Entrevista | Ricardo Cappelli | candidato ao GDF (PSB)

Cappelli promete "choque na saúde" em eventual governo no DF

Na sabatina ao Podcast do Correio, o político detalhou que medidas pretende tomar, caso seja eleito. Ele afirmou ser necessário contratar mais profissionais para diminuir as filas nos hospitais. "O Iges virou cabide de emprego", criticou

Ricardo Cappelli (PSB) -  (crédito: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Ricardo Cappelli (PSB) - (crédito: Fotos: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Candidato ao Governo do Distrito Federal, Ricardo Cappelli (PSB) afirmou que pretende exonerar todos os cargos comissionados em um eventual governo. Em sabatina no Podcast do Correio, ontem, ele explicou que essa medida deve ser tomada para ter recursos para mais contratações nas áreas de saúde e de segurança pública.

Às jornalistas Ana Maria Campos e Ana Carolina Alves, o político detalhou os programas que deseja implementar para reduzir filas no sistema de saúde e a criminalidade na capital. Também é uma de suas prioridades a ocupação do Centrad. Sobre a crise no Banco Regional de Brasília (BRB), disse ser necessário exigir da Polícia Federal (PF) e do Supremo Tribunal Federal (STF) a devolução do dinheiro desviado do banco. 

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Conte um pouco da sua história, por favor. 

Tenho 54 anos. Estou no DF há 23. Sou casado e pai do Enrico e da Clara. Tenho 26 anos de experiência como gestor público. Fui secretário, ministro e um interventor federal na segurança pública no dia 8 de Janeiro. Fui chamado para subir, controlar a crise e colocar ordem com firmeza e equilíbrio. Foi a partir desse momento que eu, estimulado pelas pessoas, comecei a me animar para disputar esse pleito. Estou há 23 anos aqui, mas sempre morei na área central, o que não reflete o DF real. Aquele que não cabe no cartão-postal. Desde que decidi participar do pleito, resolvi ir para as cidades. Estou há um ano e meio morando durante uma semana em uma cidade diferente. Durmo na casa das pessoas, ando de ônibus, de metrô e visito os equipamentos públicos. Posso dizer que, hoje, pode ter alguém que conheça o DF tanto quanto eu, mas mais do que, eu não tem. É completamente diferente você fazer uma reunião e voltar para casa e você ficar uma semana na cidade, vivendo o que as pessoas vivem. Você passa a ter uma visão completamente diferente.

Quais são as primeiras medidas que o senhor vai adotar em um eventual governo? 

Vou dar um choque na saúde (pública). Há 31 mil pessoas na fila de cirurgias. O painel de transparência do Ministério Público aponta mais de 1 milhão de pessoas na fila para consultas e exames. Encontrei uma senhora que está há três anos esperando para fazer uma histerectomia (retirada do útero). Ela está sangrando todos os dias há três anos. Encontrei outra senhora que perdeu um ente querido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ficou cinco dias esperando a regulação para um leito no hospital e não conseguiu. Ele morreu na UPA. Como vamos resolver a saúde? Primeiro, fazendo o que eu fiz no dia 8 de janeiro. Ter comando, controle, firmeza e equilíbrio. Tem que ser feita uma intervenção. O que está acontecendo no Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges) é inacreditável. Ele virou cabide de emprego e um antro de corrupção. 

O senhor vai manter o Iges? 

Do jeito que está, ou o Iges muda, ou tem que ser fechado. Mas dá para mudar. Ele foi criado para administrar com mais flexibilidade e agilidade o Hospital de Base, o de Santa Maria e todas as UPAs. Com o Iges, piorou o atendimento. Não existe integração entre ele e a Secretaria de Saúde. São dois mundos paralelos. Por que o cidadão morreu na UPA? Falta de integração. A regulação da UPA não conversa com a regulação da Secretaria de Saúde. Não temos até hoje prontuário eletrônico integrado. Isso é uma vergonha. Como fazer, por exemplo, o mapa epidemiológico de cada região se não tem integração de dados? Gestão, hoje, é dado. Minha primeira medida será colocar em prática o programa Fila Zero. Tem um ofício em que a pastas informa que estão faltando cerca de 5,3 mil médicos, 2,3 mil enfermeiros e 4,2 mil técnicos de enfermagem. No primeiro dia, vou exonerar todo o cabide de emprego que tem no Iges. Há mais 800 pessoas penduradas. Vamos abrir concursos e processo de contratação emergencial. 

O que o senhor acha que precisa mudar na segurança pública do DF? 

Chegamos a ter 17, 18 mil homens na Polícia Militar. Hoje, estamos com cerca de 11 mil homens e mulheres. A população cresceu, e a polícia diminuiu. Então, temos que voltar a ter mais efetivo. Temos uma das melhores polícias do Brasil, tanto a militar quanto a civil. Vamos voltar com as rondas ostensivas. Toda semana, no centro de Samambaia, uma loja é arrombada. O mesmo acontece no Gama e em Santa Maria. Vamos voltar, também, com o Cosme e Damião, aquela dupla que anda nas quadras. Isso reduz o risco de incidentes e aumenta a sensação de segurança. Temos que fortalecer o núcleo de inteligência. Boa parte dos crimes migrou do real para o virtual. Temos que enfrentar a questão do feminicídio. A cada 15 dias, uma mulher é morta pelo simples fato de ser mulher. Boa parte delas estão morrendo com medida protetiva. Em Curitiba, eles começaram a fazer uma experiência que temos que trazer para cá. Se tem medida protetiva, a polícia, de vez em quando, aparece na casa do cidadão para dizer que está ali. Isso reduziu drasticamente o número de feminicídios. 

