Senadora e candidata à reeleição, Leila do Vôlei (PDT) tem sofrido ataques em agendas públicas de campanha nos últimos dias. No Podcast do Correio, a parlamentar falou sobre violência política de gênero e defendeu maior representatividade feminina no Congresso Nacional. Às jornalistas Sibele Negromonte e Mila Ferreira, Leila também falou sobre legado e planos para um futuro mandato. Confira, a seguir, os principais pontos da entrevista.
A senhora sofreu ataques recentemente em agendas públicas de campanha. O que tem a dizer sobre isso?
Não tenho a menor dúvida de que é uma ação orquestrada. Eu tenho figurado entre o segundo e o quarto lugar nas pesquisas. Hoje, pela manhã, tive minha honra atacada, pessoas falando que não fiz nada como senadora, que sou a favor do aborto, etc. Ataques tradicionais da extrema direita. Não têm o que falar sobre mim, porque não estou envolvida em corrupção, aí vão lá só para tirar minha paz, para que eu deixe de falar sobre o meu trabalho e fique tentando me defender.
A senhora acredita que há um preconceito de gênero nestes ataques?
Total, não fariam isso com homem. Sempre tratei de forma muito séria a pauta de gênero. A gente sabe as dificuldades que as mulheres enfrentam durante o processo eleitoral. Essa é minha quarta eleição e, em todas elas, sofri algum tipo de violência de gênero. Os ataques têm sido fortes, agressivos, um ódio que às vezes dói na alma.
Como enxerga a representatividade feminina no Congresso?
Somos 17%. De 81 senadores, somos 15 senadoras. A política é um ambiente hostil, difícil para as mulheres. A gente é sempre atacada pela nossa honra. Hoje, vejo uma barreira estrutural muito clara na sociedade. Estamos falando de uma sociedade patriarcal, misógina e machista. Nós não queremos ser melhores do que os homens, queremos caminhar ao lado deles. Muitas vezes, no Congresso, a voz e o trabalho das mulheres não são respeitados.
Qual o principal pilar do seu mandato?
As mulheres sempre foram um dos pilares do meu mandato. Mas, nestes oito anos, contribuí como autora ou relatora para 40 legislações. Um exemplo é a lei do stalking, fui autora. Salvamos muitas vidas com esta lei. Fui relatora da lei da obrigatoriedade da tornozeleira eletrônica para o homem que tem medida protetiva.
O Fundo Constitucional do DF acaba de sofrer uma alteração por meio de um projeto que passou no Congresso. O que fazer para proteger este recurso?
Estou há quase oito anos no Congresso Nacional e em todos os anos, o fundo foi pauta, seja como emenda, seja como jabuti. O governo local fala que o governo federal quis atacar o fundo, mas essa foi uma iniciativa da própria relatora do projeto dos combustíveis quem colocou a alteração no projeto. O projeto foi aprovado na Câmara e no Senado na mesma tarde. Procurei líderes para conversar, mas não teve conversa. Resolvi me abster de votar como forma de protesto. Apresentei um projeto para que seja reavaliada a base de cálculo do fundo. Será mais difícil, mas o meu compromisso é esse. Temos que apostar no diálogo.
A senhora é uma parlamentar de centro-esquerda? Como é o seu diálogo com ambos os campos?
Sim. Me elegi pelo PSB, passei pelo PRB e hoje estou no PDT. Eu tenho uma posição fruto das minhas experiências pessoais, mas isso não mede meu caráter. As pessoas estão deixando de observar o trabalho do parlamentar para focar em campos ideológicos. Nessa pauta de ódio, quem perde é a sociedade. O meu trabalho, minha energia e os meus interesses são totalmente focados em Brasília. Tem pautas que votei com o governo anterior (Bolsonaro) e tem pautas que votei com o governo atual (Lula). Conseguimos muitos avanço no governo atual, como o aumento das forças de segurança do DF, a linha do metrô para Samambaia, entre outros. Quando a pauta é o DF, não há lados, é o trabalho do parlamentar. Quem me elegeu foi o povo do DF e o meu maior compromisso é com eles.
Como vê a crise do BRB?
O BRB é um banco de fomento e desenvolvimento. Entendo muito a importância do BRB. É muito sério o que está acontecendo. Olho com tristeza e indignação. São R$ 12 bilhões de títulos comprados, é dinheiro do DF. Eu quero justiça. Mas, quanto mais se abre sigilos sobre o caso Master, mais perto chegamos do BRB. Precisamos dessa transparência. Essa conta não pode cair no colo dos cidadãos e cidadãs. Precisamos saber onde está o dinheiro.
Como enxerga a crise no STF?
As pessoas cobram impeachment de ministros, mas isso quem pauta não é o senador, é o presidente da Casa. Essa é uma crise moral,de conduta. Não é de direita e esquerda. Vejo as pessoas com uma cegueira que, por conta de questões ideológicas, não enxerga o comportamento de certas autoridades da República. É preciso fazer uma avaliação da postura de alguns ministros da Casa. Sempre defenderei um STF forte.
*Acesse o link e assista à entrevista completa
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