Podcast do Correio

O DF deve se desenvolver com sustentabilidade, defende Eduardo Brandão

Ex-secretário de Meio Ambiente, candidato a deputado distrital pelo PV e presidente da legenda no DF, Eduardo Brandão apresenta propostas para a preservação do Cerrado, dos parques e da fauna do DF

 10/09/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Bras..lia - DF -  Eduardo Brandrão,  vice-presidente nacional do Partido Verde e presidente local.  -  (crédito:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
10/09/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Bras..lia - DF - Eduardo Brandrão, vice-presidente nacional do Partido Verde e presidente local. - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O Podcast do Correio recebeu o candidato a deputado distrital Eduardo Brandão (PV) para falar sobre suas propostas para o Distrito Federal. A conversa, conduzida pelas jornalistas Mila Ferreira e Ana Carolina Alves, abordou principalmente questões ambientais, uma das principais bandeiras do candidato, que é presidente da legenda no DF, vice-presidente nacional, empresário, engenheiro civil e foi secretário de Meio Ambiente. 

Como o senhor avalia a situação ambiental atual do DF? O que ainda precisa ser feito e de que forma o senhor pretende contribuir, caso seja eleito?

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Eu acredito em políticas de Estado, e não em políticas de governo. Quando fomos governo, criamos políticas de Estado baseadas principalmente nas compensações ambientais e florestais. Quando plantamos mais de um milhão de mudas nativas e criamos 15 parques, isso foi feito por meio de compensação florestal. A Secretaria do Meio Ambiente, por meio do Ibram, tem uma Câmara de Compensação. Todo empreendimento que causa impacto ao meio ambiente precisa pagar uma compensação. O que fizemos foi colocar esse instrumento, previsto em lei, em funcionamento. Esse instrumento continua existindo, mas, de 10 anos para cá, praticamente não se fez nada. 

 

Agora, como candidato, pretende dar continuidade a esses projetos, cobrando do governo?

É fundamental que eu faça isso. Se não fizer, vou jogar fora toda a minha história. Estamos vivendo uma onda de calor enorme. Cadê as árvores? No Plano Piloto, ainda temos áreas verdes e sombra. Mas, nas outras cidades, muitas regiões não têm arborização. A empresa que mais tem compensações ambientais e florestais para pagar é a Terracap. Mas, por ser uma empresa do governo, não paga. Isso é um absurdo. Se o governo entende a Terracap apenas como uma especuladora imobiliária, isso não vai acontecer. A Terracap é importante para promover o desenvolvimento sustentável. E os recursos existem.

 

Na sua gestão como secretário de Meio Ambiente, quais iniciativas o senhor destacaria?

A Câmara de Compensação Ambiental e Florestal é fundamental porque a sustentabilidade depende de três pilares: o social, o ambiental e o econômico. Se faltar um deles, o sistema não funciona. Mas tivemos outros projetos importantes como o monitoramento da qualidade do ar. Com mais prevenção de incêndios, campanhas educativas e arborização, teríamos menos pessoas nos hospitais e nas UPAs.

 

Qual a situação da fauna no DF e o que precisa ser feito? 

Nós estamos acabando com o Cerrado. O que está acontecendo é inevitável: estamos destruindo o habitat dos animais silvestres e empurrando-os para outros lugares. Foi nesse sentido que escolhemos a capivara como mascote da campanha. Além de chamar atenção para a causa, ela permite fazer educação ambiental. Precisamos melhorar as unidades de conservação e criar conectores ecológicos entre elas, permitindo que os animais se desloquem de uma área para outra. Muitas vezes, eles precisam atravessar plantações ou estradas para chegar a outros fragmentos. Essas estruturas são definidas a partir do monitoramento das rotas da fauna. Precisamos fazer as coisas com mais consciência. Não sou contra o desenvolvimento ou as obras. É possível fazer tudo de forma coerente com o meio ambiente e com a sustentabilidade.

 

Neste ano, a Serrinha voltou ao centro das discussões sobre preservação ambiental por causa da crise do BRB. Como o senhor avalia essa situação, especialmente diante da pressão da especulação imobiliária?

A Serrinha é um símbolo de resistência ambiental. Neste ano, houve uma tentativa do governo Ibaneis-Celina de utilizá-la para pagar o rombo do BRB. Nós, do Partido Verde, entramos na Justiça e conseguimos barrar a medida, enquanto a sociedade também se mobilizou. Não podemos colocar a Serrinha para pagar essa conta. A população precisa saber quem tomou as decisões e para onde os recursos foram. A especulação imobiliária precisa ser combatida, mas também precisamos oferecer alternativas de moradia. O Estado deve criar opções para a população, porque, quando não há acesso a uma moradia regularizada, as pessoas acabam recorrendo a ocupações irregulares. A Terracap precisa atuar no desenvolvimento social e econômico, e não apenas na comercialização de terrenos.

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postado em 11/09/2026 05:00
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