ESPAÇO

Camundongo surpreende ao retornar do espaço e dar à luz a nove filhotes

Resultado inédito sugere que a microgravidade não compromete a fertilidade

De acordo com os pesquisadores, o resultado fortalece a hipótese de que missões espaciais de curta duração não comprometem a capacidade reprodutiva de mamíferos -  (crédito: wikimedia commons kcthetc1)
De acordo com os pesquisadores, o resultado fortalece a hipótese de que missões espaciais de curta duração não comprometem a capacidade reprodutiva de mamíferos - (crédito: wikimedia commons kcthetc1)

Um camundongo fêmea que passou cerca de duas semanas em microgravidade surpreendeu cientistas ao dar à luz nove filhotes poucas semanas depois de voltar à Terra seis deles sobreviveram. O nascimento ocorreu em 10 de dezembro, menos de um mês após o retorno do animal da estação espacial chinesa Tiangong, onde integrou um experimento inédito conduzido pela China.

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O episódio é tratado como um marco para a ciência espacial. De acordo com os pesquisadores, o resultado fortalece a hipótese de que missões espaciais de curta duração não comprometem a capacidade reprodutiva de mamíferos. A concepção aconteceu após o pouso, e os filhotes nasceram saudáveis, apresentando comportamento ativo e desenvolvimento compatível com a idade. A mãe segue amamentando normalmente.

“A missão nos fornece amostras valiosas para investigar como o ambiente espacial influencia os estágios iniciais do desenvolvimento em mamíferos”, afirmou Wang Hongmei, pesquisadora da Academia Chinesa de Ciências (CAS).

A camundonga fazia parte de um grupo de quatro ratos enviados ao espaço em 31 de outubro, a bordo da espaçonave tripulada Shenzhou-21. Os animais permaneceram em um habitat especializado na estação espacial até o retorno à Terra, em 14 de novembro, após quase duas semanas em órbita.

Soluções improvisadas

O sucesso do experimento veio apesar de imprevistos operacionais. Uma alteração no cronograma de retorno da missão seguinte, a Shenzhou-20, inicialmente responsável por trazer os animais de volta, provocou atraso e resultou na escassez da ração especializada dos ratos no fim da permanência em órbita.

Com o apoio dos astronautas a bordo, o fornecimento de água foi mantido por meio do sistema próprio do habitat. Já a alimentação exigiu criatividade: após testes realizados em solo com itens disponíveis para a tripulação, o leite de soja foi escolhido como alternativa temporária mais adequada.

Segundo a CAS, a estratégia funcionou e manteve os animais em condições estáveis até o retorno. Durante toda a missão, um sistema de monitoramento com inteligência artificial acompanhou os ratos em tempo real, analisando padrões de movimento, alimentação e sono. As informações eram enviadas à equipe em Terra e ajudaram na tomada de decisões rápidas para reduzir riscos.

Avanços e limites

A agência chinesa afirma que esta é a primeira vez que o país conclui com sucesso um experimento espacial completo com mamíferos, desde a preparação pré-lançamento até as operações em órbita e a recuperação dos animais após o retorno. 

Os próprios cientistas ressaltam as limitações do estudo. A fêmea não engravidou nem deu à luz no espaço, e a missão ocorreu em órbita baixa da Terra, sem atravessar os cinturões de Van Allen, áreas associadas a níveis mais elevados de radiação.

Mesmo assim, os resultados são considerados relevantes. O ciclo de vida curto dos ratos faz com que duas semanas em microgravidade representem, do ponto de vista biológico, um período equivalente a mais de um ano para humanos, o que amplia o peso científico das observações.

 

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postado em 07/01/2026 10:24 / atualizado em 07/01/2026 10:28
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