
A segunda rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política sobre as eleições de 2026, revelou as intenções de votos e rejeição no Distrito Federal para presidente e governador. Durante o CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília, Alexandre Garcia, CEO do instituto responsável pelo levantamento; e Carlos André Machado, diretor de negócios da empresa, destacaram que, de acordo com a pesquisa de intenção de voto, a disputa eleitoral pode sofrer mudanças ao longo do período eleitoral, sobretudo, se houver alianças ou saída de candidaturas.
Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, os especialistas comentaram que os votos dos eleitores indecisos também podem causar uma reviravolta até o fim da disputa eleitoral. As campanhas nas ruas, segundo os entrevistados, podem mudar o panorama das eleições.
A pesquisa revela que está difícil para a vitória do PT no DF. O que pode explicar isso? Há muita polarização?
Alexandre Garcia: O DF possui uma rejeição contra o PT e à esquerda, segundo as estatísticas. Os cenários nos mostram que há uma parcela da população que tem o perfil de liberal conservador, mas há uma parcela de centro, que apresenta uma rejeição ao PT e ao candidato Lula (à Presidência), por exemplo.
Segundo os dados divulgados, Lula tem uma rejeição muito grande no DF (46%). Por outro lado, (Ronaldo) Caiado tem uma rejeição muito baixa (1,9%). Que leitura podemos fazer disso?
Alexandre: Temos observado que ele (Caiado) tem um potencial de crescimento muito grande, principalmente, por causa dos três blocos que temos no DF (progressistas, liberais conservadores e o centro moderado). A tendência é de que ele consiga captar votos do centro. Isso se explica porque os eleitores de centro tendem a caminhar para o lado de quem tem mais chances de derrotar o Lula.
Pelos números, dá para perceber que o eleitor do DF é conservador. Na disputa ao Palácio do Buriti, caso José Roberto Arruda (PSD) não consiga disputar o Buriti, esses votos iriam para Celina Leão (PP) ou seriam pulverizados para outros candidatos?
Alexandre: Nesse caso, Celina seria a principal beneficiada com uma eventual saída do Arruda. De certa forma, os dois ocupam o mesmo lado político, por isso, a tendência é de que os votos dele iriam para Celina. Não sabemos o grau em que esses votos vão chegar, mas isso pode acontecer, segundo o levantamento.
Com os números divulgados pela pesquisa, é possível afirmar que o DF não quer mais saber do PT? É possível considerar esse cenário consolidado?
Alexandre: O que percebemos é que há uma rejeição forte ao PT no DF (nesse levantamento). Os cenários mostram que há uma parcela da população que tem um perfil conservador que tende a buscar os candidatos mais à direita. Além disso, também há uma parcela de centro que tem uma rejeição ao candidato Lula. Isso acaba movimentando o eleitorado para os candidatos de direita ou até de centro-diretia, como é o caso do Ronaldo Caido.
Carlos André: Eu acredito que esse seja o ponto crítico para a esquerda, mas também uma oportunidade. Na nossa pesquisa, o Lula está com cerca de um terço dos votos, enquanto o Grass está com 10%. A pesquisa é uma fotografia (do momento), mas caso seja construída uma campanha muito colada com o Lula e a esquerda local, pode ser que o Grass consiga crescer muito com essa aproximação. As campanhas nas ruas podem mudar o panorama das eleições.
O fato de terem dois candidatos do campo progressista no DF (Ricardo Capelli e Leandro Grass) pode dividir o eleitor da esquerda?
Carlos: Acredito que possa atrapalhar o voto do eleitor que tem essa inclinação para votar na esquerda. Em uma especulação da união dos dois, pode ser, sim, um fator de mudança bastante considerável no cenário, principalmente pensando no voto à esquerda. Mas os dois disputando pode gerar uma dúvida no eleitor.
Temos visto uma aproximação do Capelli com a Paula Belmonte, que é do PSDB. Caso aconteça essa aliança mais ao centro-esquerda, vai mudar o cenário das eleições na capital?
