A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga dois episódios de agressão envolvendo estudantes de uma escola particular da 910 Norte. Os conflitos, que se estendem há pelo menos duas semanas, envolveram alunos dos ensinos médio e fundamental e evoluíram para ameaças, agressões físicas e envolvimento do pai de um dos adolescentes. Em nota, a instituição de ensino afirmou apurar os fatos e disse que adotará as medidas cabíveis (veja vídeo abaixo).
Em entrevista ao Correio, Larissa Machado, 43 anos, mãe de um dos estudantes, relatou que a relação entre o filho, de 14 anos, e os demais alunos do ensino médio se deteriorou a partir de maio, quando o adolescente foi acusado de participar de um grupo voltado à produção de montagens com inteligência artificial envolvendo meninas da escola. Segundo ela, um processo interno da instituição afastou a participação dele no ocorrido e apontou que, à época, o responsável foi devidamente identificado e responsabilizado.
Há pelo menos duas semanas, porém, o clima voltou a se tensionar no ambiente escolar, detalha a advogada. O filho presenciou uma briga entre um estudante do 3º ano e um colega, interveio e, segundo a mãe, passou a ser perseguido pelo rapaz, de 18 anos, e por um grupo de amigos dele.
Ocorrência em shopping
Nesta quarta-feira (17/9), dezenas de alunos reuniram-se no Plaza Norte Shopping. A praça de alimentação do estabelecimento é ponto de encontro entre estudantes de escolas particulares das Asas Sul e Norte e de Águas Claras, que costumam frequentar o local após o término das aulas para almoçar.
Por volta das 13h50, o filho de Larissa estava no espaço gastronômico quando encontrou o outro estudante, de 18 anos, na companhia de cerca de 10 meninos de escolas distintas. Ele afirma ter se “abrigado” em uma loja após sofrer ameaças do bando. Em seguida, ligou para o pai, Thiago Azevedo, 43, que chegou minutos depois.
Um vídeo gravado por uma testemunha mostra pai e filho entre os jovens. Thiago se posiciona no meio do grupo, na tentativa de apartá-los e, com o celular junto ao ouvido, aciona a Polícia Militar. Em determinado momento, um dos adolescentes segura Thiago pelo ombro, e o empresário desfere uma joelhada na barriga do jovem. O tumulto se agrava, e pelo menos seis meninos encurralam Thiago e o filho.
Sobre a agressão, Thiago alega ter agido para proteger o filho. “Imagina um monte de meninos vindo para cima. Eu vou afastar, não importa. Vou deixar baterem no meu filho?.” O fato foi registrado na PCDF, que investiga.
Um segurança do shopping ajudou a apartar os jovens. Depois do episódio, um boletim de ocorrência foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia (área central). Após a notificação, a mãe do menor relatou que o estudante de 18 anos voltou a ameaçar o filho dela, dizendo que não poderia bater nele, mas teria quem fizesse o “serviço”.
Agressão em escola
Nesta quinta-feira (17/9), pouco depois das 9h, Larissa recebeu uma ligação da filha, de 15 anos. A menina, que também estuda na escola da 910 Norte, contou que um grupo cercava o irmão dela na quadra de esportes da instituição.
Novamente, a cena foi gravada por outros alunos. A filmagem mostra o adolescente sozinho no meio da quadra. Pelo menos seis meninos iniciam o cerco. Um deles mostra o dedo do meio, e o adolescente desfere um tapa na mão dele. A discussão evolui para a agressão física, e o grupo parte para cima do aluno com chutes e socos. Em um dos momentos, o seguram e pedem para uma menina dar um tapa no rosto dele.
A briga só foi contida após a intervenção de dois funcionários da escola, um deles coordenador. A PM compareceu à instituição e, em nota enviada ao Correio, confirmou ter encaminhado oito adolescentes à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). O delegado não quis conceder entrevista.
Mesmo após os registros, o Correio apurou que alguns jovens postaram fotos em alusão aos episódios em uma rede social privada. Uma delas, na própria delegacia. A outra, em sinal de luta. O mesmo grupo também participou de um clube de luta, que foi alvo de uma operação da PCDF em abril. Na ocasião, os investigadores descobriram que uma mansão do Lago Sul funcionava como ringue clandestino.
O que diz a escola
Em nota, a escola lamentou os episódios envolvendo alunos e familiares da unidade da Asa Norte. “Situações dessa natureza não refletem os valores e princípios que norteiam a instituição, que tem no respeito, no diálogo e na convivência responsável fundamentos essenciais de sua atuação.”
Esclareceu que acompanha e apura os fatos para aplicar as devidas medidas. “Mais do que aplicar as providências necessárias diante do ocorrido, a escola entende que situações como essa também devem ser tratadas sob uma perspectiva educativa, proporcionando reflexão, aprendizado e uma verdadeira lição de cidadania a todos os envolvidos”, frisou a instituição.
