
Com cartazes e blusas brancas, familiares e amigos deram adeus a Willian César Pinto Júnior, 48 anos, morto durante uma intervenção policial no Gama. Em meio às lágrimas, parentes clamavam por Justiça e por um posicionamento das autoridades.
O velório ocorreu na tarde desta sexta-feira (21/8), no Cemitério do Gama. A cerimônia fúnebre começou às 15h e terminou às 17h30, com o sepultamento.
Isabela César, 30, uma das sobrinhas de Wilian, demonstrou revolta com os trâmites burocráticos para ter acesso à ocorrência do caso. Segundo ela, o pedido foi feito pessoalmente, na Corregedoria da PCDF, com uma advogada, irmã de Willian. “Nos perguntaram a motivação e falamos que gostaríamos de levar o caso ao Ministério Público para conduzir a investigação. Só nos passaram no fim, porque a ocorrência continha bastante inconsistências. Há muitos depoimentos contraditórios, que não condizem com os fatos”, criticou.
O caso
Willian era terceirizado do Grupo Ágil e, havia mais de 20 anos, prestava serviços à Residência Oficial da Presidência do Senado, cumprindo escala 12x36 — na prática, trabalhava um dia e folgava o seguinte. Na quarta-feira, saiu de casa pouco depois das 5h40 em um Gol preto, na Quadra 8 do Setor Oeste do Gama. Deveria chegar ao trabalho às 7h.
Em entrevista concedida ao Correio, familiares afirmaram que Willian notou uma movimentação incomum na rua e, com medo, resolveu seguir por outra rua. Na esquina, narram os parentes, foi abordado por policiais civis em uma viatura descaracterizada. No relatório médico, consta um pequeno depoimento prestado pelo vigilante antes de morrer. Nas palavras dele, os agentes o mandaram descer do veículo e, sem seguida, atiraram. O tiro atingiu as costas. Uma testemunha contou que, ferido ao chão, os policiais chamaram Willian de vagabundo e o algemaram.
O caso é investigado pela Corregedoria da PCDF. Em nota, a corporação esclareceu que, após os fatos, os policiais envolvidos apresentaram-se à delegacia da área para o registro da ocorrência e adoção das providências legais. “A PCDF lamenta o desfecho da ocorrência e informa que o caso foi encaminhado à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pela apuração das circunstâncias da intervenção.”

Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF
Cidades DF