CORONAVÍRUS

Medicamento Remdesivir reduz risco de internação e morte por covid-19 em 87%

Aplicado apenas via intravenosa, em hospitais, o antiviral tem aprovação de uso emergencial para Sars-CoV-2 por mais de 50 países, incluindo o Brasil

Paloma Oliveto
postado em 23/09/2021 06:00
 (crédito: Colin BERTIER, Virginie GOUBIER, Ulrich Perrey / POOL / AFPTV / AFP)
(crédito: Colin BERTIER, Virginie GOUBIER, Ulrich Perrey / POOL / AFPTV / AFP)

O medicamento Veklury, nome comercial do remdesivir, em pacientes de covid-19 não hospitalizados e com alto risco de progressão da doença reduziu em 87% o risco de internação e morte, segundo comunicado da fabricante, a Gilead Sciences. Aplicado apenas via intravenosa, em hospitais, o antiviral tem aprovação de uso emergencial para Sars-CoV-2 por mais de 50 países, incluindo o Brasil.

O resultado do estudo, feito com 562 pacientes divididos igualmente entre os que receberam medicamento ou placebo, será apresentado, em breve, em uma conferência virtual, disse a Gilead. Entre as pessoas que, durante três dias, receberam a aplicação do remdesivir, o índice de progressão da doença, depois de 21 dias, foi de 0,7%.

Já 5,3% das incluídas no grupo que recebeu o placebo precisaram ser hospitalizadas. Em nenhum dos braços do estudo, houve morte. Além disso, a droga reduziu em 81% o número de consultas médicas relacionadas à covid-19.

O uso de Veklury para o tratamento de pacientes não hospitalizados com três dias de dosagem é experimental, e a segurança e a eficácia para esse fim ainda não foi aprovada por nenhuma agência reguladora global. No estudo, o perfil de segurança foi o mesmo entre os pacientes que tomaram o medicamento e os do grupo placebo, sendo os eventos adversos mais comuns náuseas e cefaleias.

Vulneráveis

“Esses resultados parecem incrivelmente encorajadores em termos da utilidade do remdesivir no tratamento da infecção por Sars-CoV-2”, avalia Stephen Griffin, professor da Escola de Medicina da Universidade de Leeds, que não participou do estudo, conduzido pela Universidade de Baylor, nos EUA. “Ser capaz de prevenir o aparecimento de doenças graves pode ser fundamental em pessoas clinicamente vulneráveis ou após uma exposição aguda em um ambiente de saúde, por exemplo.” São considerados pacientes de alto risco os imunodeprimidos, gestantes, portadores de doenças cardiovasculares, com diabetes e obesidade, entre outros.

O médico lembra que estudos anteriores foram conflitantes sobre o uso da droga em pacientes graves, sendo essa indicação desaconselhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Os antivirais fornecem o benefício máximo quando usados no início do curso da doença. No verão passado, dados de ensaios clínicos demonstraram o benefício do remdesivir em pacientes hospitalizados com covid-19 quando ainda não necessitavam de oxigênio. Esses dados mais recentes mostram o potencial do remdesivir para ajudar os pacientes de alto risco a se recuperarem antes que adoeçam e permaneçam fora do hospital”, disse Robert L. Gottlieb, principal pesquisador do estudo divulgado ontem. 

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