
O CEO do Opinião — Inteligência Política, Alexandre Garcia, e o diretor de negócios do instituto, Carlos André Machado, analisaram a terceira rodada da pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política em entrevista ao CB.Poder, parceria entre o jornal e a TV Brasília. Às jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, eles consideraram que o aumento, em pontos percentuais, das intenções de voto para governador em Leandro Grass (PT) na mesma medida da redução dos de Ricardo Cappelli (PSB) passa a impressão de que houve migração de votos de um candidato para outro. Para o Senado, a sondagem aponta Michelle Bolsonaro (PL) no primeiro voto. Os especialistas avaliaram que o segundo voto está em aberto, mas Bia Kicis (PL) tem maior potencial de crescimento. A pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política foi a campo entre 29 e 31 de agosto, em 31 das 33 regiões administrativas, ouvindo de forma presencial 1.121 pessoas. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem o número DF-04936/2026. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O que é possível dizer sobre a pesquisa estimulada, aquela em que é apresentado ao entrevistado um cartão com os nomes dos candidatos?
Alexandre Garcia: Notamos uma estabilidade em relação aos resultados da rodada anterior. As oscilações de todos os candidatos foram muito pequenas. Celina continua consolidada na liderança, na casa dos 32%. Arruda oscilou de 24% para 23%. Então, os dois líderes da corrida para o GDF seguem a mesma proporção que observamos na edição anterior. Leandro Grass teve uma pequena evolução, ainda dentro da margem de erro, mas entrou em uma trajetória de crescimento na mesma intensidade em que Cappelli perdeu. Então, a gente observa que Leandro Grass subiu cerca de 2,7%, enquanto Cappelli perdeu 2,7%. A impressão que a gente tem é de que houve uma leve migração desses votos de um para o outro.
E sobre a pesquisa espontânea, quando o entrevistado aponta sua preferência sem que nenhum nome seja apresentado?
Carlos André Machado: O que a gente percebe é que Celina subiu para além da margem de erro e se consolidou na faixa de 23,4% das intenções de voto. Esse é um crescimento bastante relevante. Grass também subiu bastante, de 4% para 7%, mas Celina, certamente, se destacou nessa rodada.
Esses resultados na pesquisa espontânea são um sinal de consolidação dos votos?
Machado: Com certeza, porque a pessoa nem pensa e já aponta o seu preferido. Percebemos também que a quantidade de eleitores que falam que não sabem em quem vão votar reduziu bastante. Foram 10 pontos percentuais a menos. É sinal do começo da campanha política, dos candidatos na rua e dos debates. Isso tudo impacta o número de eleitores indecisos.
Faz um mês que os eleitores sabem quem são os candidatos. O que significa a estabilidade nos resultados das pesquisas?
Garcia: Significa que o cenário está se consolidando até o momento em que uma grande mudança venha a acontecer. No caso de se manter esse cenário, o segundo turno será entre Celina e Arruda. Esse crescimento na espontânea subiu o piso dos candidatos em uma proporção muito semelhante, especialmente os de Celina e Arruda. Celina cresceu na casa dos 6,2%, e Arruda na de 5% na espontânea.
Em uma eventual negativa da candidatura de Arruda, pode haver mudanças no resultado da eleição?
Machado: Certamente. A gente tem quase que uma nova eleição. Percebemos a tendência de Celina, inclusive, receber boa parte desses votos. Então, a gente teria que ter um cenário completamente sem Arruda concorrendo como candidato.
O que é possível analisar da pesquisa para o Senado?
Garcia: Na última edição da pesquisa, observamos Leila do Vôlei (PDT) um pouco à frente de Michelle Bolsonaro, mas tínhamos um cenário ainda muito conturbado, porque Michelle, nos dias que antecederam a sondagem, estava indecisa se sairia como candidata. Isso gerou uma confusão na cabeça do eleitor e acabou posicionando as duas tecnicamente empatadas, com Leila um pouco à frente de Michelle. Agora, temos um cenário mais próximo ao que a gente vinha observando anteriormente. Michelle está à frente na corrida, mas ainda empatada dentro da margem de erro com a segunda candidata, Leila. Bia Kicis (PL) e Érika Kokay (PT) estão praticamente equilibradas com cerca de 12% das intenções de voto. Então, esse é o primeiro cenário mais realista que a gente tem, porque agora temos a nominata fechada.
Machado: O lado mais centro-esquerda reduziu o percentual de intenção de voto e a direita está estável, com Bia crescendo um pouco. Acho que temos uma primeira vaga caminhando para a Michelle, e a segunda vaga, na minha opinião, ainda está aberta.
Existe pressão para que Sebastião Coelho (Novo) retire a candidatura porque há uma avaliação de que ele disputa votos com Bia Kicis. Isso faz sentido?
Garcia: Faz. Nas rodadas que fizemos há dois meses, percebíamos o potencial de crescimento de Bia, porque ela tem e tinha um nível de desconhecimento mais elevado. A partir do momento em que ela começa a se tornar conhecida e essa dobradinha com Michelle começa a colocá-la em evidência, está claro, no cruzamento dos dados, que ela aumentou como segundo voto vindo da Michelle. Parece que ela, hoje, tem o melhor potencial de crescimento das quatro candidatas. Certamente, os votos de Coelho, caso ele desista, vão migrar em boa parte para Bia.
Assista à entrevista
*Estagiária sob supervisão de Malcia Afonso
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