Com a proximidade do dia do segundo turno das Eleições 2026, que acontece neste domingo, o Correio traz orientações relevantes ao eleitor que vai às urnas no domingo. Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter alterado a mudança de seções eleitorais em outros estados do Brasil, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) informou que não haverá mudanças nos locais de votação do DF. Desta forma, embora tenham sido divulgadas alterações em locais de votação no Brasil, os eleitores do DF deverão comparecer aos mesmos locais utilizados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Mesmo sem alterações previstas no Distrito Federal, o TRE-DF recomenda que os eleitores, especialmente aqueles que não compareceram ao primeiro turno, consultem antecipadamente o local de votação. A consulta pode ser realizada pelo aplicativo e-Título ou pelo portal do TRE-DF, na opção de consulta ao local de votação que fica logo na página inicial do site.
Leia também: Seções eleitorais do DF não sofrem alterações para o 2º turno: veja o que muda nos estados
Leia também: TRE-DF manda Meta retirar alertas em posts de Grass e explicar restrições
Cientista político, doutorando e sócio da Metapolítica Consultoria, Jorge Mizael comentou a importância de cada voto nas eleições do DF e a relevância dos que não compareceram às urnas no primeiro turno participarem no segundo.
"O primeiro turno no DF deu uma demonstração concreta de que cada voto pesa. A disputa pelo governo ficou a menos de 200 votos de ser decidida ali mesmo, num eleitorado de mais de 2,2 milhões de pessoas. Isso é menos do que o número de eleitores de uma única escola de votação", observou. "No plano nacional, tivemos o primeiro turno presidencial mais apertado desde a redemocratização, com cerca de dois pontos de diferença. Quando a margem é estreita assim, quem fica em casa não está sendo neutro. Está deixando que outros decidam por ele quem vai governar o DF e o país pelos próximos quatro anos", acrescentou.
O especialista destacou, ainda, que um governo eleito com participação ampla tem mais legitimidade para governar e negociar. "Abstenção alta enfraquece o vínculo entre o eleitor e quem foi eleito, e isso tem seu preço depois, na hora de cobrar resultados", afirmou.
Comparecimento
No DF, dos 2.243.988 eleitores aptos a votar no primeiro turno, 1.817.921 compareceram às urnas, enquanto 426.067 não participaram da votação. A abstenção, portanto, foi de 18,99%. "A abstenção foi menor do que a média nacional, que passou de 21% e foi a maior em quase três décadas. "Para o segundo turno, a experiência brasileira recente mostra que a abstenção costuma ficar no mesmo patamar, com variações pequenas. Em 2022, no país, ela praticamente não se mexeu de um turno para o outro", analisou Jorge Mizael.
"No entanto, existem fatores que podem ajudar a abstenção a diminuir no DF. A disputa é mais clara, com apenas dois nomes por cargo, e o resultado apertado do primeiro turno tende a mobilizar as campanhas e o próprio eleitor. O que preocupa é a parcela que deixou de votar por desinteresse ou descrença. Essa não volta sozinha. Precisa ser convencida", ponderou o especialista. "Tem um detalhe que pouco explorado. Como o DF não tem municípios, quem está aqui no dia da eleição não consegue justificar a ausência na urna. Ou vota, ou entra direto na conta da abstenção", completou.
Incentivo
Cabe, agora, aos candidatos, dar ao eleitor um motivo para sair de casa e votar no domingo. " Muita gente deixa de votar por dúvida, não por convicção. Quem se absteve, geralmente, não está esperando mais ataques ao adversário. Está esperando entender o que muda na vida dele com uma ou outra escolha. Campanha que fala de transporte, saúde, emprego e serviço público de forma concreta tem mais chance de trazer esse eleitor de volta do que campanha que só aposta na rejeição ao outro lado", ressaltou o cientista político.
"No primeiro turno o eleitor do DF digitou seis votos. Agora são só dois, governador e presidente. Isso tende a reduzir filas e diminui aquela insegurança de quem não sabia em quem votar para deputado ou senador e preferiu nem ir. Mas o tempo na fila raramente é o principal motivo da abstenção. O que pesa mais é a sensação de que o voto não faz diferença. E o primeiro turno no DF mostrou, com números, que essa sensação está errada", comentou Jorge Mizael.
Saiba Mais
