
O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) Expedito Mendonça apresentou uma plataforma política centrada na estatização total de serviços estratégicos e na ruptura com o sistema financeiro. Com 65 anos, o servidor aposentado e dirigente sindical defendeu que a solução para a crise fiscal e social do Distrito Federal reside no "desconhecimento" da dívida pública nacional, a qual, segundo ele, consome 50% do orçamento do país em juros destinados a banqueiros.
"A primeira coisa que a gente deveria adotar aqui seria o seguinte: o desconhecimento da dívida pública impagável no país", defendeu o candidato do PCO. "Impagável, porque vejam: você nem está pagando o principal da dívida, você está amortizando parte dos juros que sempre estão crescendo, desses títulos da dívida que estão na mão dos banqueiros, e é isso que está estrangulando a economia nacional".
Leia a cobertura completa da sabatina
- Celina Leão: "Resolver problemas com responsabilidade"
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Samara Mineiro (UP): educação é uma das prioridades
- Leandro Grass (PT): "Desataremos o nó do Centrad"
- Robson Raymundo (PSTU): conselho gestor para orçamento
- Ricardo Cappelli (PSB): "Choque de ordem na gestão"
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
Mendonça propõe que esses recursos sejam redirecionados para garantir salários dignos e serviços públicos de qualidade sob o controle direto de conselhos populares formados por trabalhadores e usuários. A proposta econômica do candidato para o funcionalismo público prevê uma recomposição salarial imediata.
Mendonça argumentou que o orçamento atual é uma peça fora do controle popular. "É uma coisa verdadeiramente escabrosa e ridícula você ter a décima economia do mundo pagando um salário mínimo inferior, por exemplo, a países com nível de desenvolvimento muito inferior ao Brasil", ressaltou o postulante, que classificou o valor atual — R$ 1.621,00 — como insuficiente para o sustento de uma família composta por dois adultos e duas crianças.
Para financiar esse aumento, ele aponta a utilização da arrecadação local em bilhões de reais, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Brasília — considerado por ele um dos mais caros do país —, além dos recursos do Fundo Constitucional. Segundo o candidato, o aumento do poder de compra dos servidores aqueceria o comércio e geraria um retorno fiscal imediato para o Estado por meio do consumo.
No campo dos serviços públicos, Expedito defende a encampação pelo Estado de setores que hoje visam o lucro, como transporte, saúde e educação. No transporte, ele propõe a estatização para renovar a frota e baratear as passagens, citando o tempo de deslocamento de até duas horas enfrentado por moradores das cidades satélites em ônibus superlotados.
Na saúde, o candidato foi enfático ao declarar que extinguiria o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), classificando o modelo de gestão como um "fracasso" que não resolveu a precariedade do sistema, defendendo o retorno ao controle estatal direto com fiscalização popular.
"Esse modelo de gestão não respondeu. Eu não vejo outra forma de você garantir um serviço de qualidade para a população se você não estatizar o serviço e colocá-lo sob o controle dos próprios usuários, dos próprios trabalhadores, da própria população", afirmou Mendonça. Ele também propõe a reestatização da Companhia Energética de Brasília (CEB), afirmando que o Brasil paga uma das contas de luz mais altas do mundo, enquanto diversas regiões de Brasília sofrem com escuridão constante.

Cidades DF
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