Como o senhor avalia o programa de internação involuntária de pessoas em situação de rua? 

Temos, a cada 52 minutos, um celular roubado ou furtado no DF. Eu fui secretário de Assistência Social. Sei o que tem que ser feito. Precisamos de uma equipe multidisciplinar para compreender por que o cidadão está na rua. É saúde mental? É dependência química? É falta de moradia? Depois deve ser feito o encaminhamento para solucionar o problema. Se, mesmo assim, a pessoa continuar na rua cometendo delitos e furtos, eu sou a favor da internação involuntária. Essa é a última medida, mas, se necessária, tem que ser tomada. Ele não pode ficar na rua, sem autonomia, ameaçando a população. Meu programa para segurança pública vai se chamar Tolerância Zero, e vamos enfrentar essas questões.

Como funcionaria o Tolerância Zero? 

Vamos ampliar o efetivo, fortalecer o núcleo de inteligência, voltar com as rondas ostensivas e implantar medidas para reduzir o feminicídio.  

Todas essas medidas que o senhor pretende adotar na saúde e na segurança demandam contratação de servidores. Com a crise no orçamento do DF, seria possível fazer isso?

Sim. É simples. Temos 27 mil cargos comissionados no DF. Isso é um escândalo. Ele (o DF) já foi governado com 10, 12 mil. Vou fazer um decreto no primeiro dia do mandato para exonerar todos os comissionados. Vamos priorizar a contratação dos profissionais concursados. Vou acabar com o absurdo que existe na Segurança Pública. Há três secretarias de segurança. O secretário da pasta virou uma espécie de rainha da Inglaterra porque tem um deputado distrital que manda na Polícia Civil, outro nos bombeiros e outro na Polícia Militar. Vou acabar com a política na segurança pública.

Como o BRB pode sair da crise pela qual ele está passando? 

Por que Celina Leão não apresenta o balanço do banco? Qual é o tamanho do rombo? Ninguém sabe. Então, o que a governadora fez foi adiar para depois das eleições o desfecho do banco. O empréstimo está travado porque os bancos que iriam emprestar o dinheiro chegaram à conclusão de que o valor que Celina está pedindo não resolve o problema. Eles vão emprestar e o banco vai quebrar do mesmo jeito. O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) vai ter que gastar mais dinheiro. O fundo está precificando um prejuízo de cerca de R$ 15 bilhões com o BRB. Ninguém vai emprestar dinheiro se o banco não publicar o balanço. O que eu posso dizer é que, no meu governo, não vou empurrar para a população do DF pagar a conta da roubalheira que eles fizeram no BRB. O que Celina está tentando fazer é pegar quase R$ 7 bilhões de empréstimo e depois, na hora de pagar, vai tirar esse dinheiro da saúde, da educação, da segurança, do transporte. Não vou fazer isso. O que acho que ela deveria estar fazendo é exigindo da Polícia Federal, do ministro relator no Supremo, a devolução do dinheiro desviado do BRB. 

Uma das suas propostas é tornar o salário dos professores o mais alto do país. Isso é possível a curto prazo? 

Eu ajudei a fazer isso no Maranhão. Trabalhei com o ministro Flávio Dino (hoje no STF), e o salário de professor de lá é o segundo maior do Brasil. Na nossa época, era o primeiro. Perde para Mato Grosso do Sul. Você sabe qual é o orçamento do Maranhão este ano? R$ 38 bilhões. Sabe qual é a população do estado? Sete milhões de habitantes. O orçamento do DF é de R$ 74 bilhões. Se com metade do orçamento e mais que o dobro da população, a gente conseguiu, aqui também conseguimos fazer. Basta cortar os absurdos. O orçamento do DF deste ano é recorde. Dinheiro tem. É por isso que estou dizendo que vou dar isenção de IPVA para motoristas de aplicativo e entregadores. Porque não precisa de tanto dinheiro.

O senhor vai ocupar o Centro Administrativo do DF, o Centrad? 

Vou imediatamente. Por vários motivos. Lá cabem 15 mil servidores. São 182 mil metros de área construída. São 16 prédios. O pessoal passa ali e finge que não viu. É um colosso. Aquilo gera economia para o DF porque a gente corta todos os aluguéis. A gente também aumenta a eficiência do governo porque, com todos os servidores trabalhando ali, eles se integram. Então, a ocupação aumenta a eficiência, reduz gastos e cria um vetor de desenvolvimento para o DF. Aquilo valoriza Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente, Pôr do Sol, Samambaia, Vicente Pires e Águas Claras. Todo o entorno é valorizado. Isso mexe com o trânsito da cidade, porque você inverte uma parte do trânsito e cria um vetor de desenvolvimento. Isso revitaliza o comércio de Taguatinga e de Ceilândia. Precisamos acabar com esse modelo de cidade sanfona. Todo mundo sai das cidades, vem para o plano e volta.    

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

 


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    Aponte a câmera do celular para assistir à entrevista Foto: Arquivo Correio
  •  28/09/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF -   Candidato  ao GDF Ricardo Cappelli é o entrevistado do Podcast do Correio
    28/09/2026 Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF - Candidato ao GDF Ricardo Cappelli é o entrevistado do Podcast do Correio Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
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postado em 29/09/2026 05:00 / atualizado em 29/09/2026 10:57
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