Ao responder à pergunta de um morador de Samambaia Sul, sobre os gargalos gerados pelo crescimento populacional e pela falta de infraestrutura viária, o candidato Leandro Grass (PT) criticou duramente o atual sistema de mobilidade do Distrito Federal. Classificando o modelo do DF como "um dos piores do mundo", o postulante defendeu a migração de investimentos rodoviários para o transporte sobre trilhos, a criação de linhas circulares dentro das Regiões Administrativas e a implementação do programa de Tarifa Zero.
Grass abriu sua fala alinhando-se à frustração do eleitor quanto ao tempo perdido no trânsito e questionando a política tradicional de asfaltamento de vias. "Sua preocupação é a preocupação de todo o povo do DF, que hoje fica na fila do trânsito, perde horas e horas do seu dia a dia. É tempo de espera dentro do ônibus, às vezes o metrô sai do trilho, fica parado. Hoje o DF é um dos piores sistemas de transporte do mundo. Como em toda capital de diversos países, geralmente a gente encontra a melhor forma, o melhor modelo de mobilidade urbana, aqui no DF é o contrário. Então vamos às nossas propostas."
Para fundamentar as mudanças estruturais, o candidato argumentou contra a expansão desenfreada de pistas e defendeu uma nova concessão de linhas de ônibus associada à expansão da malha metroferroviária. "Primeira coisa que a gente tem que fazer é uma nova licitação dos ônibus. Por quê? Porque hoje o modelo que está posto, o modelo que existe, ele não atende mais à nova realidade do DF. Tem lugares que não têm linha de ônibus, as pessoas têm que andar muito até a avenida principal para pegar o ônibus. Brasília ainda está presa às rodovias. Quando eu ouço o pessoal falar que vai construir mais pista aqui, isso aqui e o outro, eu fico pensando: é isso que a gente precisa? Porque não adianta alargarmos a pista e daqui a pouco engarrafar de novo. A gente tem que colocar Brasília nos trilhos."
O candidato também enfatizou o papel dos recursos federais nas obras do metrô e propôs novos modais para integrar a capital às cidades do Entorno. "O presidente Lula, através do Novo PAC e do financiamento do BNDES, está ampliando o metrô de Samambaia — são duas novas estações. O GDF até tirou a placa lá do governo federal esses dias que eu fui lá ver, mas é investimento federal. Aqui em Brasília a gente pode ter mais estações de metrô, a gente pode ter um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) conectando as principais vias... tem alguns projetos prontos, outros vão ser feitos. A gente pode ter os trilhos conectando Luziânia, Valparaíso até a Rodoferroviária. É um transporte mais rápido, mais limpo e mais ágil. E pode ser também uma forma de a gente devolver tempo para as pessoas."
Ao tratar do deslocamento interno nas Regiões Administrativas, Leandro Grass alertou para os riscos de segurança enfrentados pelos passageiros — sobretudo mulheres — e defendeu transporte capilarizado para ligar as avenidas às quadras residenciais. "Hoje, quem mora no Arapoanga, onde lá prometeram o tal do BRT Norte que não saiu do papel, as pessoas estão gastando em média duas horas por dia para chegar ao Plano Piloto. E mais: a gente precisa de transporte conectando as áreas internas das regiões. Desceu na Hélio Prates, tem que ter um transporte conectando com as quadras próximas. Desceu lá na via principal do Paranoá, tem que ter um transporte conectando com as quadras, porque hoje as mulheres principalmente têm medo de andar na rua para pegar o ônibus de madrugada ou à noite. Entra, chega numa parada de ônibus e vê quantas mulheres estão lá esperando o ônibus para o trabalho acompanhadas do seu marido, do seu irmão, do seu filho, porque têm medo"
