NATAL 2026

Decorações natalinas antecipam movimento nas lojas e aquecem comércio

As decorações vêm de todas as partes: São Paulo, Alemanha e China são países de alguns dos fornecedores

Proprietária de uma loja em Taguatinga, Cremilda Zerneri começa a planejar e comprar os produtos que serão vendidos na época do Natal em outubro do ano anterior. As decorações vêm de todas as partes: São Paulo, Alemanha e China são países de alguns dos fornecedores. "Trabalhamos no Natal o ano todo, termina um e já começa o outro. Por exemplo, meu filho está na China comprando para o Natal de 2027, então, nós já estamos com a linha pronta e sabemos o que vamos vender ano que vem", conta.

Carlos Vieira/CB/D.A Press - Pátio Brasil inaugurou decoração natalina no último sábado (31/10)

A expectativa de Zerneri é que, com o fim do período eleitoral, a venda de decorações para as festas de fim de ano aumente — na Cei Norte Decorações, o cálculo é de um crescimento de 20% em relação ao Natal de 2025. "Foi um ano eleitoral, com muito conflito, então, o comércio estava bem devagar, mas passou a política e agora ele alavancou", comemora. A lojista trabalha com três linhas: popular, média e alta, de forma a atender todos os públicos. 

De acordo com a comerciante, outra dificuldade para atender a demanda por decorações natalinas foram as enchentes na China, no Nepal e no Tibete em agosto de 2026. As fábricas que fornecem fitas e renas para a loja, por exemplo, alagaram, o que atrasou o fornecimento desses itens.

Mesmo com desafios, a loja contratou 50 funcionários temporários para atender o movimento do comércio e recebe clientes que buscam comprar decorações para as festas de fim de ano com antecedência. Uma delas é a funcionária pública Fátima Gonçalves, de 64 anos, que se define como "a louca do Natal". "Eu espero o ano inteiro para chegar esse momento, apreciá-lo e absorvê-lo, porque acho mágico", diz. Ela busca laços e ursos para acrescentar à decoração de casa e da árvore: "Já é do tamanho de uma de shopping" .

A professora aposentada Maria Ester Bonfim, 59, compartilha do amor por essa época. "Impossível a gente não se encantar com a decoração natalina, porque é tudo muito bonito. O Natal tem uma magia, faz a gente se encher de esperança e continuar acreditando que vale a pena lutar", ressalta. Para o Natal de 2026, procurava guizos, sinos e bolas. 

Júlia Costa/CB/D.A Press -
Júlia Costa/CB/D.A Press -
Carlos Vieira/CB/D.A Press -
Carlos Vieira/CB/D.A Press -
Carlos Vieira/CB/D.A Press -
Pedro Paulo Cardoso CB/DA Prees -
Pedro Paulo Cardoso CB/DA Prees -

Cores

A Stock Lar, na Asa Norte, tradicionalmente começa a vender decorações de Natal em setembro. A festa muda toda a organização do estabelecimento. Com a chegada dos produtos natalinos, passam a operar em horário estendido. Para atender aos consumidores, a loja abre aos domingos e feriados, com equipe reduzida. "Nós temos clientes em agosto já perguntando pelo Natal. Um movimento considerável por conta da expectativa do nosso próprio cliente que já está aguardando", conta a proprietária Ailce Miranda. 

Para atender a demanda, a equipe começa a comprar as decorações de Natal ainda em janeiro, em exibições ao redor do país. "Nossas compras são feitas 70% em janeiro e o restante em maio, em uma feira em São Paulo", explica.

A aposta deste ano são produtos com padrão xadrez, em azul e vermelho, e na cor marsala. "Temos clientes cativos para essa cor, esse ano ela está super em alta junto com o vermelho aberto", afirma. 

A analista de sistemas Márcia Amaro, 49, busca a Stock Lar para montar a decoração de casa. "Hoje, vim fazer minha guirlanda. Aqui, encontramos bolas, laços e capas de almofada e só vamos trocando todos os anos, isso é muito bacana."

O sentimento associado à data começa antes mesmo de dezembro. "Na minha casa, estamos nesse ritmo e encanto natalino. Para mim, Natal é família", define. 

A dona de casa Lenize Landim, 51, brinca que a casa dela está "decorada até demais", com bonecos de neve e um Papai Noel com um metro de comprimento. "Só está faltando a árvore. Eu queria que adiantássemos a preparação mais ainda, porque esperamos até novembro, mas, por mim, podia ser em agosto." 

Otimismo

Nos grandes centros comerciais de Brasília, a expectativa para o fim de ano se mantém positiva. Augusto Brandão, superintendente do Pátio Brasil Shopping, considera que novembro apresenta dois pontos fortes para aumentar o fluxo de consumidores no local: a chegada da Black Friday, que traz promoções em diversas lojas ao longo do mês, unida à proximidade com o Natal.

A união dessas duas datas também impulsiona o número de vagas temporárias para reforço das equipes. "Sabemos que esse é um período importante para a geração de empregos e renda, além de representar uma oportunidade para muitos profissionais ingressarem no mercado de trabalho", destaca.

Para atender a clientela, o shopping aposta na diversificação entre lojas e experiências que tornem a visita ao local mais interessante. "Nossa aposta é que essa combinação contribua para movimentar o empreendimento, estimular o consumo e fortalecer o desempenho dos lojistas durante uma das datas mais aguardadas pelo varejo", diz Brandão. O Pátio Brasil inaugurou a tradicional decoração de Natal no último sábado com a presença do Papai Noel, atrações interativas para as crianças e a árvore.

Reforçando a visão dos comerciantes, as estimativas do Sindicato do Comércio Varejista (Sindivarejista) apontam consumidores mais otimistas e economia estável após as eleições. O órgão espera o crescimento de 6,4% das vendas de Natal no DF, em comparação ao aumento de 5,7% do mesmo período em 2025, e a criação de 4,7 mil vagas temporárias para o fim de ano, o equivalente a 1,4 mil postos de trabalho a mais em relação ao ano passado.

"Roupas, calçados, objetos de decoração e brinquedos serão os presentes mais vendidos por lojas de rua e de shoppings. O gasto médio por presentes poderá se situar entre R$ 264 e R$ 392, a depender da capacidade de compra de cada consumidor", antecipa Sebastião Abritta, presidente do Sindivarejista.

*Estagiária sob a supervisão de Malcia Afonso

 

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