ELEIÇÕES 2026

Correio promove debate entre candidatos ao GDF em 1º de setembro

Com um número expressivo de indecisos, conforme aponta pesquisa Correio/Opinião, especialistas comentam a importância de debates e sabatinas para que os eleitores conheçam as propostas dos candidatos

Depois de ter promovido sabatina com os candidatos ao governo do Distrito Federal, o Correio realiza, em  1º de setembro, o tradicional debate, onde os postulantes ao Palácio do Buriti discutirão suas propostas e apresentarão seus planos ao eleitorado brasiliense. Será um momento importante, porque o cenário mostra-se indefinido para parte do eleitorado. Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política sobre o pleito de 2026 no DF aponta que 11,5% dos entrevistados (259,1 mil eleitores) ainda não escolheram em quem votarão. Isso na pesquisa estimulada. Na espontânea, o número sobe para 49% (1,25 milhão eleitores).

Segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF), o DF tem 2,56 milhões pessoas aptas a votar. Especialistas ouvidos pela reportagem reforçam que esse contingente expressivo reflete um eleitorado que aguarda o afunilamento do processo eleitoral para tomar sua decisão.

O presidente da Comissão de Direito Eleitoral da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF), Miguel Dunshee de Abranches, enfatiza que essa fatia de indecisos demonstra que a disputa continua aberta na capital do país.

"A existência desse percentual mostra que muita gente ainda não decidiu nem se definiu por nenhuma das candidaturas postas, sendo natural que esse número oscile conforme a eleição se aproxima, como diz o próprio jargão político: a eleição é decidida no próprio dia da votação", afirma Dunshee.

Nesse contexto de indefinição, a transmissão de eventos que mostrem as ideias dos candidatos na televisão e na internet assume um papel fundamental para a consolidação dos votos na reta final do primeiro turno. O presidente da comissão ressalta a relevância democrática das sabatinas e, especialmente, dos debates entre os postulantes ao governo para a construção da posição de quem ainda não escolheu seu candidato.

Valdo Virgo - Pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política

"O debate é de extrema importância para a convicção do eleitor. É o momento em que ele faz um juízo crítico a respeito das propostas ou das próprias características dos candidatos que mais lhe agradam ou que lhe trazem repulsa, tendo a oportunidade de ver o confronto direto e comparar as candidaturas ao vivo", analisa.

Embora considerada relevante para a transparência dos planos de governo, a presença dos concorrentes nesses eventos não é exigida pela legislação eleitoral brasileira, cabendo a cada chapa deliberar sobre sua participação. O especialista acrescenta que os líderes nas pesquisas de intenção de voto costumam fazer uma avaliação de risco entre resguardar seu capital político e enfrentar eventuais ataques dos adversários durante a transmissão.

Dunshee aponta, ainda, que o encurtamento do período de propaganda oficial para 45 dias — que se inicia em 16 de agosto — impõe um ritmo acelerado tanto para os estrategistas de campanha quanto para a população, salientando que a velocidade na difusão de informações e o crescente interesse dos cidadãos pelos atos dos Três Poderes ajudam a equilibrar o processo, tornando o debate eleitoral mais dinâmico.

Confira a cobertura completa da sabatina

Transformações digitais

Para além do cenário da legislação e das dinâmicas de campanha, o impacto real dos debates na decisão do eleitor passa por transformações profundas na era digital. O advogado, doutor em ciência política pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Daniel Vila-Nova avalia que as definições clássicas do comportamento do eleitorado estão se reconfigurando com as novas mídias e até com a chegada da inteligência artificial.

Ele observa que, segundo pesquisas recentes, como as do Instituto Informa, mais da metade dos cidadãos aponta os debates e as redes sociais como determinantes para a sua escolha final, enquanto ferramentas de mensagem direta representam mais de 11% dessa preferência. Ele ressalta, porém, a volatilidade desse fenômeno no ambiente contemporâneo.

"A gente não pode escrever isso em pedra porque tem uma suscetibilidade muito grande e, agora com a inteligência artificial, precisamos verificar se esse fator vai servir de um elemento extra no que diz respeito à formação da convicção", afirmou.

A mudança no tom das campanhas também afeta diretamente a percepção pública. O cientista político assinala que a migração de discussões pautadas em programas de governo para ataques pessoais e apelos emocionais é um fenômeno global, presente em democracias como Estados Unidos e França, reduzindo a clareza sobre o projeto que está sendo escolhido nas urnas.

Nesse cenário de espetacularização e desgaste do modelo tradicional — onde o confronto direto faz com que os concorrentes foquem em atacar quem lidera as pesquisas —, as sabatinas conduzidas por jornalistas emergem como uma alternativa para devolver a densidade ao debate público.

O desafio da informação em tempo real ganha contornos específicos com a checagem de fatos ao vivo e a fragmentação do consumo de notícias nas plataformas digitais. O especialista sublinha que o fact-checking (checagem dos fatos) é uma ferramenta valiosa, mas que não resolve de forma isolada a desinformação, uma vez que a atenção do público está voltada para cortes de vídeos, bordões e construções narrativas das próprias candidaturas.

"Mais importante do que uma virada de voto é poder esclarecer ao eleitorado quais são os programas e as premissas, pois é justamente por meio do diálogo e da conversa que o debate democrático se aprofunda e identifica pontos em comum", conclui Vila-Nova.

 

Mais Lidas

FRASES

(O debate) é o momento em que o eleitor faz um juízo crítico a respeito das propostas ou das próprias características dos candidatos que mais lhe agradam ou que lhe trazem repulsa"

Miguel Dunshee de Abranches, presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF

/////

Mais importante do que uma virada de voto é poder esclarecer ao eleitorado quais são os programas e as premissas, pois é justamente por meio do diálogo e da conversa que o debate democrático se aprofunda"

Daniel Vila-Nova, advogado e doutor em ciência política pela UFF