Documento lançado pela Embrapa com contribuições da ciência, pesquisa e inovação que podem ser convertidas em programas de governo e iniciativas legislativas foi tema, nesta sexta-feira (21/8), do CB.Agro — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. A Agenda estratégica para a agricultura do Brasil: contribuições de pesquisa e inovação foi feita com o objetivo de alcançar candidatos a cargos do Executivo e do Legislativo nas eleições de 2026. Aos jornalistas Samanta Sallum e Roberto Fonseca, a diretora de Inovação Social e Transferência de Tecnologia da Embrapa, Ana Euler, detalhou alguns dos temas tratados no material, como a insegurança alimentar e nutricional. A engenheira florestal também falou sobre a macaúba, palmeira nativa do Cerrado que pode ser usada para produção de biocombustível.
Qual o objetivo do documento entregue aos candidatos ao Executivo e Legislativo nas eleições de 2026?
A transformação da agricultura no Brasil precisa de um tripé entre ciência e tecnologia, políticas públicas e a relação com o setor produtivo. Para nós, da Embrapa, a pesquisa é orientada pela inovação e desenvolvimento. O conhecimento só consegue ser adotado e democratizado quando ele consegue ser traduzido em boas políticas públicas. Por isso, acreditamos que esse é um momento oportuno para traduzir nosso histórico em seis grandes eixos, que a gente entende como prioritários e primordiais para que os agricultores e população brasileira possam desfrutar de segurança, soberania alimentar e desenvolvimento socioeconômico.
Quais eixos a senhora destacaria?
O primeiro eixo é o de segurança alimentar e nutricional. A gente tem que produzir mais alimentos e alimentos cada vez mais saudáveis a um custo que seja acessível para todos os brasileiros. Embora o Brasil esteja fora do mapa da fome, a gente ainda tem uma população que se encontra em situação de insegurança alimentar. De acordo com o último relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), cerca de 6,5 milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar e, para cerca de 50 milhões, a renda não propicia acesso a uma dieta alimentar que seja balanceada, principalmente com frutas e legumes. É importante que a pesquisa e as políticas públicas respondam a esse desafio de aumentar a produção, a distribuição, o acesso e o consumo. Para isso, a gente tem uma série de linhas de pesquisa. A gente vem trabalhando com alimentos biofortificados, por exemplo.
Nesta semana, celebramos uma parceria para chegar até 600 escolas públicas no estado do Amazonas. A ideia é produzir por meio de sistemas agroflorestais, uma alimentação que seja saudável, equilibrada e que chegue à mesa das escolas todos os dias. Estudamos como que a gente pode reduzir o custo dos alimentos, principalmente frutas e legumes, que são muito perecíveis. Então, temos trabalhado com nanotecnologia para ajudar a aumentar o tempo de prateleira para que eles possam ser transportados e não percam a qualidade. Um dos grandes desafios desse eixo são as perdas e desperdícios que se dão ao longo da cadeia produtiva. Pelo menos um quarto de todos os alimentos produzidos no mundo são perdidos ao longo dessa cadeia.
E qual seria outro eixo de destaque?
O da bioeconomia. Ano passado, tivemos a Conferência do Clima e esse foi um tema de destaque. Surge a questão de como valorizar a biodiversidade brasileira para que ela, agregada aos conhecimentos tradicionais associados aos nossos povos e comunidades tradicionais, possa ser traduzida em desenvolvimento rural sustentável. Ela também pode resultar em qualidade de vida para o Brasil de forma mais equitativa entre as diferentes regiões. Nesse sentido, a gente vem trabalhando com cadeias produtivas, principalmente de alimentos, que possam gerar produtos voltados para os três pilares da agenda de Estratégia Nacional de Bioeconomia: sociobioeconomia, biomassa e biotecnologia.
Em Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, há a macaúba, palmeira que produz 10 vezes mais óleo do que a soja. Quais são os potenciais do Cerrado na bioeconomia?
A macaúba é uma grande aposta. Ela pode ser usada para biodiesel, diesel verde e combustível de aviação, na perspectiva do uso e do refino desse óleo de alta qualidade. Seus subprodutos, que têm potencial de mercado, também podem ser usados dentro da visão de economia circular. A Embrapa Cerrados, aqui, tem um banco de germoplasma de macaúba. Estamos fazendo prospecção dessa, que é uma palmeira nativa e que ocorre em diversos estados da Mata Atlântica, do Cerrado e do próprio Nordeste. Estamos trabalhando na constituição de um banco ativo de germoplasma e no melhoramento genético para lançarmos cultivares que possam ser utilizados para essas diferentes cadeias. A Embrapa Agroenergia já está se debruçando sobre o biorrefino, os estudos químicos aprimorados para a utilização desses biocombustíveis.
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*Estagiária sob supervisão de Patrick Selvatti
