Ronco constante, sono agitado e respiração pela boca em crianças são sinais comuns na infância, mas que merecem atenção quando persistem. O assunto voltou a ganhar destaque após a influenciadora Virginia Fonseca contar que as filhas Maria Alice, de 4 anos, e Maria Flor, de 3, vão passar por cirurgia ainda neste ano, após recomendação médica devido ao aumento das amígdalas e da adenoide.
“Hoje as Marias dormiram comigo, e as duas roncam muito, porque têm a amígdala e a adenoide muito grandes. Inclusive, esse ano vai sair a cirurgia, porque o médico já recomendou mesmo, porque está atrapalhando elas. A Flor acorda a noite inteira só pra falar alguma coisa. Eu falo ‘volta a dormir’, ela volta e começa a roncar de novo. É engraçada, em todas as camadas, não tem como”, relatou Virginia.
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O que são amígdalas e adenoide
Segundo a médica otorrinolaringologista Juliana Caixeta, amígdalas e adenoide fazem parte do sistema de defesa do corpo. São tecidos linfoides localizados na garganta (amígdalas) e na parte posterior do nariz (adenoide), com papel importante principalmente nos primeiros anos de vida.
“Elas atuam como uma espécie de filtro, ajudando o organismo a reconhecer vírus e bactérias”, explica. Em algumas crianças, porém, essas estruturas aumentam mais do que o esperado e acabam causando obstrução das vias aéreas.
Sintomas e sinais de alerta
O crescimento das amígdalas e da adenoide é relativamente comum durante a infância, mas alguns sintomas indicam a necessidade de avaliação médica. Entre os principais estão respiração pela boca ou respiração mista (nariz e boca), ronco frequente e sono agitado.
“Crianças que roncam à noite por mais de 15 dias devem passar por avaliação, principalmente quando esse ronco não está associado a infecções respiratórias, como gripes ou resfriados”, afirma Juliana Caixeta.
A respiração oral constante pode prejudicar o descanso noturno e afetar a qualidade de vida da criança. “A longo prazo, a respiração oral pode interferir no desenvolvimento da face e dos dentes”, alerta a especialista. Alterações no comportamento, como irritabilidade, agitação ou sonolência excessiva durante o dia, também podem estar relacionadas ao problema.
Estudos ainda apontam possíveis impactos metabólicos. “Há pesquisas que associam o ronco a mudanças na secreção de hormônios como leptina, grelina e o hormônio do crescimento, o que pode influenciar o crescimento e o ganho de peso”, explica a médica.
A condição é mais frequente em crianças, especialmente na fase pré-escolar, quando o tecido linfoide tende a ser maior. Em adultos, o aumento das amígdalas e da adenoide é menos comum, mas também pode ocorrer e gerar sintomas semelhantes.
Tratamento e indicação de cirurgia
O tratamento depende da gravidade do quadro. Em casos leves, o acompanhamento médico e medidas clínicas podem ser suficientes. A cirurgia costuma ser indicada quando o aumento das estruturas compromete a respiração, o sono ou o desenvolvimento da criança.
“Atualmente, a cirurgia pode ser feita com auxílio de vídeo e tecnologias como microdebridador e coblation. Ainda assim, a técnica tradicional, por meio de cortes, continua sendo uma opção adequada”, detalha Juliana Caixeta.
O procedimento é realizado em centro cirúrgico, com anestesia geral, e a internação geralmente é breve em crianças saudáveis. O pós-operatório costuma ser mais desconfortável nos primeiros dez dias, com dor de garganta e sensação de nariz entupido.
A médica também esclarece mitos comuns sobre a recuperação. “Não é necessário deslocar o queixo para realizar a cirurgia. Além disso, não é imprescindível manter apenas uma dieta fria e líquida. Hoje, é possível liberar alimentos mais consistentes já nos primeiros dias após o procedimento”, conclui.
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