SAÚDE

Beber 2 a 3 xícaras de café por dia reduz risco de demência, diz estudo

Estudo realizado ao longo de quatro décadas contou com 131 mil pessoas e associa consumo moderado de café com cafeína à preservação cognitiva

Consumir de duas a três xícaras de café por dia está associado a um menor risco de desenvolver demência e a uma leve melhora no desempenho cognitivo ao longo do envelhecimento, segundo estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA). A pesquisa acompanhou mais de 131 mil profissionais de saúde nos Estados Unidos por quase quatro décadas.

O trabalho investigou como o consumo prolongado de café — com e sem cafeína — e chá influencia o risco de demência e o declínio das funções cerebrais. Os pesquisadores buscaram identificar se a cafeína exerce papel central na proteção cognitiva e qual faixa de consumo está associada aos melhores resultados.

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A análise incluiu 131.821 participantes: 86.606 mulheres do Nurses’ Health Study e 45.215 homens do Health Professionals Follow-up Study. Nenhum deles apresentava câncer, doença de Parkinson ou sinais de demência no início do acompanhamento. Os dados foram coletados a partir de 1980, no caso das mulheres, e de 1986, entre os homens, com seguimento até 2023. Os resultados foram publicados em fevereiro de 2026.

Classificado como estudo de corte prospectivo, o levantamento se baseou em questionários alimentares aplicados a cada dois a quatro anos. Os casos de demência foram identificados por registros e diagnósticos médicos. Parte das mulheres com mais de 70 anos também realizou testes neuropsicológicos por telefone para avaliar memória e atenção.

Os resultados apontam que o menor risco de demência foi observado entre participantes que consumiam de duas a três xícaras diárias de café. Para o chá, a associação mais favorável ocorreu com uma a duas xícaras por dia. Os maiores consumidores de café com cafeína apresentaram risco 18% menor de demência em comparação com quem consumia pouco ou nada.

O café descafeinado não mostrou a mesma associação, o que sugere possível influência da cafeína. Nos testes cognitivos, quem bebia mais café teve pontuações ligeiramente superiores, equivalentes a um atraso de pouco mais de seis meses no envelhecimento cerebral.

Os autores ressaltam que o estudo identifica associação, e não relação de causa e efeito. Por ser observacional, não é possível afirmar que o café seja o fator responsável direto pela redução do risco. Os pesquisadores também apontam a possibilidade de causalidade reversa — quando pessoas em estágios iniciais de demência reduzem naturalmente o consumo de café — e destacam que o impacto cognitivo observado é modesto.

Segundo os especialistas, a prevenção da demência envolve um conjunto de fatores, como atividade física regular, alimentação equilibrada e controle de doenças crônicas.

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