A recente revelação da influenciadora Bruna Furlan, de 24 anos, neta do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, trouxe visibilidade a um tema que ainda é pouco associado à juventude: o câncer de mama em mulheres jovens. Diagnosticada no fim do ano passado, Bruna usou as redes sociais para contar que passará por um tratamento que inclui quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Ao compartilhar sua história, ela destacou a importância de falar abertamente sobre a doença para alertar outras jovens e oferecer acolhimento a quem passa pela mesma situação.
O caso de Bruna reflete uma tendência observada na prática médica. Segundo a oncologista Gabrielle Scattolin, membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), a incidência do câncer de mama tem aumentado em todas as faixas etárias, inclusive entre mulheres com menos de 45 anos, grupo no qual o crescimento é de cerca de 1,1% ao ano. De acordo com a especialista, nos consultórios é cada vez mais comum o diagnóstico da doença em pacientes jovens.
Nessa faixa etária, o câncer de mama costuma apresentar um comportamento mais agressivo. Isso se deve à maior frequência de tumores de alto grau e de subtipos biológicos mais rápidos, como o triplo negativo e o HER2 positivo. Mesmo os tumores hormonais, que são os mais comuns, tendem a evoluir de forma mais acelerada em mulheres jovens, já que o ambiente hormonal, com os ovários em plena atividade antes da menopausa, favorece o crescimento dessas células tumorais.
A oncologista ainda afirma que, embora a incidência da enfermidade esteja aumentando, os tratamentos estão cada vez mais eficazes também. "A prevenção do câncer começa na infância e a educação e o acesso ao sistema de saúde são os pilares fundamentais para melhorar todos os desfechos", ressalta a médica.
Gabrielle explica que outro fator que dificulta o diagnóstico precoce é a densidade natural das mamas jovens, que pode mascarar nódulos nos exames de imagem. Por isso, a atenção aos sinais do próprio corpo é fundamental. Entre os principais alertas pontuados pela médica estão o surgimento de nódulos endurecidos nas mamas, geralmente indolores e de crescimento rápido, o aumento de linfonodos nas axilas, alterações na cor ou na textura da pele da mama e a saída de secreções pelos mamilos. Diante de qualquer uma dessas mudanças, a orientação é procurar um médico o quanto antes.
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Outros fatores de risco estão relacionados à exposição hormonal ao longo da vida e ao estilo de vida, como o consumo de álcool, o tabagismo, a obesidade e dietas ricas em alimentos ultraprocessados. A prevenção, portanto, envolve a adoção de hábitos saudáveis, como a prática regular de atividade física, a eliminação do álcool e do cigarro.
O tratamento em mulheres jovens costuma ser mais intenso e complexo, tanto pela agressividade biológica do tumor quanto pelo estágio em que o câncer é identificado. Por isso, o cuidado deve ser multidisciplinar, com acompanhamento psicológico, suporte emocional e atenção à autoestima, incluindo reconstruções mamárias e manejos estéticos quando necessários. Uma das principais preocupações nessa fase da vida é a fertilidade e a possibilidade de uma gravidez futura.
Segundo a especialista, atualmente existem estratégias eficazes de preservação da fertilidade, como o congelamento de óvulos ou embriões e o bloqueio ovariano, o que permite que muitas mulheres consigam engravidar após o término do tratamento e a superação da doença.
