
A equipe da Nasa que opera o Telescópio Hubble descobriu um objeto astronômico inédito até então: uma nuvem de matéria escura. A descoberta, apelidada de “Nuvem 9”, foi anunciada durante uma coletiva de imprensa, nesta segunda-feira (5/1), durante a 247ª reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Phoenix.
A grande novidade é que a nuvem é rica em gás e não possui estrelas. Além disso, ela é menor do que as demais nuvens de hidrogênio observadas próximas à Via Láctea. Esse tipo de nuvem é considerada uma “galáxia falhada” ou uma “relíquia” pelos cientistas e pode resultar em novas descobertas sobre o universo e a física da matéria escura.
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Os resultados foram publicados no periódico The Astrophysical Journal Letters. Os cientistas acreditam que esse tipo de objeto, cujo nome técnico é “Nuvem de Hidrogênio Limitada pela Reionização”, mostra uma janela do estágio inicial da formação de galáxias. Caso cresça, a Nuvem 9 pode, eventualmente, formar uma nova galáxia no futuro.
O objeto recebeu o apelido por ser a nona nuvem de gás identificada nas proximidades de uma galáxia espiral próxima, Messias 94 (M94). Dados de rádio de alta resolução indicam ligeiras distorções no gás, possivelmente mostrando uma interação entre os dois objetos.
Alejandro Benitez-Llambay, da Universidade Milano-Bicocca, aponta que a descoberta do objeto astronômico comprova a teoria de que no universo podem ser encontrados blocos primordiais de galáxias. “Esta é uma história de uma galáxia que não se formou”, comenta.
Um telescópio localizado em Guizhou, na China, já havia avistado a nuvem há três anos, mas foi somente com o Hubble que os pesquisadores puderam determinar a ausência de estrelas.
“Antes de usarmos o Hubble, poderíamos argumentar que esta é uma galáxia anã que não conseguiríamos ver com telescópios terrestres. Eles simplesmente não tinham sensibilidade suficiente para detectar estrelas”, explica a autora principal do estudo, Gagandeep Anand. “Mas com a Câmera Avançada para Pesquisas do Hubble, conseguimos comprovar que não há nada lá”.
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