
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por intermédio da 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte, desarticulou o quarto estabelecimento voltado à exploração sexual na região em apenas dois meses. A operação mais recente ocorreu em salas comerciais da CLN 307, resultando na prisão em flagrante de uma mulher apontada como administradora do espaço.
A ação reacende o debate sobre o impacto dessas casas em quadras residenciais e comerciais do Plano Piloto, marcadas pela insalubridade vivida pelas vítimas e por crimes correlatos no entorno.
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Ao Correio, o delegado titular da 2ª DP, Fernando Cocito, fez uma distinção clara entre o exercício da prostituição e a prática da cafetinagem (ou rufianismo), ressaltando o foco das investigações policiais.
"Ninguém está ali para punir a prostituição; a gente está para punir a cafetinagem. A legislação brasileira não pune a mulher ou o homem que comercializa o próprio corpo, tampouco o cliente que contrata o serviço. O crime está na figura da cafetina ou do cafetão, que lucra em cima do trabalho alheio, cobra taxas abusivas e gerencia locais voltados à exploração", explicou.
Insalubridade
Na operação realizada na CLN 307, os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão após apurar denúncias anônimas e identificar anúncios na internet que mascaravam os programas como "serviços de massagem e finalização". No local, constatou-se que de 14 a 16 mulheres se alternavam em três turnos (manhã, tarde e noite). Segundo os relatos colhidos, o imóvel funcionava para esse fim há mais de quatro anos.
De acordo com Cocito, embora as mulheres tivessem aderido aos anúncios para obter divulgação, a rotina interna e a estrutura oferecida eram degradantes. A administradora retinha entre R$ 50 e R$ 80 de cada programa (cujos valores oscilavam entre R$ 150 e R$ 250), cobrava pelo envio de fotos para o site que gerenciava e lucrava com a venda de bebidas.
"O que nos chamou a atenção foi um espaço muito pequeno, sujo e insalubre, onde as meninas aguardavam os clientes, com barulho alto de máquina de lavar e sem qualquer conforto. Além disso, colhemos relatos de que, uma vez iniciado o turno, a mulher não podia deixar o local ou se alimentar até cumprir uma cota de atendimentos", detalhou Cocito.
Impacto na vizinhança
A proliferação de casas de prostituição disfarçadas em comerciais da Asa Norte traz transtornos diretos aos comerciantes e moradores vizinhos — que dividem corredor com consultórios médicos, estúdios e clínicas —, além de funcionar como polo atrativo para outros crimes.
"Ao lado da casa de prostituição e da exploração sexual, temos o tráfico de drogas nos arredores e episódios gravíssimos de extorsão. Desde fevereiro, todas as extorsões apuradas pela 2ª DP no ambiente físico envolvem a atuação de cafetinas ou das adjacências dessas casas. Muitas vezes, ao perceberem que o cliente é casado ou tem recursos, pessoas do entorno fecham a saída e exigem transferências via Pix de R$ 1 mil a R$ 2 mil para liberá-lo", revelou o delegado.
Por se tratar de um crime inafiançável na esfera policial, com pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão, a responsável presa na CLN 307 permaneceu à disposição da Justiça para audiência de custódia. Dispositivos eletrônicos, registros financeiros e agendas foram apreendidos e passarão por degravação para identificar se há conexão entre as diferentes administradoras presas na região.
Com a intensificação das operações na Asa Norte, a PCDF reforça o pedido para que moradores e comerciantes continuem denunciando a movimentação suspeita em imóveis comerciais e residenciais. As informações podem ser registradas de forma totalmente anônima pelo Disque-Denúncia (198), pelo site oficial da PCDF ou diretamente na 2ª DP.
"A população sente uma angústia profunda com a presença desses locais, mas os índices de furtos, roubos e tráfico mostram queda com as nossas intervenções. A conversa já está pairando na região: quem insistir em manter casa de prostituição na Asa Norte vai ser preso", alertou Fernando Cocito.
Histórico de operações na Asa Norte
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SCLRN 708 Norte (18 de setembro): operação desarticulou um subsolo no Bloco H que funcionava atrás de um portão branco sem identificação. Comerciantes e donos de hostels da quadra relatavam histórico de barulho, sujeira, furtos e presença de usuários de drogas. A administradora foi presa e documentos apreendidos.
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SCLN 410 Norte (14 de setembro): um estabelecimento que usava a fachada de clínica de massoterapia foi fechado. A responsável administrava dois sites — um promocional e outro com conteúdo explícito, ofertando mais de 20 mulheres. Ela foi presa em flagrante e, posteriormente, colocada em liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica e proibição de se aproximar da quadra.
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SHCGN 704/705 Norte (23 de julho): a interdição do imóvel resultou no resgate de duas adolescentes que eram exploradas no local. As jovens foram encaminhadas ao Conselho Tutelar, a responsável foi indiciada e a casa permanece fechada por determinação da Justiça.
*Estagiária sob a supervisão de Patrick Selvatti
Cidades DF
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