
O candidato ao Senado pelo PSDB, Guto Felício dos Santos, afirmou que as principais bandeiras de sua campanha são a ética e o desenvolvimento, em entrevista ao Podcast do Correio. Aos jornalistas Ana Maria Campos e Ronayre Nunes, ele detalhou o impacto da relação com o ex-presidente Juscelino Kubitschek na sua forma de ver política e nos seus projetos para a capital.
Guto contou ter tido o "prazer do convívio" com JK durante sua infância e juventude, em Brasília. Os dois eram primos e um episódio marcante foi quando os amigos do pai de Guto levaram o ex-presidente até a casa da família do candidato, na Asa Sul. Ao abrir a janela e ver a capital consolidada, JK se emocionou. "Ele acreditava em Brasília. Pensava no futuro, não só no presente. Precisamos mais disso no Brasil e deixar de lado esse dualismo raso que estamos vivendo. Política é feita de projetos, não de nome", disse o economista.
Guto se mudou de Belo Horizonte para Brasília com a família em 18 de abril de 1960, três dias antes da inauguração. À época, ele tinha três meses, motivo pelo qual se descreve como um "autêntico candango". Quando seu pai, o advogado e político Carlos Murilo Felício dos Santos, foi cassado pelo AI-5, a família voltou para a capital mineira. Ao voltar do exílio, JK criou um banco de investimento com seus genros e colocou Carlos Murilo no cargo de diretor e, em 1974, a família retornou a Brasília. Desde então, Guto vive aqui. "Chegou a hora da Geração Brasília", enfatizou.
Propostas
Guto defende a proposta da candidata ao Governo do Distrito Federal pelo PSDB, Paula Belmonte, de unificar os sistemas de saúde existentes para torná-los mais eficientes. "A capital do país não pode ter esse sistema de saúde precário que temos hoje", enfatizou.
Para o postulante a ocupar uma cadeira no Senado, muitas pessoas estavam na Praça dos Três Poderes no 8 de Janeiro apenas para protestar, mas acredita que, na cúpula, os envolvidos realmente pensaram na realização de um golpe de Estado. Ele apoia a dosimetria das penas: "Uma pessoa que escreveu na estátua com um um batom ficar 14 anos presa é ridículo".
Guto afirmou, ainda, que, caso seja eleito, será um "defensor intransigente" do Fundo Constitucional e do tombamento de Brasília. Para ele, não é possível permitir que a especulação imobiliária acabe com o patrimônio tombado.
O economista lamentou a situação atual do Banco de Brasília (BRB). Segundo ele, é necessário recuperar a instituição, uma vez que ela é a "grande fomentadora do desenvolvimento do DF". Para que o banco cumpra sua função, seria preciso parar de patrocinar times de futebol e investir nas pequenas e médias empresas. "O varejo no Brasil não consegue sobreviver mais com a quantidade de imposto na cabeça deles", complementou.
Guto acredita que a vocação de Brasília é voltada à tecnologia. Ele apontou seu desejo — e de Paula Belmonte — de transformar a capital em uma espécie de Vale do Silício, o polo de inovação e tecnologia dos Estados Unidos. A proposta é ter ações de desenvolvimento econômico em todas as administrações regionais. Dessa forma, entre outras vantagens, seria possível manter a população empregada nesses locais
De acordo com o candidato, Brasília também tem potencial para o turismo. Ele avaliou que, em todo o Brasil, faltam investimentos para essa atividade econômica. Apesar das belezas naturais e históricas, o país carece de transporte e tem muitas habitações precárias.
*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti

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