TUMOR

Consequências do câncer de pênis acende alerta para prevenção e cuidados

Doença foi responsável pela amputação de mais de 2,9 mil pênis nos últimos cinco anos

Doenças ligadas à saúde íntima masculina são frequentemente negligenciadas por conta de tabus e estigmas enraizados na sociedade. Por tais motivos, doenças como o câncer peniano têm atingido números alarmantes. Entre os anos de 2021 e 2025 o Ministério da Saúde registrou mais de 2,9 mil amputações de pênis e pelo menos 2,3 mil óbitos.

Com dados tão assustadores, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) promove anualmente no mês de fevereiro uma campanha nacional de conscientização, com o objetivo de informar os homens sobre os perigos da doença e como se prevenir contra ela.

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De acordo com o presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes, o câncer de pênis causa mutilações evitáveis no Brasil, principalmente por causa do desconhecimento, do estigma e do diagnóstico tardio. “Trata-se de um tumor raro nos países desenvolvidos, mas que ainda apresenta incidência significativa no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentram os maiores índices da doença”, disse o presidente da SBU.

A SBU destaca também alguns pontos importantes para a detecção precoce da doença. Entre outras coisas, é importante se atentar a manchas que demoram a desaparecer, acúmulo de sujeira, mau cheiro e verrugas no pênis. Caso esses sinais sejam detectados, é importante se consultar com um especialista. Para se prevenir do câncer peniano a organização destaca que as principais ferramentas de defesa são a vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), cirurgia para correção de fimose e manter uma boa higiene íntima.

Para Rui Mascarenhas, supervisor da disciplina de câncer de pênis da SBU, destaca a importância do diagnóstico da doença em estágios iniciais. “O câncer de pênis tem comportamento previsível quando identificado precocemente. Lesões iniciais podem ser tratadas com procedimentos conservadores, preservando função urinária e sexual”, disse o médico. Ele aponta que o verdadeiro problema é quando os pacientes chegam depois de meses ou até mesmo anos após a evolução do tumor. Nesses casos, “a amputação parcial ou total passa a ser a única alternativa”.

*Estagiário sob supervisão de Paulo Leite

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