SAÚDE

Presunto é tão cancerígeno quanto o tabaco? Especialista explica viral

Lista da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) leva em consideração a existência de evidências científicas consolidadas, não a gravidade do consumo

Entre os itens a serem evitados, estão as carnes embutidas, como salsicha, linguiça, bacon e o presunto -  (crédito: Pavel Subbotin/Unsplash)
Entre os itens a serem evitados, estão as carnes embutidas, como salsicha, linguiça, bacon e o presunto - (crédito: Pavel Subbotin/Unsplash)

A relação entre alimentação e os riscos de câncer é algo estudado e consolidado pela comunidade científica. As evidências científicas colocam ultraprocessados, embutidos, enlatados e refinados no grupo 1 de carcinogênicos da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, em inglês), da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses alimentos dividem a categoria com itens como tabaco, radiação ultravioleta e até arsênio, além de vírus como o Papilomavírus Humano (HPV)

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A organização ainda confunde algumas pessoas e as redes sociais não ajudam. Nesta semana, um post no X (antigo Twitter) viralizou ao frisar que o alimento e o tabaco pertencem ao mesmo grupo carcinogênicos da Iarc, logo, frequentemente a pergunta surge: "o presunto é tão cancerígeno que o tabaco?".

A oncologista e membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Gabrielle Scattolin explica que a inclusão nesse grupo considera a existência de evidências científicas consolidadas entre o componente e o desenvolvimento da doença, mas não o tamanho do risco. “O risco absoluto associado ao tabagismo e ao amianto, por exemplo, supera o risco absoluto do consumo de carnes embutidas”, afirma. 

“O risco absoluto dependerá da frequência da ingestão, da quantidade, do contexto da dieta e de outros fatores de risco já existentes, sendo que estes dados ainda não estão totalmente claros nos estudos”, pontua.

Membro da Iarc, o Brasil também apresenta a Lista Nacional de Agentes Cancerígenos para Humanos (Linach), que serve como base para a formulação de políticas públicas. O Ministério da Saúde explica que o consumo desses produtos não é o causador da doença, mas pode ser um dos fatores de risco, principalmente se combinado com indicadores como predisposição genética e sedentarismo. 

Alimentação

Entre os itens a serem evitados, estão as carnes embutidas, como salsicha, linguiça, bacon e o presunto. Segundo a especialista, isso ocorre porque esses alimentos são ricos em componentes como nitritos, nitratos e nitrosaminas. Quando ingeridas, essas substâncias reagem com as proteínas presentes no trato intestinal, o que causa danos ao DNA das células. “Além disso, eles causam uma inflamação crônica no trato digestivo e alteram a microbiota intestinal, o que também causa danos a estrutura celular”, explica. 

Um processo semelhante ocorre com o consumo de enlatados. Nesse caso, o fator de risco está na presença de Bisfenol A (BPA), componente utilizado na fabricação da resina epóxi que reveste a parte interna da lata. O aquecimento, resfriamento ou contato do recipiente com alimentos de pH ácido pode acelerar o processo de transferência de BPA para o alimento e, consequentemente, ingestão do composto cancerígeno.

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Frituras e bebidas alcoólicas ou gaseificadas também contém aditivos que podem causar inflamações. Os refinados, como açúcar e farinha branca, também estão ligados ao crescimento de células cancerígenas quando consumidos em excesso. 

“É importante salientar também que o consumo excessivo de carnes embutidas e ultraprocessados pode substituir o consumo de alimentos protetores como fibras, frutas, vegetais e outros compostos anti-oxidantes que são protetores das células”, destaca Scattolin. Outros fatores indiretamente relacionados são o ganho de peso e a obesidade que aumentam a resistência à insulina e podem contribuir para a formação de diferentes tipos de tumores. 

 

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postado em 15/01/2026 17:35 / atualizado em 15/01/2026 17:36
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