A tendência é de que Celina Leão (PP) seja eleita governadora no primeiro turno e que seja favorecida por votos de eleitores ainda indecisos. É o que explicam Alexandre Garcia, CEO do Instituto Opinião Inteligência Política, e Carlos André Machado, diretor de negócios do instituto, responsável pelo levantamento realizado para o Correio. Os dados são da quinta rodada da pesquisa. Em entrevista ao CB.Poder — parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, os dois avaliaram que, para o Senado, destaca-se Bia Kicis (PL) para a segunda vaga, que está em uma curva ascendente forte. No entanto, a disputa segue acirrada entre ela, Leila do Vôlei (PDT) e Érika Kokay (PT). Confira, a seguir, os principais pontos da conversa.
O que é possível dizer sobre os dados da disputa para o Governo do Distrito Federal?
Garcia: Os números mostram que a probabilidade é altíssima de Celina Leão ser eleita no primeiro turno. No entanto, sabemos, pela análise de eleições anteriores, que Leandro Grass (PT) pode ter um crescimento nessa reta final, o que pode mexer com os resultados. Confiando nos resultados da nossa pesquisa, diria que ela está eleita em primeiro turno, mas sabemos que há uma probabilidade de as coisas mudarem rapidamente em função dos acontecimentos.
Machado: Celina realmente se consolidou. Nos dados da pergunta espontânea, aquela em que a gente não mostra nenhum tipo de estímulo, ela disparou. Ela cresceu 7,9 pontos porcentuais. Isso mostra que a candidata está muito consolidada no voto espontâneo. Grass também cresceu, mas só metade do que Celina. Temos uma disputa binária entre Celina e Grass.
A consulta registrou 10,6% de indecisos. Geralmente, esses eleitores votam nulo ou escolhem um dos candidatos?
Garcia: Fizemos uma análise desses eleitores indecisos para tentar entender se eles tinham algum viés em função de quem escolheram na pesquisa para presidente ou para o Senado. Percebemos que Celina é a mais provável de receber, pelo menos, um terço desses votos. Então, a distribuição desses indecisos aumenta a probabilidade de ela levar no primeiro turno.
Os outros candidatos não emplacaram?
Garcia: É como sempre observamos: a escolha do eleitor para o cargo de governador é uma mais racional. Ele observa quem está mais preparado para fazer a gestão da cidade. No caso, os candidatos que concorrem com Celina são apostas, e a tendência é o eleitor migrar para quem já tem uma história com gestão da cidade. Então, em quase todos os cenários, Celina é a escolha da preferência.
Qual análise os senhores fazem da sondagem para o Senado?
Garcia: O principal resultado dessa última rodada é o crescimento de Bia Kicis na pesquisa espontânea. Ela cresceu bastante em comparação às demais. Michelle Bolsonaro (PL) está totalmente consolidada em primeiro lugar. Ela vai levar uma das vagas. Se a tendência fosse linear, muito provavelmente daria Michelle e Bia. Leila deu uma estacionada. Então, ela pode dar uma caída na reta final. Quem pode surpreender é Érika porque já vimos, em eleições anteriores, o arranque final do PT um pouco mais elevado. Mas há uma indecisão para essa segunda vaga, e tudo pode acontecer.
Machado: Essa dobradinha entre Michelle e Bia surtiu efeito e demonstra que, à medida que essa conexão ficou conhecida, os votos de Bia cresceram. Migraram o segundo voto para Bia, ao invés de Leila e outros candidatos.
E em relação aos votos consolidados?
Machado: É muito importante olhar o resultado da pesquisa passada. Leila não cresceu. Érika cresceu 1%. Michelle já está à frente e cresceu também, quase 2%. Agora, Bia cresceu quase 5%. Isso é acima da margem de erro. Observarmos a tendência muito clara de subida. Leila está estagnada, Érika crescendo pouco, e Bia, realmente em uma curva ascendente muito forte.
Qual é o possível efeito da rejeição aos candidatos ao Senado nas eleições?
Garcia: O efeito da rejeição já está consolidado. Ele não afeta mais a intenção de voto. Ela não faz mais efeito nessa projeção para as eleições neste domingo.
Machado: Quem tem uma rejeição mais consistente é a Michelle, até porque ela está em primeiro, e Érika, que está em quarto. É uma questão de campo político, do PT e da esquerda. Érika carrega isso com ela. Ela tem um teto estabelecido em relação à esquerda.
Qual leitura os senhores fazem da disputa para deputado federal?
Garcia: Depende da quantidade de votos que cada partido vai ter. Mas sabemos, pelo que a gente vem monitorando, que pelo menos seis desses nomes têm grande chance de serem os eleitos. Eles aparecem em todas as pesquisas, sempre bem posicionados.
Machado: Temos, por consequência, duas vagas em aberto. Agora, Fábio Félix (PSol), Rafael Prudente (MDB), Alberto Fraga (PL), Julio Cesar (Republicanos), Izalci Lucas e Fred Linhares (Republicanos) estão com uma probabilidade elevada de serem eleitos.
*Estagiária sob a supervisão de Tharsila Prates
