O candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli (PSB) defendeu a criação de um aplicativo próprio do DF para motoristas de transporte por aplicativo e afirmou que pretende estabelecer como meta de governo reduzir para, no máximo, uma hora o tempo de deslocamento entre a casa e o trabalho. Segundo ele, as propostas foram formuladas a partir de uma experiência direta com usuários e trabalhadores do sistema de transporte. “Eu estou andando há um ano e meio de ônibus. Meu especialista em transporte do Distrito Federal é o meu cartão de ônibus”, afirmou.
Cappelli disse ter acompanhado a rotina de motoristas de aplicativo e entregadores para conhecer as condições de trabalho da categoria. Segundo o candidato, cerca de 40 mil pessoas vivem atualmente como motoristas de aplicativo no DF.
“Eu passei três dias dirigindo como motorista de aplicativo. Em um dia, fiz o que eles chamam de ‘virote’, virei a madrugada dirigindo para compreender a situação. Também fui trabalhando com o iFood na garupa para compreender como é que eles trabalham”, relatou.
Na avaliação dele, as plataformas retiram uma parcela excessiva do valor das corridas. “Eu vejo uma exploração absurda. Esses aplicativos ficam com 30%, 40%, até 70% da corrida. O carro é do motorista, a manutenção é do motorista, a gasolina é do motorista, o seguro e o trabalho são do motorista”, criticou.
Como alternativa, Cappelli afirmou que pretende criar um aplicativo administrado por cooperativas de motoristas, com apoio do governo na divulgação e publicidade institucional. “A gente vai criar um aplicativo próprio do Distrito Federal, um aplicativo para as cooperativas de motoristas administradas por eles”, disse.
O candidato citou experiências de outras cidades como exemplo de que o modelo seria possível. “Araraquara, por exemplo, tem um aplicativo próprio que cobra 7% da corrida, administrado pela cooperativa de motoristas. Dá para fazer? Dá para fazer. É fácil? Não”, afirmou.
Para Cappelli, a proposta segue uma lógica de inovação que, segundo ele, deveria orientar o Distrito Federal. “Essa cidade nasceu para ser exemplo, para inspirar, para liderar o Brasil. E, na questão dos aplicativos, a gente vai criar o Bora DF”, declarou.
Transporte público
Na área de transporte público, Cappelli afirmou que o principal problema do DF não está no preço das passagens ou na qualidade média dos ônibus, mas no tempo gasto pelos passageiros para chegar ao trabalho. O candidato apresentou o programa “No Máximo Uma Hora”, que estabelece como meta limitar a uma hora o deslocamento entre a residência e o trabalho. “A gente não tem distâncias no Distrito Federal que justifiquem uma pessoa passar duas horas, duas horas e meia para chegar ao trabalho”, afirmou.
Como exemplo, relatou o caso de uma jovem de Brazlândia que, segundo ele, deixou o emprego porque passava cinco horas por dia no transporte público. “Ela me falou: ‘Eu não estava aguentando mais. Eu estava levando cinco horas por dia no transporte. Eu me cansava mais no transporte do que no trabalho’. E pediu demissão. Não é possível”, contou.
Para reduzir os tempos de viagem, o candidato defendeu a ampliação dos ônibus expressos, do BRT e das faixas exclusivas, além da reorganização das linhas alimentadoras. “Você tem que ter um sistema de alimentação eficiente dentro das cidades, alimentando o terminal. Você alimenta o terminal e, do terminal, tira o ônibus expresso”, explicou.
Cappelli também defendeu a retomada da expansão do metrô para regiões como Gama, Santa Maria e Asa Norte. “Qual é a justificativa para não ter metrô até hoje para o Gama, para Santa Maria e para a Asa Norte?”, questionou.
Como forma de garantir que a equipe responsável pela área conheça a realidade dos passageiros, Cappelli afirmou que o eventual secretário de Transporte de seu governo também utilizará o transporte público. “Meu secretário de Transporte não vai andar de carro preto com motorista no banco de trás. Quem quiser ser meu secretário de Transporte vai andar de ônibus”, declarou. O candidato rejeitou ainda as críticas de que sua utilização frequente do transporte coletivo seria uma estratégia eleitoral. “Andar de ônibus, para mim, nunca foi novidade. Se a gente quer governar, tem que viver a realidade”, afirmou.
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