A candidata da Unidade Popular (UP), Samara Mineiro, é formada em Geografia pela Universidade de Brasília (UnB) e atua como professora da rede pública de ensino. Um dos primeiros questionamentos feitos pelos jornalistas na sabatina do Correio foi sobre os planos para a educação do Distrito Federal. Segundo a candidata, a experiência como professora da Secretaria de Educação permite que ela conheça de perto os problemas enfrentados pela rede. Entre as principais medidas defendidas por Samara está a nomeação dos professores aprovados no último concurso público.
Leia a cobertura completa da sabatina
- Celina Leão: "Resolver problemas com responsabilidade"
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Leandro Grass (PT): "Desataremos o nó do Centrad"
- Robson Raymundo (PSTU): conselho gestor para orçamento
- Ricardo Cappelli (PSB): "Choque de ordem na gestão"
- Elisson Ferreira (Agir): governança com transparência
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
"Hoje, o que a gente tem, na realidade do Distrito Federal, são escolas em que faltam professores efetivos. Temos uma ampla quantidade de professores temporários. Portanto, é fundamental que a gente nomeie todos os 3 mil aprovados no último concurso", afirmou.
Para ela, no entanto, a convocação não seria suficiente para suprir a demanda da rede. Por isso, defende a realização de um novo concurso público. A candidata citou a sobrecarga dos profissionais da educação e o número elevado de estudantes por sala como fatores que prejudicam a qualidade do ensino.
"É fundamental que, além de contratar professores, a gente contrate psicólogos, orientadores educacionais e todos os outros profissionais necessários para que a gente consiga implementar uma educação, de fato, integral em Brasília", disse.
Samara criticou o modelo de educação integral adotado atualmente. Segundo ela, a ampliação da carga horária dos estudantes não foi acompanhada da estrutura necessária para garantir uma formação integral. "A educação integral que temos hoje no Distrito Federal não funciona. Amplia-se a carga horária dos estudantes, mas não são dadas às escolas as condições necessárias para que se faça, de fato, uma educação integral", afirmou.
Na área de qualificação profissional dos jovens, Samara defendeu a ampliação da formação técnica e do ensino superior público. De acordo com ela, é necessário expandir os institutos de formação técnica, a Universidade do Distrito Federal (UDF), a Universidade de Brasília (UnB), em parceria com o governo federal, e os institutos federais. Ela defendeu políticas de permanência, como moradia estudantil e bolsas, para evitar a evasão universitária.
"Hoje, esses jovens têm muita dificuldade de permanecer na universidade. Então, a gente precisa pensar em políticas de moradia estudantil, de permanência e de bolsa-permanência, para que consigam se formar", afirmou.
Violência contra a mulher
Outra prioridade apresentada por Samara é o enfrentamento à violência contra a mulher e a promoção da igualdade de gênero. Entre as propostas está a ampliação das casas de referência, casas-abrigo e outros espaços de acolhimento para mulheres em situação de violência doméstica, com equipes multidisciplinares.
A candidata relacionou a política habitacional ao enfrentamento da violência doméstica e defendeu uma política de moradia que garanta acesso à casa própria para mulheres chefes de família. "Uma política de moradia eficiente que garanta casa para todas as mulheres chefes de família é uma política de enfrentamento à violência contra a mulher", disse. Samara defendeu a ampliação do emprego e do salário como medidas de proteção às mulheres. Também propôs o fortalecimento das políticas de segurança para impedir que agressores denunciados tenham acesso às vítimas.
Sobre a criação de uma Secretaria da Mulher, Samara afirmou que a medida poderá ser adotada caso o órgão tenha uma atuação ampla e articulada com outras políticas públicas. Ela ressaltou, porém, que as políticas voltadas às mulheres não devem ficar restritas a uma única secretaria.
Além da educação, a saúde também será uma prioridade de Samara caso seja eleita. Diante do orçamento limitado do DF, a candidata defendeu a revisão da distribuição dos recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF), com maior destinação para saúde e educação. Segundo ela, parte dos recursos estaria sendo direcionada ao setor privado.
Na saúde, Samara criticou o modelo de gestão do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) e defendeu o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com maior transparência na aplicação dos recursos. "O dinheiro que vai para o Iges existe, só que ele precisa voltar para a parte pública, para a gente fortalecer o SUS público e com transparência nas contas", afirmou.
A candidata propôs reduzir a concentração de recursos do FCDFl na segurança e ampliar os repasses para saúde e educação. Na segurança pública, Samara criticou o que classificou como uma política excessivamente militarizada e defendeu a adoção do modelo de polícia de ciclo completo e maior investimento em inteligência.
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