
O desejo sexual não se mantém estável ao longo da vida e varia conforme a idade, o gênero e a orientação sexual. É o que mostra um novo estudo publicado na revista Scientific Reports, baseado em dados de mais de 67 mil adultos da Estonian Biobank, uma das maiores bases populacionais da Europa.
Ao analisar relatos autorreferidos de desejo sexual, os pesquisadores identificaram que a idade é um dos fatores mais determinantes para a variação da libido, mas seus efeitos não são os mesmos entre homens e mulheres. Em ambos os gêneros, o desejo tende a diminuir com o passar dos anos, porém essa queda é mais precoce e acentuada entre as mulheres. Enquanto os homens apresentam uma redução gradual e mais estável ao longo da vida adulta, as mulheres mostram um declínio mais rápido, especialmente após a menopausa.
As divergências entre os gêneros aparecem de forma consistente em todas as faixas etárias. Em média, homens relataram níveis mais altos de desejo sexual do que mulheres, independentemente da idade. Segundo os autores, essa disparidade permanece significativa mesmo quando fatores como estado civil, presença de filhos, escolaridade e situação profissional são considerados na análise estatística.
A pesquisa também revela que a orientação sexual está associada a padrões distintos de libido. Pessoas que se identificam como bissexuais ou pansexuais relataram, em média, níveis de desejo sexual mais elevados do que participantes heterossexuais. Já indivíduos que se identificam como assexuais apresentaram os níveis mais baixos de desejo sexual em todas as idades analisadas, reforçando que a assexualidade envolve não apenas práticas ou relacionamentos, mas também uma vivência específica do desejo.
Entre pessoas heterossexuais, o estudo observou uma trajetória mais previsível da libido ao longo da vida, com pico na juventude adulta e declínio progressivo com o envelhecimento. Em contraste, entre participantes de sexualidades não heteronormativas, os níveis médios de desejo tendem a ser mais elevados ou menos lineares, sugerindo que fatores sociais, identitários e relacionais podem interagir de maneira distinta com o desejo sexual nesses grupos.
Condições socioeconômicas também afetam a libido. Níveis de ocupação, renda e inserção no mercado de trabalho mostraram alguma correlação com o desejo, mas esses fatores perdem força quando ajustados por idade e gênero. Segundo os autores, isso indica que aspectos socioeconômicos influenciam o desejo sexual de forma indireta, frequentemente mediada por saúde, estresse, estabilidade emocional e contexto de vida.
Além disso, a parentalidade apareceu como um fator associado a pequenas variações no desejo sexual. Pessoas com filhos relataram, em média, níveis ligeiramente diferentes de libido em comparação àquelas sem filhos, mas os efeitos foram limitados. O impacto foi mais perceptível em participantes que tiveram um filho recentemente, sugerindo que mudanças hormonais, rotinas intensivas de cuidado e privação de sono podem interferir temporariamente no desejo sexual, sem necessariamente indicar uma queda permanente ao longo da vida.
Já os relacionamentos estáveis contribuem para o aumento do desejo sexual. No entanto, os pesquisadores destacam que essa associação não é uniforme e depende de fatores como satisfação relacional e fase da vida. A simples condição de estar ou não em um relacionamento explicou apenas uma pequena parcela da variação da libido, reforçando que a qualidade da relação tende a ser mais relevante do que o status conjugal em si.
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Os pesquisadores destacam que, embora idade e gênero sejam os fatores mais fortes na explicação das variações da libido, a sexualidade é um fenômeno multifatorial, influenciado por aspectos biológicos, psicológicos, culturais e relacionais, que não podem ser completamente isolados em estudos populacionais. Em suma, o estudo destaca que não existe um padrão único e universal de desejo, sendo as variações o que mais permeiam a sexualidade em diversos fatores.
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