Eleições 2026

Troca de ataques acirra o debate com candidatos ao GDF

Celina Leão chama Ricardo Cappelli de "bobo da corte" após críticas ao transporte público e socialista ganha direito de resposta. Situação do BRB também provoca embates entre os candidatos

Por Ana Carolina Alves, Carlos Silva, Darcianne Diogo, Iago Mac Cord, Luiz Fellipe Alves, Luiza Altoé, Maria Eduarda Lavocat, Mila Ferreira, Pedro José Borges, Raphael Patti e Vitória Torres  

Um dos momentos mais tensos do debate promovido pelo Correio nesta terça-feira (1º/9) ocorreu no terceiro bloco, de perguntas entre candidatos, quando Celina Leão (PP) chamou Ricardo Cappelli (PSB) de "bobo da corte". O tema da mobilidade urbana serviu de estopim para uma troca direta de acusações, que escalou do tempo de espera nos ônibus para ataques pessoais e interpelações judiciais.

Sorteado para perguntar, Cappelli iniciou o bloco exibindo seu cartão de mobilidade e atacando a gestão do transporte público. "Eu não faço parte dessa panelinha política aqui do Distrito Federal, histórica, que não deu resultado. O que eu estou vendo nas cidades são pessoas passando duas horas, duas horas e meia para sair do Araponga, para sair de Brazlândia, para sair do Sol Nascente e chegar ao Plano (Piloto) para trabalhar. Eu estou vendo as pessoas dizendo que se cansam mais no transporte do que no trabalho", afirmou o socialista.

Cappelli também desafiou a adversária a acompanhar a rotina dos passageiros. "Queria lhe fazer um convite, ver se a senhora aceita, amanhã às 5h, ir para a rodoviária de Brazlândia comigo, ir para o Araponga, ir para o Sol Nascente, para sofrer o que as pessoas estão sofrendo no trânsito."

Ao responder, Celina defendeu as obras de infraestrutura e destacou estudos para um novo braço do metrô até o Recanto das Emas, Riacho Fundo 1 e 2 e Gama, além do BRT Norte. Em seguida, a candidata do PP mirou o passado do PSB no comando do GDF.

"Na época do governo que o senhor representa, do partido que o senhor representa, do PSB, nós tínhamos pontes caídas, faltava água. O senhor tem que andar mesmo, tem que ouvir as histórias da tragédia que foi o governo do PSB aqui. No nosso governo vamos implementar tarifa zero. Sou defensora do transporte público desde meu primeiro mandato e agora como governadora, nós pedimos auditoria no primeiro dia e nós vamos fazer um estudo para implementar no governo tarifa zero."

Na réplica, Cappelli ironizou a proposta de estudo apresentada pela governadora após quase oito anos de gestão do grupo político de Ibaneis Rocha. Prometendo que em um eventual governo o passageiro "não vai levar mais de uma hora da porta de casa à porta do trabalho", o candidato cobrou linhas expressas, faixas exclusivas e a extensão das linhas do metrô até Ceilândia e Santa Maria. "Depois de oito anos de governo dela e do Ibaneis, a proposta dela é um estudo", comentou.

A tréplica de Celina Leão elevou a temperatura do debate. "O senhor acha que é o herói do 8 de Janeiro, candidato? O senhor é o bobo da corte do dia 8 de janeiro", afirmou. A declaração da governadora rendeu a Cappelli um direito de resposta, concedido pela organização do debate. Nele, o ex-interventor federal canalizou o ataque para a pauta da mobilidade urbana.

"O debate estava, até agora, de alto nível, mas eu fui chamado de bobo da corte. Não vou responder a isso com agressão", disse o socialista. Em seguida, ele reapresentou suas críticas às deficiências do transporte público nas regiões administrativas mais afastadas do Plano Piloto. "Bobo da corte, candidata, é a população do Distrito Federal que pega o ônibus. Por isso, eu refaço o desafio: vamos andar de ônibus amanhã, às 5 horas da manhã. Pode escolher o terminal."

