A governadora Celina Leão (PP), líder nas pesquisas de intenção de voto foi alvo de críticas dos adversários durante sabatina do Correio Braziliense, realizada ao longo de toda a terça-feira (11/8), um evento promovido em parceria com o Sindiatacadista e a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do DF (Ademi-DF).
Leia a cobertura completa da sabatina
- José Roberto Arruda (PSD): "Volto para resgatar Brasília"
- Samara Mineiro (UP): educação é uma das prioridades
- Leandro Grass (PT): "Desataremos o nó do Centrad"
- Robson Raymundo (PSTU): conselho gestor para orçamento
- Ricardo Cappelli (PSB): "Choque de ordem na gestão"
- Elisson Ferreira (Agir): governança com transparência
- Paula Belmonte (PSDB): "Por um governo participativo"
- Expedito Mendonça (PCO): estatizações e ruptura com o sistema
- Rico Pinheiro (PRTB): "O transporte público precisa de solução"
- Kiko Caputo (Novo): "Privatização não é um tabu"
Todos os 11 candidatos e candidatas que tiveram o nome aprovado em convenção participaram da sabatina. Além de Celina, foram entrevistados por jornalistas do Correio: Expedito Mendonça (PCO), Rico Pinheiro (PRTB), Samara Mineiro (UP), José Roberto Arruda (PSD), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB), Elisson Ferreira (Agir), Robson Raymundo (PSTU), Ricardo Cappelli (PSB) e Kiko Caputo (Novo).
O evento, realizado no auditório do Correio, com transmissão pelas redes sociais, teve a mediação das colunistas Ana Maria Campos — editora da Eixo Capital e do caderno Direito&Justiça —, Denise Rothenburg, da Brasília-DF; dos editores Carmen de Souza, de Opinião, Carlos Alexandre de Souza, de Política, Economia e Brasil, e Mariana Niederauer, do site, e da jornalista Mila Ferreira.
A sabatina começou às 7h e foi concluída às 18h. Cada candidato foi sabatinado durante uma hora sobre propostas para os problemas do Distrito Federal e soluções a serem aplicadas em caso de vitória nas urnas, em quatro de outubro.
"Cuidar da saúde na atenção básica"
Aos jornalistas do Correio, Celina Leão (PP) destacou as políticas públicas em andamento no seu governo e deixou claro que trabalha para incrementá-las. Celina fez questão de ressaltar que o governo dela é diferente do governo do antecessor, de quem foi vice, Ibaneis Rocha (MDB). Ela destacou avanços do governo Ibaneis, mas também fez críticas à gestão do emedebista.
"O governo anterior falhou, deixou o descontrole acontecer (nas contas públicas). É importante a gente reconhecer os avanços, que foram vários, mas isso não me impede de criticar. Os dois grandes erros que herdei foram a questão da compra do Banco Master (pelo BRB) e do (deficit no) orçamento. Eu herdei e estou resolvendo", afirmou a candidata.
Ela lembrou das ações que vem realizando para cortar gastos e reequilibrar as contas públicas. "Baixei quatro decretos, cortando 25% dos contratos. Vamos ocupar o Centro Administrativo do Distrito Federal agora", disse. Celina ressaltou que, em até uma semana, vai mudar o gabinete do Palácio do Buriti para o antigo Centrad. "A responsabilidade caiu no meu colo e eu vou resolver, com muita responsabilidade e com muita humildade", afirmou Celina.
Apesar das críticas, a governadora fez questão de ressaltar os avanços conquistados pela gestão de Ibaneis. "Filas de creches foram zeradas, aconteceram muitas obras, a infraestrutura avançou muito, há 16 cartões sociais no governo, não podemos deixar de reconhecer", enumerou.
Quanto ao desgaste sofrido por Ibaneis por conta da crise do BRB e do deficit orçamentário, Celina acredita que a população entendeu que há uma separação entre a gestão dela e a de Ibaneis. "As pesquisas do Correio mostram que tive um crescimento muito grande. Tenho quatro mandatos aqui, tenho vontade de resolver problemas e muita responsabilidade. Não tive participação nenhuma na situação do Banco Master, que envolve todas as legendas partidárias, mas o meu nome não está lá. Não está no telefone do Vorcaro e não houve nenhuma citação (do meu nome)", destacou.
"Como vice-governadora, a gente dá palpite, fala sobre políticas públicas que acha importante, como sempre fiz, mas decisões a nível de comprar banco, são do governador", garantiu. "Eu tinha uma dificuldade muito grande com o Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB). Acho feia a palavra inimigo, mas eu não tinha relacionamento nenhum com ele, ele sabia que seria trocado no meu governo. Tanto que ele chegou a mandar para o Ibaneis um projeto de lei para que ele tivesse um mandato de quatro anos à frente do banco, porque ele sabia que eu iria tirá-lo", completou.
Recuperação do BRB
Sobre o Banco de Brasília (BRB), Celina aproveitou para ressaltar a importância de o banco não ser liquidado. "A aposentadoria dos servidores públicos está lá dentro, uma liquidação do banco traria consequências para eles. Temos os serviços sociais, temos 6 mil trabalhadores lá dentro, 10 milhões de correntistas e cinco tribunais de justiça", destacou.
