
O secretário-executivo da Organização das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC), Simon Stiell, alerta que, em um período de instabilidade e insegurança global, os países precisam incluir o aquecimento do planeta e suas consequências nos planos de defesa nacionais. "Sejamos realistas: para qualquer líder que leve a segurança a sério, a ação climática é fundamental, já que os impactos climáticos causam estragos em todas as populações e em todas as economias", disse Stiell em Istambul, na Turquia, que sediará a Conferência do Clima (COP31) deste ano.
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"A crescente poluição por gases de efeito estufa significa extremos climáticos cada vez mais frequentes, alimentando a fome, o deslocamento de pessoas e a guerra", declarou o secretário-executivo em uma coletiva de imprensa. Ele lembrou que o mundo, hoje, encontra-se em um "novo cenário de desordem mundial". "O próprio conceito de cooperação internacional está sob ataque", disse. Embora não tenha citado os Estados Unidos, foi uma clara referência à debandada da administração Donald Trump de acordos e organismos internacionais.
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Segundo Simon, "a ação climática pode trazer estabilidade a um mundo instável". O granadino lamentou que o clima não esteja na pauta de uma conferência sobre segurança que ocorrerá em Munique, na Alemanha, neste fim de semana. "As energias renováveis são o caminho mais claro e barato para a segurança e soberania energética, protegendo países e economias dos choques desencadeados por guerras, turbulências comerciais e a política do 'a força faz o direito', que empobrece todas as nações."
Combustíveis
Nesta semana, o jornal britânico The Guardian divulgou um esboço da agenda da COP31, que será sediada em Antalya entre 9 e 20 de novembro. Embora os combustíveis fósseis sejam a causa principal das mudanças climáticas, a eliminação gradual de petróleo, gás natural e carvão ficou fora da pauta. Ontem, ao lado do presidente designado da conferência, ministro Murat Kurum, o secretário-executivo reforçou que é preciso acelerar a transição energética. Ele citou o evento anterior, que aconteceu em Belém (PA), para exemplificar o fluxo financeiro associado à energia limpa.
"Na COP30, US$ 1 trilhão foram designados para redes elétricas limpas e grandes investimentos em proteção florestal, saúde climática e muito mais", disse. "Essa abordagem está gerando fluxos maciços de investimento, alavancando o ímpeto do mercado que já está transformando irreversivelmente os sistemas energéticos globais", concluiu Simon Stiell. (Paloma Oliveto)
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