
O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, destacou, nesta terça-feira (11/8) durante o CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília — , as medidas que vêm sendo tomadas para a recuperação da instituição. Às jornalistas Sibele Negromonte e Samanta Sallum, o dirigente do banco ressaltou o otimismo para a audiência de conciliação, prevista para amanhã, no Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a liberação do empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para a capitalização do banco.
Quais medidas estão sendo tomadas para a recuperação do BRB?
Nós temos procurado, primeiro, estabilizar o banco de maneira econômica, uma vez que essa instituição financeira é um orgulho para a população de Brasília. Do ponto de vista da economia, mantivemos sempre a liquidez e buscamos a capitalização do banco, que deverá ser efetivada nesta quinta-feira (amanhã) com a reunião no Supremo. Do ponto de vista de medidas prudenciais de governança, mudamos toda a diretoria, mudamos conselho, e (fizemos) auditorias independentes e forense, fomos verificar quem deu causa a tudo isso que aconteceu no banco. Encaminhamos esses achados para a Polícia Federal, para o Ministério Público, e, agora, estamos com a Assembleia Geral Extraordinária aberta, com data para 24 de agosto, quando buscaremos autorização do Conselho da Assembleia para responsabilização civil de todos os dirigentes que deram causa a esse problema do BRB. Além disso, 25 PADs, processos administrativos, de empregados foram abertos.
Qual a sua expectativa para a audiência no STF?
É a melhor possível. Temos uma proposta na mesa que tem origem pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que fez um arranjo financeiro, em que há um empréstimo do FGC, o Fundo Garantidor de Crédito, para o GDF, com uma garantia dos grandes bancos brasileiros, o S1, e contragarantia do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e dos estados (FPE) do GDF. Outra opção é um empréstimo direto do FGC para o GDF, com a garantia dos fundos de participação, sem passar pelos bancos grandes. Uma terceira (opção) que tenho acompanhado é que o GDF passou agora para a Capacidade de Pagamento (Capag) A, em julho, que, de repente, pode tratar de um aval soberano. Mas vejo com muito otimismo que sairemos dessa audiência com a definição da contratação deste empréstimo de R$ 6,6 bilhões, que é o início da capitalização do banco.
Existem outras medidas para a capitalização?
Temos à securitização da dívida do GDF, que fizemos a primeira tranche de R$ 1,05 bilhão. Uma segunda tranche (parcela) está em andamento, de R$ 1,2 bilhão. Somados aos R$ 6,6 bilhões, dá quase R$ 8,8 bilhões. Temos os imóveis que a Câmara Legislativa do DF aprovou, que pode virar um fundo de investimento imobiliário. E temos recebido muitos investidores nacionais e internacionais, que se interessam em aportar recursos no BRB. Além de cada ativo que estamos vendendo, da carteira do Master, vem compor liquidez do banco e melhorar o nosso capital.
Qual a previsão para a publicação do balanço?
O balanço será publicado após a capitalização. A capitalização começa quando se der a contratação deste empréstimo de R$ 6,6 bilhões. Por isso que é tão importante essa capitalização, mas não é só ela, tem muitas coisas que somam-se a isso, como a própria recuperação dos ativos do Master que estamos recebendo. Temos proposta para mais de 10 ativos que hoje constam nessa carteira do Master, mas é fundamental essa capitalização e não tem nada a ver com as eleições. Quero deixar bem claro, a gestão do BRB é uma gestão técnica. E o que tiver que fazer, seja do ponto de vista criminal, econômico, de governança ou bancário, está sendo feito. Não estamos abrindo mão de fazer o que tem que ser feito. O Banco Central sabe do balanço de 2025, nós podemos submeter (o balanço) para fazer o empréstimo, por exemplo, para o FGC, que por sinal tem uma boa relação conosco. Nós subimos para o FGC toda a documentação do plano de capital e o plano de negócio, que no nosso entendimento, são recursos suficientes para poder deliberar o empréstimo que não é para o BRB, o empréstimo é para o GDF.
O GDF tem condições de pagar o empréstimo?