Carlos: Essa também é uma opção que mudaria muito o cenário (avaliado na pesquisa). Uma chapa pensando em centro-esquerda com uma candidata mulher é um diferencial. Se acontecer, tem um potencial de crescer um pouco mais, uma vez que observarmos os números que os dois alcançaram.
A escolha para governador no DF segue os mesmos moldes da escolha para presidente? Os critérios de escolha são os mesmos?
Alexandre: Eu acredito que é um cenário um pouco descolado. Observamos nos números que a escolha do candidato para governo tende a seguir o rumo de quem será o melhor gestor para resolver os problemas da cidade. Essa escolha descola um pouco da ideologia. Existe aquela parcela ideológica, mas não é ela que decide, ao contrário do governo federal e de outros cargos, como de deputados e para o Senado.
A pesquisa também mostra que há muitas pessoas indecisas para a escolha do governador do DF. Os votos espontâneos mostram que o apoio ao Lula está consolidado. Por outro lado, aqui no DF, o Grass não conseguiu a força necessária para atingir duas casas percentuais, segundo a pesquisa. Essa leitura é correta?
Alexandre: Percebemos que, nas últimas eleições, Leandro Grass teve um percentual de votação muito mais elevado. Havia uma expectativa do recall da eleição anterior para atingir um percentual mais alto. Isso nos dá a sensação que ele vai ter que correr bastante para recuperar o espaço que perdeu nesses últimos quatro anos, caso queira alcançar um segundo turno, como mostra a pesquisa.
Estamos há dois meses do pleito e tem muita coisa para acontecer. Esse cenário pode ser revertido?
Carlos: Os números da pesquisa espontânea mostram que 50% dos entrevistados não sabem em que vão votar. Ou seja, de cada dois eleitores, um não sabe em quem vai votar. Com os outros 50% definidos, a briga vai ficar justamente em cima dessa parcela restante. Podem acontecer mudanças muito grandes, sem dúvida nenhuma.
As eleições sofrem impactos com pessoas que não estão tão antenadas nas eleições?
Alexandre: Esse impacto é claro. Quem acompanha as mídias, lê o Correio e assiste a jornais, está mais integrado com o tema. A população comum, que está no dia a dia trabalhando, pegando ônibus e metrô, não costuma tratar esse assunto como prioridade. Isso vai sendo amadurecido ao longo da campanha e é, nos últimos 15 e 20 dias, que a decisão vai ser tomada. Tem muita água para correr, especialmente pensando que a gente tem metade dos eleitores sem a certeza de voto algum para governador.
Vimos fenômenos no DF de candidatos que começaram mais atrás nas pesquisas e mesmo assim ganharam, como foi o caso do Ibaneis Rocha. Pode acontecer isso com os outros candidatos?
Carlos: No caso do do Ibaneis, ele tinha cerca de 12% na primeira rodada. Na segunda rodada, ele apareceu com 17%; e na terceira alcançou perto de 30%. Essa evolução pode ter, não é uma bola de cristal, mas é possível que aconteça.
Alexandre: O (João) Dória, em São Paulo, também foi assim. Ele largou com 1% e ninguém acreditava na campanha dele. Mas ele foi avançando e levou no primeiro turno.
O que essas candidaturas que disparam têm em comum?
Carlos: Eu acredito que o componente seja o frescor da candidatura. Talvez o Capelli, o Kiko (Caputo) e a Paula Belmonte, que são nomes novos, consigam isso. No caso da Paula, ela saiu de um cargo de deputada distrital, um cargo mais de nicho, diretamente para se candidatar ao GDF. Apesar de ser um nome mais desconhecido, ela também tem a parcela de lembrança e recall dos eleitores. O fator de novidade gera curiosidade. Caso o candidato consiga provar que tem capacidade, a quantidade de votos vai aumentando à medida que ele é lembrado.
Assista à entrevista completa:

Cidades DF
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