ELEIÇÕES 2026

Presidente do PV-DF diz ter esperança de união do campo progressista

"Precisamos ter um pouco de maturidade e deixar de lado questões pessoais para chegar a um consenso", afirmou o presidente do Partido Verde no DF, Eduardo Brandão, ao CB.Poder

Por Manuela Sá — Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — o presidente do Partido Verde no DF (PV-DF), Eduardo Brandão, traçou nesta segunda-feira (27/7) um panorama das articulações políticas e das prioridades do partido para as eleições locais. Questionado pelos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza sobre a união no campo progressista, Brandão se definiu como um "pessimista esperanço". O programa faz parte da série Esquenta Eleições com presidentes de partidos do DF. Segundo ele, os partidos trabalham para fechar uma aliança entre a federação do PV, PT e PCdoB e o PSB, que hoje contam com as pré-candidaturas de Leandro Grass (PT) e Ricardo Capelli (PSB) ao Governo do Distrito Federal (GDF). Brandão também falou sobre propostas da pré-campanha. Uma delas é a criação de creches para idosos. 

O PV fez a convenção na semana passada e aprovou a nominata para deputados distritais, deputados federais e a indicação para vice de Leandro Grass (PT). Quais são os planos do partido?

O PV tem como objetivo principal a reeleição do nosso deputado federal Reginaldo Veras. Também temos a ativista Juliana dos Tigrados. Eu saio como pré-candidato a deputado distrital. Temos mais a Elke Pimentel e o Jean da Cultura, que são bons quadros apresentados. Como a gente está federado, temos menos vagas, o que é bom de certa forma. Sendo um partido pequeno, com pouco tempo de televisão, pouco recurso, a gente concentra nos nossos candidatos. Lançamos Dora Gomes, uma mulher preta e empresária fantástica, com uma indicação para vice de Leandro Grass, o (candidato a) governador que nós estamos apoiando. 

É a primeira vez que o senhor vai sair para um projeto de deputado. Como isso se deu? 

O que me levou a essa questão foi o seguinte: sou um candango nato. Fui feito aqui em Brasília. Fui ao Rio de Janeiro nascer, mas, no dia 21 de abril, eu estava aqui. Meu pai é pioneiro. Ele veio para a construção da Barragem do Paranoá e ama essa cidade. Penso que nós precisamos ter um posicionamento mais forte, mais firme, com relação a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Precisamos ter candidatos com propostas. A minha candidatura vem com propostas. Com isso, nós lançamos alguns pontos principais da nossa pré-candidatura. Um deles é, claro, a questão do meio ambiente, inerente ao nosso projeto. Fui secretário do Meio Ambiente aqui. Nesse período, fizemos 15 parques só com compensação ambiental, sem nenhum recurso. Deixamos esse instrumento implantado na secretaria. Infelizmente, não prosperou. Fizemos o primeiro hospital público para pets, o primeiro castramóvel e a política de resíduo sólido. Também iniciamos o projeto do aterro sanitário em Samambaia. Então, a gente tem um bom legado.

O escândalo do Banco de Brasília (BRB) entrou em uma questão ambiental, que foi a da Serrinha. A governadora Celina Leão ficou à frente para estabelecer algumas garantias em relação àquela área, que é extremamente sensível. Os ambientalistas dizem que foi insuficiente. Qual a sua avaliação em relação a esse ponto específico? 

O PV entrou na Justiça contra essa questão. O que a gente tem que ter é bom senso. Serrinha é uma área muito sensível. É uma área de qualidade ambiental. Não podemos entregar isso, porque teve um problema no BRB. Ela (a área) não pode ser a garantia do banco. Como cidadão, não é como partidário nem como político, considero o governo Ibaneis e Celina o pior que Brasília já teve. Estamos chegando ao fim de um ciclo com um mundo de obras inacabadas, a saúde um caos e a educação largada. Domingo (passado), eu estava no Ponto Verde, ponto que criamos no Eixão do Lazer, quando veio um policial civil e falou: "Eduardo, nós estamos sem recurso para a alimentação dos presos'. Imagina o Estado chegar a uma situação dessa. É um absurdo. A questão ambiental tem que ser vista dentro do olhar da sustentabilidade. Isso envolve o social, o econômico e o ambiental. Se não tivermos equilíbrio, fazem o que fizeram. Destruíram o banco público. Antigamente, eu olhava a televisão e ficava estarrecido quando roubavam não sei quantos milhões. Agora, eles roubaram não sei quantos bilhões. Então, precisamos dar um basta nisso. Brasília, capital da República, tem que ser olhada com muito mais seriedade.

