FRAUDE

Organização criminosa aplicava e vendia 'golpe do falso parente'

Grupo vendia kits completos com dados pessoais das vítimas e já teria causado um prejuízo estipulado em aproximadamente R$73 mil

Cinco integrantes de uma organização criminosa especializada em aplicar o “golpe do falso parente”, por meio do Whatsapp, foram presos nesta quarta-feira (7/10). A ação, intitulada Operação Atrás das Grades , conclui que, além de realizar o golpe, a quadrilha também o comercializava para terceiros. Os golpistas se dividiam em sedes em Ceilândia e Taguatinga, no Distrito Federal, e em Goiânia (GO). 

Segundo a investigação, os criminosos fingiam ser filhos, parentes ou amigos das vítimas para incitá-las  transferir o dinheiro solicitado. Neste momento, a Polícia já identificou pelo menos 19 ocorrências relacionadas ao grupo, registradas entre novembro de 2025 e maio de 2026, com prejuízo estimado em aproximadamente R$73 mil. Em um dos casos, uma vítima chegou a perder mais de R$53 mil. Os principais alvos da quadrilha eram idosos entre 75 e 83 anos. 

A investigação teve início em maio deste ano, quando uma mulher do Distrito Federal recebeu mensagens em seu Whatsapp de um perfil com o nome e foto de seu filho. Os policiais analisaram os vestígios digitais e constataram uma estrutura criminosa organizada em núcleos, com divisão de tarefas e atuação desde 2024. 

Comercialização do golpe

Foi revelado que o grupo produzia e vendia kits completos para efetuar o golpe. Os kits eram chamados pelos criminosos de “grade” e continham dados pessoais da vítima e de seus familiares, obtidos em painéis clandestinos de dados, além de imagens, roteiro da conversa e outros materiais utilizados na abordagem. Ao receber a “grade”, o comprador possuía todas as ferramentas para aplicar a fraude em várias vítimas, inclusive em diferentes locais do país. 

Uma das sedes da organização era localizada em Ceilândia. Nela, os golpistas habilitaram  chips telefônicos utilizados nas fraudes. Segundo as investigações, um dos integrantes era ex-funcionário de uma operadora de telefonia e cadastrou linhas em nome de pessoas que desconheciam a utilização de seus dados. Um dos celulares usados pelos criminosos registrou mais de 6 mil habilitações. 

Após isso, os chips eram enviados ao segundo núcleo em Goiânia, onde as contas de WhatsApp utilizadas nas abordagens às vítimas eram criadas e testadas. De acordo com os investigadores, o grupo atuava rapidamente e em larga escala. Por isso, acredita-se que o número de vítimas seja ainda maior do que as que já foram identificadas. 

Prisão 

Dos cinco integrantes presos, três são homens de 31, 38 e 48 anos, e duas são mulheres, de 24 e 46 anos. Junto com eles, foram apreendidos celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, que passarão por exame pericial. A justiça também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias dos investigados e de empresas vinculadas a eles.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado pela fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. As penas máximas podem ultrapassar 26 anos de reclusão. A Polícia prosseguirá com as investigações a fim de detectar outros envolvidos, localizar contas utilizadas para o recebimento dos valores obtidos com as fraudes e mensurar o número total de vítimas.

 

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