
Um estudo prático realizado pelo Instituto para o Estudo Avançado da Biologia Humana (Institute for the Advanced Study of Human Biology, em inglês), localizado em um centro de pesquisa de classe mundial em Kyoto, no Japão, foi responsável por ajudar a explicar o motivo pelo qual começar tarefas desagradáveis é algo tão difícil.
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De acordo com a pesquisa, publicada nesta sexta-feira (9/1) no portal Current Biology - A Cell Press Journal, especializado em assuntos científicos, a maioria das pessoas lida com situações do tipo, em que fazer uma ligação desconfortável ou estudar para uma prova causadora de preocupações, por exemplo, torna-se mais difícil do que o esperado. Há um nome para quando esses sentimentos vêm a ser ainda mais severos: avolição.
Segundo ressalta o estudo, pessoas que lidam com a avolição não são preguiçosas ou desinteressadas. Elas sabem o que precisam fazer, mas têm dificuldade de dar o primeiro passo. A avolição, por exemplo, é frequentemente vista em pacientes que lutam contra depressão, esquizofrenia e doença de Parkinson. Mexe, fortemente, com a habilidade de organizar e cumprir com as tarefas do dia a dia.
Parte prática feita com o auxílio de cobaias
Pesquisas feitas no campo da neurociência e da psicologia mostraram que, antes da efetivação de uma ação por parte do corpo, o cérebro mede o quanto de esforço será necessário para que uma tarefa seja cumprida. Ou seja, o custo do afazer, energeticamente falando. Se o custo for alto, a motivação cai. Até agora, o motivo exato que faz com que o cérebro interprete o alto montante necessário de esforço como motivo para não agir, ainda não havia sido esclarecido.
Para chegar a essa resposta, o corpo de pesquisa contou com o apoio de indivíduos de macacos do gênero Macaca, primatas pertencentes à família dos cercopitecídeos. Foi aplicado, nos animais, uma técnica genética avançada chamada de chemogenetics.
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O teste consistiu em ajustar recepetores de comunicação de forma temporária e precisa entre regiões específicas do cérebro dos animais, e, assim, identificar o circuito exato que agia como um "freio" na motivação para cumprimento de tarefas específicas.
Mais precisamente, duas delas. O cumprimento da primeira dava como recompensa um pouco de água para beber. Na segunda, a mesma recompensa vinha com um adicional ruim: uma borrifada forte de água na cara. Antes de cada tarefa, os macacos recebiam uma deixa para escolher livremente se começavam ou não o cumprimento da tarefa.
Resultados trouxeram leituras importantes e perspectiva para o futuro
O foco principal dos pesquisadores era de avaliar se os animais tomavam, de fato, a iniciativa própria para cumprir a tarefa. Como esperado, quando a ação envolvia apenas o prêmio, começavam sem atraso. Quando precisavam lidar com a borrifada de água no rosto, frequentemente hesitavam, independentemente da presença da recompensa.
Em seguida, os cientistas enfraqueceram uma conexão cerebral específica, responsável por ligar duas regiões que envolvem a motivação: o estriado ventral (EV) e o pálido ventral (PV). Na tarefa limitada apenas à recompensa, suprimir essa ligação tinha impacto pequeno no comportamento dos animais.
Assim, iniciavam o afazer normalmente. Em contraste, durante as tarefas que envolviam a borrifada, o freio mental acabou reduzido. Os macaquinhos, aí, se mostravam muito mais dispostos a começar. Segundo mostrou a pesquisa, não foi a habilidade de julgar recompensas e punições que mudou na mente dos animais, mas sim o espaço entre as noções do "entender" e "fazer".
Em uma análise mais minuciosa, foi possível identificar que a atividade neural no EV aumentou durante o cumprimento da tarefa estressante, o que ajuda o cérebro a lidar com a situação de nervosismo. Em contraste, a atividade registrada no PV caiu gradualmente durante os momentos em que os macacos mostravam menos ímpeto para agir. Dessa forma, expondo que as duas regiões proporcionam papéis distintos. Juntas, as descobertas mostram que o caminho para a ligação entre o EV e o PV funciona como o real "freio" de motivação.
Agora, a descoberta joga luz em condições como a depressão e a esquizofrenia, conhecidas por terem o "freio" mental como vilão. Os achados poderão ser úteis no combate contra a resolução de diferentes questões causadas nos cérebros dos pacientes.
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