INVESTIGAÇÃO NO DF

Ação contra produção de anabolizantes mira 45 suspeitos e bloqueia R$ 32 milhões

Esquema criminoso é desmantelado pela Polícia Civil do Distrito Federal. Além das prisões, itens de luxo foram apreendidos

Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes  -  (crédito: Divulgação/PCDF)
Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes - (crédito: Divulgação/PCDF)

Por Beatriz Mascarenhas e Luiz Francisco*

Quarenta e três pessoas foram presas pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf) por suspeita de envolvimento em uma organização criminosa que produzia anabolizantes de maneira clandestina e escoava o material para oito estados do Brasil. Segundo as apurações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), o grupo movimentava cerca de R$ 32 milhões.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Foram expedidos 45 mandados de prisão contra líderes, articuladores logísticos e intermediários financeiros da organização, além da determinação de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra 50 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, com caráter itinerante, de modo a viabilizar o cumprimento onde quer que os investigados fossem localizados.

O Judiciário também determinou o bloqueio de valores em contas bancárias e instituições financeiras vinculadas aos investigados e às pessoas jurídicas a eles relacionadas, em montante que soma mais R$ 32 milhões. Quanto ao patrimônio móvel, foi decretado o sequestro de 11 veículos de luxo de alto padrão, entre eles um modelo alemão de luxo elétrico, um automóvel esportivo, duas berlinas de marca premium europeia, duas caminhonetes de grande porte, um utilitário esportivo (SUV) e uma motocicleta de alta cilindrada, além de cláusula aberta que autoriza a apreensão imediata de outros bens móveis de valor relevante localizados durante o cumprimento das buscas. 

  • Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes
    Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes Divulgação/PCDF
  • Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes
    Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes Divulgação/PCDF
  • Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes
    Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes Divulgação/PCDF
  • Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes
    Operação Narciso, da PCDF, desarticula rede interestadual de fabricação e distribuição de anabolizantes Divulgação/PCDF

De acordo com a apuração policial da PCDF, o grupo produzia de forma caseira e precária substâncias hormonais, diuréticos e estimulantes, em residências e depósitos improvisados, sem qualquer controle de esterilidade, pureza ou segurança sanitária. Para dar aparência de legitimidade aos produtos, as embalagens e os rótulos traziam nomes em língua estrangeira e bandeiras de outros países, simulando importações de laboratórios inexistentes ou reproduzindo marcas já consolidadas no mercado.  

No Distrito Federal, estavam concentradas as bases de fabricação e estocagem, academias vinculadas à divulgação dos produtos e a gráfica utilizada na produção das embalagens. Em Goiás, as ações da polícia se voltaram ao recebimento de insumos em depósitos na divisa com o Distrito Federal, ao funcionamento de uma farmácia de manipulação envolvida no esquema e à movimentação financeira do grupo. 

Na Paraíba, na cidade de João Pessoa, os investigadores identificaram um laboratório filial operado a partir de uma mansão alugada e da residência de alto padrão à beira-mar de um dos líderes, que contava com apoio de familiares e de uma parceira local no recebimento de insumos importados por via postal.

No Paraná, as ações se concentraram em Foz do Iguaçu, de onde a fornecedora de fronteira e seu cônjuge coordenavam o fornecimento interestadual das substâncias. A rede se estendia ainda a cidades do Acre, como Rio Branco, e de Minas Gerais, como Uberlândia, municípios utilizados tanto para o escoamento contínuo dos produtos quanto para a localização de patrimônio dos investigados. 

Denominada de Operação Narciso, a investigação teve início a partir de provas obtidas em busca e apreensão realizada na residência de um dos investigados apontado como líder de um dos núcleos do esquema, cujo aparelho celular apreendido continha extenso histórico de mensagens que detalhava a estrutura criminosa em diferentes núcleos de atuação. 

  • Google Discover Icon
postado em 12/08/2026 10:40 / atualizado em 12/08/2026 10:52
x