O balanço do GDF é público. Temos um dos menores endividamentos do Brasil. A princípio, o empréstimo é do FGC para o GDF, que é o controlador principal do BRB. Quem vai pagar essas prestações do empréstimo é o GDF (acionista majoritário). No decorrer do tempo, o próprio BRB, o plano de negócio que temos de 10 anos, vai gerar dividendos, em que essa dívida vai ser paga. Essa é uma das maneiras. Outra maneira, a partir do momento que o GDF aportar capital e ele tiver 80% ou 90% das ações, ele pode vender uma parte desses papéis para investidores nacionais ou internacionais e amortizar a dívida ou pagar a dívida toda. O BRB é um banco sólido, temos reuniões diárias com o Banco Central e o maior cuidado é com os correntistas e com os estados que estão conosco. Uma coisa que nos preocupa muito são os cinco Tribunais de Justiça que têm R$ 30 bilhões conosco. Esse é um tesouro para nós e que cuidamos. Por exemplo, cortamos em 70% a verba de patrocínio e publicidade. Tinha publicidade em festival de vela em Dubai, nós cortamos. Tiramos a Arena BRB, porque não temos condição, temos que ser austeros, não podemos gastar o que não temos.
E o patrocínio ao Flamengo, como ficou?
Foi feito um novo arranjo em relação ao Flamengo, que é o único que continua, mas não é patrocinador. Nós mudamos para um modelo chamado profit sharing, que é um rateio de resultados. Criamos um banco digital, o Nação BRB Fla, onde o BRB tem 53% e o Flamengo tem 47%. Após o fim do exercício, fazemos o rateio do resultado. É um banco múltiplo, que tem o seu cartão próprio, pode vender seguro, faz empréstimo, faz tudo. É o único banco digital com agência física no Brasil, no Rio de Janeiro, e queremos abrir uma agência em cada capital brasileira, a segunda será em Brasília. É uma plataforma separada do BRB, estamos desvinculando totalmente. E se o BRB prestar algum serviço para esse banco, esse banco paga e vice-versa. O nosso plano de negócios de 10 anos é tornar esse banco o maior banco digital da América Latina. O que antes era um grande problema no BRB, vimos como uma grande solução.
O BRB segue com os financiamentos sociais no GDF?
Na realidade, nós continuamos com todas as nossas operações ativas e operações passivas. Seja a originação de crédito, o crédito pessoal, o crédito para microempresa, o microcrédito, o habitacional, que é tão importante aqui em Brasília. Ao mesmo tempo, estamos captando em LCI, LCA, CDBs, fundos, todas as operações, chamamos de operações passivas. Além disso tudo, que é característica de banco múltiplo, estamos fazendo nossa função de banco de desenvolvimento, operacionalizando todos os programas sociais do governo, e diria com muita competência, e ampliando, inclusive, alguns programas. Uma das coisas que queremos, e estamos incentivando e vamos fazer cada vez mais, é o microcrédito. Queremos que o microcrédito chegue o mais próximo das pessoas que precisam. Esse tipo de coisa é importantíssimo para o microempreendedor individual. Na atual gestão, priorizamos Brasília e o Entorno.
Como o senhor vê o ressarcimento do dinheiro desviado e a punição dos dirigentes e servidores?
O primeiro ato que tivemos foi aprovar a auditoria independente forense, da Machado Meyer e a Kroll, para fazer todas as investigações do que aconteceu dentro do BRB. Mandamos os achados para a Polícia Federal, para o Banco Central, para o CVM, para o Ministério Público, em que lá ficou configurado quais crimes aconteceram. Temos praticamente conversas diárias com a Polícia Federal e com o Banco Central e quem fez isso com o BRB, com certeza terão as consequências, porque essa diretoria não comunga de jeito nenhum com quem fez errado e posso dizer, não tem sido fácil para a gente equilibrar o BRB. Foi devastador. Não é fácil ter um ativo de R$ 21,9 bilhões e ter que fazer um aporte de capital de R$ 8,8 bilhões. São números astronômicos, que chamam a atenção. Por isso que agradeço todos os que participarão da audiência de quinta-feira (13/8), porque eu participei de duas reuniões lá, sob a coordenação do ministro Fux, e vi que todos que estão lá querem resolver e querem o melhor do BRB.
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