
De Salta, no norte da Argentina, o narcotraficante Reynaldo Delfín Castedo, conhecido como “Patrón del Norte”, controlou por quase duas décadas cerca de 60 mil hectares na fronteira com a Bolívia. A extensão de terra servia de passagem para toneladas de cocaína. Castedo foi preso em 2016, na província de Buenos Aires, depois de passar 10 anos foragido. Seu sobrenome, Delfín — “golfinho”, em espanhol —, associou-se a um desenho que passou a aparecer em carregamentos de cocaína, numa possível referência ao traficante. O mesmo golfinho estava estampado sobre parte da cocaína do tipo escama de peixe apreendida no carregamento de 165kg que, segundo a investigação, abasteceria regiões do Distrito Federal.
A publicação Recopilación de marquillas y logotipos en el tráfico de clorhidrato de cocaína, elaborada pelo Centro Especializado Antidrogas (CEA) da Comunidade de Polícias da América (Ameripol), é um manual estratégico para analisar o narcotráfico e entender a simbologia, as rotas e os padrões operacionais das organizações criminosas. O nome “Delfín” aparece 23 vezes. Em 21 delas, o registro é acompanhado de fotos de apreensões de cocaína estampadas de um golfinho e por um breve resumo da interceptação.
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Foi em Cuiabá (MT) que investigadores da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia Sul) começaram a monitorar o fardo de pó que tinha como destino os chefes de bocas da capital federal. Os mais beneficiados, entretanto, seriam os residentes de Samambaia. O caminhão com a droga entrou na malha viária da capital na noite desta quinta-feira (1º/10). Os traficantes escolheram o Recanto das Emas para transferir a cocaína do compartimento da carga para um carro de passeio.
A PCDF flagrou a movimentação e prendeu dois homens: o motorista e o destinatário da carga. Ao fim da operação, os policiais contabilizaram 165kg de cocaína e 15kg de skunk. A apreensão apontou para forte suspeita de tráfico internacional. Além do golfinho, parte da droga estava adesivada com a bandeira da Colômbia. Outra trazia os dizeres: “A melhor do Norte”. Também foi apreendida uma espingarda calibre 20 com a numeração raspada.
O delegado-chefe da 32ª DP, Alexandre Gratão, afirmou que o destino final seria uma casa “entoque” de Samambaia. A residência, sem móveis e moradores, funcionaria apenas como depósito e teria vigilância constante de um dos membros da organização criminosa.
Os dois detidos foram levados à carceragem da PCDF e responderão por tráfico de drogas, por integrar organização criminosa, por porte de arma de fogo com sinal identificador suprimido e por lavagem de dinheiro. Se condenados, as penas somadas podem ultrapassar 30 anos de prisão.
Cidades DF
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