para cá com três anos, estou há 53 anos em Brasília. E eu vivi aquela Brasília que o Juscelino Kubitschek sonhou. Estudei em escola pública, fui operado em hospital público, brincava e praticava esportes em espaços públicos. Eu vivi em uma Brasília que dava certo, uma cidade planejada e que funcionava. Eles conseguiram destruir isso. Eles estão nos roubando absolutamente tudo. Mas eu já falei e repito: eles não vão roubar a minha esperança. E eu tenho esperança de que a gente pode fazer mais e melhor com o que a gente tem no DF. O mesmo sentimento que me impulsionou, em 2009, a disputar a presidência da OAB e, na época, eu disputei contra o grupo político do Ibaneis e ganhei, mesmo com abuso do poder político e econômico. Eu fui e mostrei as melhores propostas e propósito para a OAB naquela época. E eu quero fazer o mesmo agora. Quero sair da minha zona de conforto. Tinha tudo para ficar em casa, mas eu não aguentei ficar só reclamando. Eu precisava sair e transformar essa indignação em ação. É isso que me trouxe até aqui como pré-candidato.
Qual será a prioridade do senhor em um eventual governo?
Minha prioridade vai ser a saúde. O que estão fazendo com a saúde pública do DF é outro crime. Para onde você olha, é possível ver ralo de corrupção. É ineficiência, um loteamento político absurdo e falta de gestão absoluta. Então, a nossa primeira providência vai ser com relação à saúde pública. Vamos ter que aproveitar, inclusive, a qualidade da nossa iniciativa privada, principalmente os hospitais e clínicas, para zerar a fila de cirurgias e exames. Não podemos dar espaço entre o diagnóstico e os exames. O tempo é primordial.
O que o senhor acredita que pode melhorar na mobilidade?
A gratuidade nos fins de semana não é o que eu acho que vai resolver o problema de mobilidade da população. Acho que precisamos apostar mais no transporte por trilhos, aumentar o metrô, atualizar a eficiência dele, que está notoriamente sendo sucateado. Há anos não há concurso público. Os veículos estão sendo sucateados: tínhamos 36 veículos e hoje só 16 funcionam. Temos que apostar no transporte sobre trilhos. Precisamos fazer o BRT para a Saída Norte, isso é urgente. E temos que diminuir esses engarrafamentos. Vamos tirar carros das pistas se dermos um transporte público de qualidade. As grandes cidades do mundo funcionam assim. É um absurdo. Os ônibus que a gente tem hoje são iguais aos que eu usava na década de 80: ônibus sem ar-condicionado, todos lotados e vivem quebrando.
De onde viriam esses investimentos para que as mais de 30 regiões administrativas conseguissem se desenvolver?
É aí que temos que apostar na relação com a iniciativa privada. O Estado pode ser um indutor de investimento, mas é a iniciativa privada que precisa estar à frente disso. Vimos o atual secretário de Economia, Valdivino Oliveira, dizer que o governo está com um rombo de quase R$ 3 bilhões. Eles não quebraram só o BRB. Eles conseguiram deteriorar as contas públicas do DF. Vamos ter muito trabalho, mas a gente vai fechar todos os ralos da corrupção, e o dinheiro de Brasília vai sobrar para investimento.

Cidades DF
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