
Intitulada “Faculdade de Brasília”, uma cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) instalada no DF mantinha um livro de capa preta com os nomes dos principais rivais, classificados como “lixos”. Os inimigos eram, em sua maioria, membros do Comando Vermelho (CV). Nesta quinta-feira (8/10), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado do Distrito Federal (FICCO/DF) deflagrou a operação Jubilados contra o grupo e 15 pessoas.
O núcleo era formado por cerca de 80 integrantes. A comunicação entre eles, segundo a Polícia Civil (PCDF), ocorria de modo virtual, em grupos de WhatsApp. Pelo canal, repassavam ordens, compartilhavam informações e atividades, arrecadavam dinheiro para familiares de aliados presos. As conversas também revelaram a divisão de tarefas dentro da estrutura. Havia setores responsáveis pelo controle de armas e munições, arrecadação financeira, cadastro de integrantes, apoio a presos, disciplina, recrutamento e expansão da facção.
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Segundo a delegada Agatha Natasha Santos, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), a promoção de rifas foi confirmada por um dos investigados. O valor arrecadado pelos faccionados era embolsado na compra de itens da chamada “cobal” — sacola com alimentos, objetos de higiene pessoal, limpeza e vestuário — para custodiados do Complexo Penitenciário da Papuda.
A investigadora afirmou que não foi possível precisar o valor dessa operação, uma vez que o dinheiro não passa por contas bancárias e migra para a informalidade.
Rivais
No livro preto, onde constam os nomes de rivais, o grupo anotava endereços, antecedentes criminais e locais de atuação, além da colagem de fotografias. A facção Comboio do Cão, oriunda do DF, mantém neutralidade nessa guerra, apontou a investigação.
Havia outro livro de capa branca dedicado ao cadastro de novos associados. A inserção, porém, seguia regras. Segundo a delegada, uma pessoa já integrante precisaria “apadrinhar” o recém-chegado.
Outro braço da organização atuava na expansão de pontos de venda de drogas, chamados internamente de “lojas”. Na maioria das vezes, esse locais ficavam nas próprias casas dos investigados.
Nesta etapa da operação policial, os alvos são investigados principalmente por integrarem a organização criminosa, crime previsto na Lei nº 12.850/2013, com pena de três a oito anos de prisão e multa. A operação reúne equipes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e polícias penais, por meio da FICCO/DF, além da Polícia Civil de São Paulo.
Cidades DF
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