
Uma ação realizada na Universidade de Brasília (UnB) na segunda-feira (10/8) chamou a atenção para uma condição que costuma ser associada apenas à facilidade de aprendizado e ao alto desempenho: a superdotação. A chamada Blitz do Autismo abordou motoristas que passavam pelo posto da Polícia Militar na universidade para divulgar informações sobre altas habilidades e os desafios enfrentados por pessoas superdotadas.
A iniciativa foi promovida pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário e do MPU no Distrito Federal (Sindjus), em parceria com o Movimento do Orgulho Autista Brasil (Moab Brasil) e forças de segurança. A ação antecede o Dia da Conscientização sobre Altas Habilidades, celebrado em 15 de agosto.
Durante a blitz, foram distribuídas cartilhas com informações sobre como identificar características de altas habilidades e sobre a importância de inclusão em ambientes como escolas e locais de trabalho.
Um dos participantes foi o agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Paulo Rocha, que recebeu o diagnóstico de altas habilidades já na fase adulta. Segundo ele, a superdotação pode envolver dificuldades que passam despercebidas justamente por causa da associação da condição a uma suposta facilidade em todas as áreas da vida.
“As pessoas que têm altas habilidades convivem com muita cobrança, perfeccionismo e dificuldade de entender o ritmo das outras pessoas”, afirmou.
Entre as características que podem estar presentes estão hipersensibilidade, hiperfoco e necessidade de estímulos intelectuais. As manifestações, no entanto, variam de uma pessoa para outra.
Para Daniela Mendes, diretora do Sindjus e mãe de uma pessoa com altas habilidades, a falta de informação contribui para que esses desafios sejam ignorados.
“Não são só vantagens. Pessoas com altas habilidades enfrentam situações que são parecidas com as vivenciadas por pessoas com TEA. Hipersensibilidade, hiperfoco e outros desafios fazem parte dessa realidade”, disse.
Diagnóstico
A identificação de pessoas com superdotação ainda é considerada baixa no país. Segundo dados apresentados pelos organizadores da ação, mais de 7 mil pessoas já foram oficialmente identificadas por meio de testes, enquanto estimativas estatísticas apontam que o número pode ultrapassar 4 milhões.
A diferença entre os números está relacionada, entre outros fatores, à falta de identificação e à baixa realização de avaliações formais, especialmente durante a infância e a vida escolar.
O presidente de honra do Moab Brasil e inspetor da PRF, Fernando Cotta defendeu a ampliação do debate sobre o assunto. “Precisamos incluir essas pessoas e desmistificar muitos estigmas”, afirmou.

Cidades DF
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