CB.PODER

GDF aposta em prevenção nas escolas e grupos de reflexão para homens

Ao CB.Poder, secretária da Mulher, Jackeline Aguiar, defendeu a mudança cultural na infância e o trabalho psicossocial com agressores para desarticular a violência de gênero no DF

A secretária da Mulher detalhou a expansão dos serviços de acolhimento e o combate à misoginia na capital -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A secretária da Mulher detalhou a expansão dos serviços de acolhimento e o combate à misoginia na capital - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A prevenção primária nas escolas e o trabalho psicossocial com agressores constituem pilares fundamentais da estratégia do Governo do Distrito Federal (GDF) para desarticular o ciclo de violência contra as mulheres. Em entrevista ao CB.Poder desta segunda-feira (24/8) — uma parceria do Correio com a TV Brasília —, a secretária da Mulher do DF, Jackeline Aguiar, afirmou que o enfrentamento efetivo ao problema exige ir além do acolhimento às vítimas, atuando diretamente na conscientização dos homens e na formação de crianças e adolescentes.

A declaração, feita para as jornalistas Mariana Niederauer e Sibele Negromonte, ocorre em meio à repercussão de casos de violência extrema, como o recente sequestro e estupro de uma mulher por seu ex-marido em Águas Lindas, em Goiás, como destacado pela bancada de jornalistas.

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"Não é só aquela que viveu a violência, mas todas nós acabamos sofrendo muito com esses casos que trazem tanta crueldade, tanto ódio do homem pelas mulheres", lamentou Jackeline Aguiar.

A secretária explicou que a pasta tem como foco principal conscientizar as mulheres sobre seus direitos e apresentar a rede de serviços do GDF para romper o ciclo de violência. Ela ressaltou que esse trabalho inclui a atuação direta com a população masculina por meio de grupos reflexivos voltados a debater o machismo e o estado patriarcal, buscando trazer mais esperança e segurança para as mulheres.

Sob a premissa de que os homens são os autores das agressões e dos crimes de feminicídio, Jackeline destacou que a Secretaria da Mulher reestruturou sua atuação para incluí-los ativamente nas ações de conscientização. Desde o início da gestão, em 2023, a pasta instituiu a Assessoria de Políticas Públicas para Homens, focada em estimular a reflexão sobre o machismo e o sistema patriarcal.

O principal braço operacional dessa política é o Espaço Acolher, um dos raros equipamentos públicos do Brasil voltados ao atendimento reflexivo de homens em toda a extensão do DF. Embora atenda majoritariamente homens que já respondem a processos judiciais, a estrutura funciona de portas abertas para qualquer homem que deseje buscar ajuda voluntária, repensar comportamentos agressivos e compreender seu papel social. "Nesses casos, era muito importante que a gente tivesse um trabalho muito consolidado e muito fortalecido", justificou a secretária.

Para evitar que o ciclo de violência sequer se inicie e afastar a sensação de apenas “enxugar gelo”, Jackeline afirmou que a secretaria aposta fortemente na educação de base nas escolas. Servidora de carreira da Secretaria de Educação, a secretária da Mulher defende que a comunidade escolar e os professores desempenhem papel indispensável na mudança cultural de longo prazo.

"Se a gente conseguir desde pequenininho fazer com que as crianças e os nossos adolescentes entendam que mulher não é objeto, que mulher não deve ser subjugada, que as mulheres merecem respeito e têm direitos como qualquer outra pessoa na sociedade, aí sim, a gente vai conseguir trabalhar a violência de gênero no âmbito do DF", sustentou Jackeline.

Para instrumentar essa abordagem, foi lançado recentemente um caderno temático só para a mulher. O material de apoio pedagógico oferece sugestões de atividades práticas e diretrizes pedagógicas para que os docentes trabalhem conceitos de igualdade de gênero, respeito mútuo e direitos das mulheres diretamente nas salas de aula. A meta é ensinar a crianças e adolescentes que as mulheres não devem ser subjugadas ou tratadas como objetos, combatendo a violência antes mesmo que ela possa se iniciar.

A secretária reforçou que episódios de violência extrema geram um sofrimento coletivo que atinge todas as mulheres, evidenciando o ódio de gênero e a misoginia. Diante disso, o principal papel institucional da Secretaria da Mulher continua sendo a ampla conscientização do público feminino sobre seus direitos e a divulgação ativa de todos os serviços de acolhimento oferecidos pelo GDF.

Assista à entrevista completa:

 

 

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postado em 24/08/2026 14:56
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