"O problema vai ser resolvido com tranquilidade e com diálogo com o governo federal, com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), com os bancos N1, com a Caixa. Temos que ter maturidade para isso. Quanto ao balanço, estamos discutindo junto ao FGC e vamos tratar na quinta-feira", afirmou.
Internação involuntária
Ao ser questionada sobre as pessoas em situação de rua no DF, Celina afirmou que a população tem agradecido pela lei que determina a internação involuntária humanizada destas pessoas quando estiverem representando perigo para si ou para os outros. "Estou tratando deste tema desde o meu primeiro dia de mandato. Fui supercriticada por um nicho muito específico da esquerda, mas a população em si me aplaudiu. A lei foi regulamentada há duas semanas", acrescentou.
"Hoje tenho todos os pontos do DF monitorados, temos pessoas em situação de rua em mais de 500 pontos. Estamos desmobilizando aqueles locais, fazendo atendimentos e encaminhamentos", acrescentou Celina. A governadora disse que foram desmobilizados dois grandes pontos na Asa Norte. "Foram oferecidos abrigos e acolhimento. Vou devolver Brasília aos brasilienses e acolher as pessoas em situação de rua", frisou Celina.
Ficha limpa
Perguntada sobre o possível excesso de cargos comissionados na vice-governadoria do DF, tema levantado pelos adversários da atual governadora, Celina negou e criticou o fato dos outros candidatos focarem suas falas em críticas a ela. "Sobre os cargos, é uma inverdade. Na vice-governadoria, há duas secretarias, a da Juventude e a da Família", afirmou.
Durante a sabatina, o candidato José Roberto Arruda (PSD) comparou a situação jurídica dele com a de Celina, mas a governadora rebateu. "O Arruda tenta se livrar do passado se comparando com as pessoas, mas é um absurdo ele se comparar comigo. A vida dele foi mentir e pedir perdão para a população de Brasília, tentando retornar", criticou. "Ele foi preso, ele não pode se comparar com uma pessoa que é ficha limpa, como eu. Eu nunca tive uma condenação, ele teve condenação em primeira e segunda instâncias. Ele está inelegível há 16 anos, eu nunca fui impedida de me candidatar", enfatizou.
Foco na saúde
Sobre a gestão da Saúde no Distrito Federal, Celina disse que o foco dela nesta gestão foi contratar médicos para a atenção básica. "Cancelei o aniversário de Brasília para contratar 114 médicos para a atenção básica, porque na minha opinião, preciso começar a cuidar da saúde lá na atenção básica. Minha missão número um foi colocar as equipes completas lá. Com a atenção básica funcionando, há um impacto de menos 50% nos hospitais", afirmou.
"O problema da saúde é muito mais profundo. Os problemas maiores são falta de médico e defasagem de salário. Quando assumi, tinham vedações eleitorais e eu não pude aumentar salários e, se não houver um salário atrativo, os médicos não vêm para a rede pública", comentou. "Assim que passar a vedação salarial (no período eleitoral), a gente vai realizar esse reajuste", prometeu.
Celina destacou a importância de uma rede integrada na saúde. "Hoje o serviço público de saúde não está integrado por falta de sistema. Estamos em processo licitatório desse sistema de gestão que vai gerar um prontuário único. Isso está em curso. Além disso, preciso contratar mais profissionais de saúde, como enfermeiros e técnicos", garantiu.
Novo secretário
Sobre a última colocação do DF no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Celina disse que o índice tem várias matemáticas, inclusive a reprovação. "Diferentemente de outros estados, aqui, nós reprovamos alunos que não têm média. Não quero justificar. A aprendizagem deve ser mais valorizada", disse ela, lembrando que contratou Thiago Peixoto, ex-secretário de Educação de Florianópolis, que teve o primeiro lugar no Ideb, para gerir a pasta no DF.
"A educação é o caminho para uma sociedade melhor. Temos os melhores profissionais do Brasil. Crescemos na parte de estrutura, construímos quase 30 Cepis (Centros de Educação da Primeira Infância), zeramos a fila de creches", ressaltou. "Queremos melhorar o salário dos professores, cuidar deles. Vamos trocar os contratos temporários dos professores", completou. Celina afirmou, inclusive, que vai manter as escolas cívico-militares.
Expansão do metrô
Ao ser perguntada sobre mobilidade, Celina destacou que está trabalhando para a expansão do metrô. "É uma área estratégica. Licitamos 15 trens do metrô, está aberta a licitação. Licitamos também o sistema de informação de energia. Duas expansões do metrô estão licitadas, a do Setor O e da Samambaia. Estão licitadas e têm recursos. Temos também um estudo de viabilidade técnica para o metrô de Santa Maria em andamento. Além disso, temos quase pronto o estudo do VLT que passa pela Hélio Prates", contou. "Precisamos diminuir o tempo de viagem e carregar mais gente", acrescentou.
Ao falar sobre as ações de combate à violência, a governadora destacou o programa DF 360 graus. "Temos cercamento digital no DF inteiro. Consigo cumprir mandados de prisão em aberto com esse monitoramento. Aumentamos muito as abordagens por conta desse programa, estamos elucidando crimes mais rápido", relatou.
Saiba Mais
