Três perguntas para

Henrique Hellas é cientista político da assessoria Continuum Private

Como avalia o resultado das urnas para a CLDF em termos de renovação e perfil dos eleitos?

Vejo um cenário de muito mais continuidade do que de renovação. Dos 24 deputados eleitos, apenas seis são novos nomes, o que representa uma taxa de renovação de 25% — um índice baixo em comparação com eleições anteriores. Na prática, três quartos do plenário já conhecem a dinâmica regimental da Casa e a articulação com o Poder Executivo. O eleitor brasiliense optou por manter o projeto em andamento, embora a chegada de parlamentares mais jovens deva introduzir novas pautas no debate público e uma comunicação política diferenciada.

Como fica a distribuição de forças ideológicas e qual partido terá o maior peso na liderança do plenário?

O centro de gravidade da Câmara está consolidado na centro-direita, campo que reúne cerca de 17 das 24 cadeiras, enquanto a centro-esquerda fica com aproximadamente sete representantes. O PL obteve a maior bancada individual, com cinco deputados distritais, mas não possui força suficiente para governar a Casa sozinho. O partido dependerá do apoio de legendas estratégicas como MDB, Republicanos, União Brasil e PP. É preciso separar ideologia de governabilidade: na CLDF, a capacidade de formar blocos partidários e negociar a pauta de votações costuma pesar tanto quanto a identidade ideológica.

De que forma o resultado do segundo turno para o Palácio do Buriti afetará o relacionamento do próximo governador com a CLDF?

A organização das bancadas mudará radicalmente a depender do vencedor. Com uma eventual vitória de Celina Leão (PP), o governo começará com ampla vantagem, dada a afinidade da maioria dos distritais de centro-direita com a atual gestão. O desafio de Celina será menos o de construir uma base e mais o de administrar os diferentes objetivos partidários dentro de uma maioria tão ampla. Já se Leandro Grass (PT) for eleito, o cenário se inverte: ele teria em torno de sete deputados ideologicamente alinhados e precisaria buscar apoio no centro e na centro-direita para aprovar projetos, o que daria à Câmara um poder de negociação consideravelmente maior.

Mais Lidas