ELEIÇÕES 2026

Candidato a deputado federal, Agnelo quer criar Bancada da Criança

No Podcast do Correio, o ex-governador do DF, que concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados, afirmou que pretende colocar a primeira infância no centro da campanha. Ele também criticou a saúde pública do DF

De volta ao cenário político e na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, o ex-governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) pretende colocar a primeira infância no centro da campanha. No Podcast do Correio, aos jornalistas Ana Maria Campos e Carlos Alexandre de Souza, ele anunciou a intenção de criar uma "Bancada da Criança" no Congresso e defendeu a destinação de parte dos recursos do pré-sal para a construção de creches públicas em todo o país.

Agnelo afirmou que a proposta é inspirada na atuação de outras bancadas temáticas do Congresso. "Já tem a bancada da bala, que é a turma que defende a violência, a indústria armamentista, o armamento. Já tem isso lá há anos. Tem a bancada do boi, tem um bocado de coisa lá, mas precisa ter a Bancada da Criança."

Para o ex-governador, a prioridade se justifica pelo fato de crianças não terem participação direta no processo político. "Essa criança não vota, essa criança não financia a campanha", disse. Para ele, a primeira infância deveria ser tratada como uma política estratégica para reduzir desigualdades e preparar o país para as transformações científicas e tecnológicas.

O ex-governador citou como exemplo de política pública implementada durante seu governo, de 2011 a 2015, a criação de 57 creches públicas na capital federal. Segundo ele, as unidades foram concebidas com cinco refeições diárias, cozinha industrial e berçário. A proposta, na avaliação dele, não deveria se limitar à oferta de vagas, mas incluir alimentação adequada e estímulos pedagógicos. "Num país desigual como o Brasil, a grande chance de começar a vida dando uma oportunidade de desenvolvimento pleno é dar acesso à creche para as nossas crianças", destacou.

Para Agnelo, o DF segue com impasse na carência de vagas em creches, uma vez que a demanda só evolui devido ao crescimento populacional acelerado. Na avaliação dele, o governo federal desenvolve uma boa política na área, ofensiva, mas é preciso atenção maior ao tema.

Para acelerar a expansão da rede, defendeu que um percentual das receitas do pré-sal seja "carimbado" para a construção de creches. A ideia, segundo ele, permitiria ampliar os investimentos sem retirar recursos de outras áreas. "Um pequeno percentual faz uma revolução no Brasil, para as próximas gerações, com a riqueza nossa, riqueza da pátria, riqueza do nosso povo", explicou.

Agnelo também defendeu a criação de um Ministério da Criança, com estrutura enxuta. A pasta teria a função de coordenar políticas que envolvem saúde, educação, habitação e saneamento.

A proposta seria acompanhar, por exemplo, a cobertura vacinal, as condições de moradia e o acesso às creches. A execução das políticas permaneceria com os ministérios responsáveis por cada área, mas uma estrutura centralizada faria a coordenação das ações voltadas à infância.

Filas na saúde

Ao ser questionado sobre a saúde no DF, Agnelo disse encarar o cenário com "muita tristeza" e relembrou o trabalho enquanto governador. Afirmou que ampliou a cobertura da atenção primária de 7% para 70% e que foram promovidos concursos para a contratação de 16 mil servidores para a área. "Não adianta botar o prédio sozinho ou inaugurar uma parede. Tem que ter gente trabalhando."

Ele afirmou que o maior "tiro" na saúde pública da capital foi a entrega do Hospital de Base para gestão por organização social. "O hospital deixou de conversar com toda a rede da Secretaria de Saúde", criticou, e exemplificou o Hospital da Criança, que passou a ser gerido por organização social durante sua gestão. "Primeira coisa foi procurar uma entidade séria. Fizemos parceria, colocamos equipamentos e as melhores equipes de pediatria do DF."

Ele também citou a criação das clínicas da família, a ampliação da assistência odontológica e a abertura de unidades de pronto atendimento (UPAs) como medidas de sua gestão.

Agnelo relembrou a fila de cirurgias que encontrou ao assumir o governo. De acordo com ele, havia 16 mil pacientes aguardando procedimentos. Como estratégia para reduzir a demanda, o governo promoveu mutirões à noite e nos fins de semana. O ex-governador contabilizou que sete mil cirurgias foram realizadas dessa maneira, utilizando a estrutura que havia na rede pública. "Era botar o nosso equipamento, que estava subutilizado à noite e no fim de semana, para realizar (cirurgias). Eu saía para operar, mas não divulgamos, pois não queríamos publicidade em cima disso", acrescentou.

Conforme Agnelo, a estratégia foi interrompida após uma intervenção do Ministério Público, sob o argumento de que não seria possível pagar servidores públicos por procedimentos realizados fora da jornada regular. Ele questionou o entendimento diante da possibilidade atual de remuneração de serviços na rede privada.

Centro Administrativo

Ao ser perguntado sobre processos relacionados à sua gestão, Agnelo também falou sobre o Centro Administrativo (Centrad). Segundo ele, a origem de um dos questionamentos estava na concessão do habite-se para o funcionamento do complexo e na exigência de um relatório de impacto de trânsito.

O ex-governador ressaltou ter editado um decreto para isentar o Centro Administrativo da exigência. Segundo ele, a medida estava dentro das atribuições do governador.

Agnelo complementou que o governo seguinte extinguiu os relatórios de impacto não apenas para obras públicas, mas para empreendimentos em todo o Distrito Federal.

Assista à íntegra da entrevista:

 

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FRASE

Já tem a bancada da bala, que é a turma que defende a violência, a indústria armamentista, o armamento. Já tem isso lá há anos. Tem a bancada do boi, tem um bocado de coisa lá, mas precisa ter a Bancada da Criança”