A CLDF tem um papel fundamental do ponto de vista das políticas públicas ligadas ao meio ambiente. Qual avaliação o senhor faz do trabalho do Legislativo nesse sentido? 

Infelizmente, essa CLDF não tem cumprido sua função. Qual é a função? É fiscalizar os atos do Executivo e trazer propostas. Você não vê nada disso. Parece que virou tudo um grande balcão de negócios. A população do DF tem que dar um basta nisso. É muito sofrimento. Uma das propostas que a gente quer levar na nossa pré-campanha é um trabalho muito sério para os idosos vulneráveis. Hoje, estamos vivendo mais. As mulheres, principalmente, têm uma jornada inacabável. Por quê? Porque primeiro ela é mãe. Depois ela ajuda a cuidar dos netos e, depois, ela vai cuidar dos idosos que não têm mais condições de ter autonomia. Cadê o Estado? Estamos propondo o que a gente chama de uma creche para idosos. Seria um local voltado para as famílias, principalmente, de baixa renda. As que não têm como contratar um cuidador. As que a mulher tem que sair para trabalhar. Antigamente, tínhamos famílias muito grandes e sempre sobrava um filho para cuidar. Agora, não. É a mulher que tem que fazer isso e tem que dar conta de ser provedora. Chegamos a quase 10 mil ocorrências de maus-tratos a idosos vulneráveis no primeiro semestre deste ano. É dar um mínimo de conforto para as famílias. A gente tem que começar a dar exemplos de boas práticas. Brasília foi um exemplo de boas práticas para o Brasil inteiro. É a isso que temos que retomar, tanto no Executivo quanto no Legislativo.

Além da fraude no BRB, há o rombo nas contas públicas. Quem assumir o governo em 2027 terá muitos problemas?

Fui secretário do Meio Ambiente e não tinha um tostão de orçamento. Fiz 15 parques. A pessoa que está representando sua população e que está com esse cargo tem que ter criatividade. Falar que não tem dinheiro é muito fácil. Se você não vai fazer porque não tem dinheiro, então, por que está aqui? Vá embora. É simples. Sou empresário, entendo um pouco dessas questões. Precisamos criar mecanismos para buscar recursos. Nunca tem dinheiro para o social, mas tem dinheiro para o mundo. Como tem dinheiro para roubar não sei quantos bilhões? E esse dinheiro, cadê? Há projetos em que você tem que trabalhar com a transversalidade das secretarias. Custa muito pouco perto do que falam. Uma escola com 10 salas de aula custa, hoje, em torno de R$ 3 milhões. Ela tem um custo anual de cerca de R$ 2 milhões, de  R$ 2,5 milhões. É questão de prioridade.  

Precisa ser resolvida a questão de uma possível aliança entre a federação do PV, PT e do PCdoB e o PSB. São duas candidaturas de uma frente progressista. Existe possibilidade de união delas?

Sou um pessimista esperançoso. Vimos em vários momentos da política que, de uma hora para a outra, você tem como acomodar o que é possível acomodar. Tenho esperança de a gente unir o campo para enfrentar o projeto de Ibaneis e Celina. Dizer que a governadora não sabia de nada do que estava acontecendo não faz sentido. Fica difícil tapar o sol com a peneira. Na última eleição, Leandro Grass não foi para o segundo turno por menos de 5 mil votos. Ele estava no PV, partido pequeno, com pouquíssimo recurso. Ele é muito preparado, e nós precisamos renovar o cenário. Precisamos ter um pouco de maturidade e deixar de lado questões pessoais para chegar a um consenso. Eu tenho esperança.

O PV indicou Dora Gomes como vice para Leandro Grass, mas o PSol indicou Tetê Monteiro. Como vão chegar a um consenso? 

Tetê é um grande quadro. Eu a admiro muito. O PSol é um partido que se coloca muito bem no ideário dele. No entanto, penso que Dora, como uma mulher preta, evangélica e empresária, consegue ampliar esse processo de caminhar mais para o centro-esquerda. Colocamos isso como uma possibilidade muito importante.

O PDT ainda não se posicionou. Avalia que eles vão fechar com vocês ou com o PSB?

Espero que seja com a gente. Tenho conversado muito com Leila do Vôlei (PDT). Não faz muito sentido ter, além de duas candidaturas do mesmo campo para governo, ter duas candidaturas do mesmo campo para Senado em chapas diferentes. Existe um movimento nacional para que, em todos os estados, a gente tenha só dois candidatos do mesmo campo. Vai ter um encontro dia 3 de agosto, em São Paulo, para anunciar esses candidatos do Senado para o Brasil inteiro.

Assista à entrevista

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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