
Um dos maiores enigmas da astronomia moderna — como buracos negros conseguiram crescer tanto, tão rapidamente — acaba de ganhar uma resposta. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Maynooth, na Irlanda, e publicado na revista Nature Astronomy, indica que buracos negros que nascem pequenos podem se transformar em gigantes cósmicos em um tempo muito menor do que se imaginava.
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Até então, astrônomos acreditavam que apenas buracos negros que já nasciam grandes, chamados de “sementes pesadas”, poderiam evoluir para os chamados buracos negros supermassivos, que ocupam o centro das galáxias. As chamadas “sementes leves”, com massas relativamente pequenas, eram vistas como incapazes de atingir tamanhos tão extremos.
A nova pesquisa, no entanto, mostra um cenário diferente. Por meio de simulações computacionais de última geração, os cientistas descobriram que buracos negros formados poucos centenas de milhões de anos após o Big Bang conseguiram crescer de forma contínua e acelerada, alcançando dezenas de milhares de vezes a massa do Sol em um curto intervalo de tempo.
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Segundo os pesquisadores, o segredo está nas condições caóticas do universo primitivo. Ambientes densos, ricos em gás e extremamente turbulentos permitiram episódios de “acreção de super-Eddington”, um verdadeiro “frenesi alimentar”, no qual o buraco negro engole matéria em um ritmo tão intenso que, em teoria, a própria luz deveria expulsar esse material. Ainda assim, ele continua se alimentando.
Esses resultados ajudam a preencher a lacuna que existia entre as primeiras estrelas do universo e os buracos negros supermassivos observados no centro das galáxias. O estudo indica que mesmo buracos negros pequenos, sob as condições certas, podem crescer de maneira espetacular.
A descoberta também coloca em xeque a necessidade das chamadas sementes pesadas, consideradas raras e dependentes de condições muito específicas para se formar. De acordo com os pesquisadores, buracos negros “comuns”, originados do colapso de estrelas, podem atingir massas extremas quando expostos ao ambiente certo no início do cosmos.
Além de resolver um impasse teórico, a pesquisa abre caminho para futuras observações espaciais. Os resultados têm impacto direto na missão LISA, uma parceria entre a Agência Espacial Europeia e a NASA, prevista para ser lançada em 2035. A expectativa é que o observatório consiga detectar ondas gravitacionais geradas pela fusão desses pequenos buracos negros em rápido crescimento, permitindo observar o passado do universo de forma inédita.
O estudo muda a compreensão sobre as origens dos buracos negros supermassivos e reforça a ideia de que o universo primitivo era muito mais caótico e dinâmico do que se pensava. Mesmo estruturas pequenas, em meio ao caos, foram capazes de se tornar verdadeiros monstros cósmicos em tempo recorde.

Ciência e Saúde
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