Dobradinha

Antes do embate, no fim do segundo bloco de perguntas entre candidatos, Paula Belmonte (PSDB) cobrou a divulgação do balanço do Banco de Brasília (BRB), ao direcionar seu questionamento a José Roberto Arruda (PSD). Paula classificou o cenário como de "calamidade" e questionou como o banco chegou à atual situação.

Em resposta, Arruda afirmou considerar a situação do banco "inacreditável" e criticou a aquisição de títulos que classificou como "podres". "Eu custo a crer que isso aconteceu aqui em Brasília. O BRB tem servidores de carreira muito bem preparados e que prestavam serviços fantásticos à economia do DF. Quando a gente abre os olhos, conseguiram comprar R$ 16 bilhões de títulos podres. É inacreditável", afirmou o candidato, fazendo coro às acusações de Paula Belmonte.

Para Arruda, a situação exige medidas duras para tentar recuperar a instituição. O candidato também criticou as tentativas do governo atual de buscar alternativas financeiras para enfrentar a crise e cobrou a apresentação do balanço do banco.

"As medidas para recuperar esse banco serão muito duras. Até agora, nós vimos a Celina Leão dizendo que vai pegar empréstimo e não deu conta, a garantia da União também não deu conta. Aí vai e pede auxílio ao Supremo Tribunal Federal (STF) para mediar um acordo, mas não tem jeito de fazer um acordo se não apresenta um balanço", disse.

Arruda comparou a situação do banco à de um paciente em estado grave. "A sensação que eu tenho é de que o BRB é um doente que está na UTI e a médica de plantão está dando remédio para diminuir a febre. Só que a doença vai se agravar e, depois da eleição, pode não ter cura", declarou.

Após a resposta de Arruda, Paula Belmonte voltou a criticar a condução do BRB e afirmou que o problema representa, na avaliação dela, uma falha de moralidade e gestão. "É importante nós entendermos o que está acontecendo com o BRB. O que fizeram com o BRB foi um puxadinho de patrocínios bilionários."

Paula também questionou a ausência de informações detalhadas sobre a situação financeira do banco. "A outra situação é que não querem mostrar o balanço do BRB. Ninguém pega um empréstimo sem mostrar o balanço. Como a população vai votar em um candidato que está escondendo o balanço do BRB?", questionou.

Fila Zero

Ainda no terceiro bloco de perguntas entre candidatos, Celina Leão questionou Arruda sobre os resultados do programa Fila Zero, implantado durante a gestão dele. Segundo a candidata, o número de pacientes à espera de cirurgia permaneceu em 15 mil mesmo dois anos após o lançamento da iniciativa. "A Fila Zero não zerou nada", afirmou a governadora, alegando que o candidato Ricardo Cappelli copiou o nome do programa.

Arruda respondeu que, durante seu governo, as unidades de saúde contavam com pediatras, clínicos-gerais e ginecologistas e destacou a construção do Hospital Regional de Santa Maria, com 400 leitos. Celina rebateu afirmando que o governo está construindo sete novas unidades de pronto atendimento (UPAs), das quais cinco deverão ser entregues ainda este ano, e investindo R$ 100 milhões na reforma de hospitais.

Segundo a governadora, os problemas da saúde pública foram acumulados ao longo de diferentes gestões e não podem ser solucionados "do dia para a noite". Ela também informou que o Hospital do Recanto das Emas chegou à segunda laje e convidou os adversários a visitar as obras em andamento.

Na tréplica, Arruda ironizou o estágio da construção do hospital. "Anos depois, está na segunda laje. Brincadeira, né, Celina?", afirmou. O candidato responsabilizou a governadora e seu antecessor, Ibaneis Rocha, pela crise no setor e disse que os resultados anunciados pelo governo ainda não são percebidos pela população.

 

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